Ciro Gomes dá o tom de como pretender lidar com o meio ambiente

Ciro Gomes defendeu a descarbonização da economia e se posicionou contra o Marco Temporal e a mineração em Terras Indígenas

O candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), que figura na terceira posição nas pesquisas eleitorais, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), apresentou como o meio ambiente pode ser tratado em uma possível gestão pedetista. 

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, nesta segunda-feira (15), Ciro mostrou-se bem articulado quanto às grandes temáticas ambientais, como mudanças climáticas, produção de energia e a gestão territorial dos povos tradicionais. 

Sua participação também marcou o recorde do programa em 2022, atingindo 1,5 pontos em São Paulo, segundo dados da empresa Kantar. Um ponto de audiência, segundo esse indicador, abrange 205.755 telespectadores. A participação do presidenciável figurou, ainda, na segunda colocação nos trend topics, os assuntos mais comentados, do Twitter.

Apesar de se posicionar sobre questões importantes, o meio ambiental não foi o tema mais destacado por Ciro. Como de costume, ele primeiro evidenciou, o seu papel conciliador em meio à polarização representada pelos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), aos quais (novamente) acusou reiteradamente de serem “corruptos”, além de detalhar questões tributárias e econômicas.

Ciro Gomes
Em entrevista, Ciro Gomes afirmou que o crime domina a fronteira do Amazonas (Foto: Reprodução/GloboNews)

Só foi quando perguntado sobre a relação com as potências internacionais, e mais especificamente sobre sua posição sobre de que modo o Brasil poderia ser compensado por suas ações no campo ambiental pelas nações mais ricas, que Ciro fez questão de apresentar-se de modo bastante contundente sobre a temática. 

“Comigo o Brasil vai buscar ser o líder mundial na questão ambiental”, afirmou, citando como carro chefe a descarbonização da economia para prevenir as tragédias trazidas pelas mudanças climáticas – sem, no entanto, detalhar de que modo pretende fazer esse processo de transição – um dos grandes dilemas até mesmo para as nações que há mais tempo trilham esse caminho.

Porém, apesar dos planos ainda incertos, o candidato afirmou que o Brasil tem todas as condições e a massa crítica para ter essa liderança, faltando apenas a consolidação de medidas capazes de levar tais planos adiante.

Violência e povos indígenas

Para ele, um exemplo da negligência do governo de Jair Bolsonaro no que se refere ao meio ambiente pôde ser verificado com o assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira no Vale do Javari (AM). Para Ciro, as mortes foram resultado da atuação falha das Forças Armadas na região, transformada, segundo o candidato, em um território tomado pela criminalidade.

Ciro Gomes também posicionou-se contra duas grandes polêmicas envolvendo a questão indígena. Ele afirmou que não defenderá a tese jurídica do Marco Temporal, que segue em análise no Supremo Tribunal Federal (STF) e que consideradas demarcadas apenas as Terras Indígenas que receberam titulação até a promulgação da Constituição de 1989. Ciro também disse ser contrário (com poder de vetar se eleito) o Projeto de Lei 191/20, para liberar a mineração nas Terras Indígenas. 

A sua promessa para os povos indígenas e tradicionais foi de demarcação e regularização das demandas fundiárias que envolvem essas populações. 

“Eu quero ser a referência como o presidente que zerou toda a demanda [por terra] das comunidades tradicionais brasileiras”, disse.

Outro ponto caro ao meio ambiente e aos recursos naturais citado por Ciro na entrevista no Roda Viva foi sua proposta de reestatização da Eletrobrás. A maior empresa de geração de energia elétrica brasileira, com capacidade geradora equivalente a 28% do total da capacidade instalada do país foi privatizada em 2021 por uma medida provisória de Jair Bolsonaro. Estudos indicam que a ação irá aumentar as emissões e os custos do cidadão com a questão climática

Para Ciro, trazer a empresa de volta ao comando do Estado seria fundamental para a manutenção constitucional da hierarquia do uso das águas brasileiras. Ele ponderou que para engenheiros uma hidrelétrica pode ser vista de acordo com a sua produção energética, mas que ele, por ser nordestino, tem outra percepção, que é a do abastecimento de água das populações e o poder de demanda dos recursos hídricos. 

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Fonte: O Eco

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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