Combate ao desmatamento é chave para retomada de prestígio internacional do Brasil

“Combater o desmatamento é hoje uma senha para o Brasil ter reinserção internacional. Hoje há pouquíssima tolerância com o Brasil”, disse a ex-Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, em live do Valor reportada por Daniela Chiaretti.

Mas não é só isso: “Estamos pegando um ativo nosso – porque pela Constituição brasileira o meio ambiente é um bem público e, portanto, um bem da sociedade brasileira – e o entregando para o crime deliberadamente. E aí vem falar de soberania? Soberania é cuidar do bem público”. Vale acessar o Valor e ler a matéria: as reflexões de Izabella são muito pertinentes.

Em entrevista à CNN Brasil, o professor de Relações Internacionais da ESPM, Leonardo Trevisan, afirmou que a OCDE já percebeu que o Brasil não consegue avançar no combate ao desmatamento. Pode ser que a constatação tenha vindo com o levantamento da aderência do país aos instrumentos normativos do grupo que tratam de meio ambiente: dos 71 instrumentos, apenas 7 já contam com a adesão do Brasil. O Brasilianista conta a história.

Ou talvez tenham ouvido o recado do Ministério das Relações Exteriores da França: no dia seguinte ao envio da carta convite para o Brasil, o órgão publicou uma nota dizendo que a entrada do Brasil no grupo dependerá de progressos sérios, concretos e mensuráveis na luta contra o desmatamento e as mudanças climáticas. A Folha e o Poder360 noticiaram.

A julgar pela eficácia da oposição francesa ao acordo entre a União Europeia e o Mercosul devida ao desmatamento da Amazônia, é bom que o governo brasileiro – independente de quem estiver no Planalto e na Esplanada dos Ministérios – ouça as recomendações da sociedade. Algumas delas fazem parte do relatório “Diálogo Brasil-EUA sobre Sustentabilidade e Mudanças Climáticas”, divulgado na última 6ª feira (28/1). O relatório recomenda que o governo, seja ele nacional ou internacional, engaje comunidades locais neste desafio. Segundo o Poder 360, veículo que noticiou o lançamento, o combate à pobreza, com o desenvolvimento de “economias florestais amazônicas” que evoluam para a preservação e não para degradação do bioma, e o financiamento adequado, são outras prioridades indicadas pelo relatório elaborado por um grupo formado pelo Brazil Institute do Wilson Center em parceria com Uma Concertação Pela Amazônia.

Outra dica para o governo: não adianta mentir – a destruição ambiental é visível do espaço. Em entrevista à DW, o astronauta alemão Matthias Maurer, que está neste momento na Estação Espacial Internacional (ISS), disse que vê as queimadas no Brasil e que se entristece com elas.

Maurer diz que o planeta visto do espaço é “incrivelmente belo”. “Mas logo teme-se por esse belo planeta”. #ficadica, Marcos Pontes.

Em tempo: Em texto publicado na revista científica Nature na última semana, dois cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) denunciam a alta do desmatamento no Brasil e pressionam para que países europeus e a China boicotem as importações de soja e carne bovina do país. Eles explicam que “há anos, os pecuaristas do estado de Mato Grosso vendem suas pastagens por preços altos para produtores de soja e compram terras baratas mais ao norte para desmatar para a produção de carne bovina”. ((o))eco traz mais detalhes.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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