Cheia do Rio Tocantins é a maior em 20 anos para janeiro

Por conta das chuvas frequentes e volumosas dos últimos meses houve registros de cheias nos rios do Norte e Nordeste do Brasil. Os rios Tocantins e Itapecuru tiveram um dos maiores níveis, para um mês de janeiro, em mais de uma década. 

No município de Marabá, no Pará, o rio Tocantins alcançou a cota máxima de 11,91 metros, no dia 5 de janeiro de 2022, sendo o maior nível para um mês de janeiro dos últimos 20 anos, desde 2002. 

A pior cheia da história, contando os dados anuais, foi em 1980. As maiores cheias foram nos meses de fevereiro, março, abril e maio, de acordo com os dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e do Serviço Geológico do Brasil – CPRM, obtidos pelo site da Rede Hidrometeorológica Nacional. 

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 Níveis mais altos  (em metros) do rio Tocantins em Marabá (PA) para um mês de Janeiro, entre 1972 e 2022 
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 Níveis mais altos por ano (em metros) do rio Tocantins em Marabá (PA),  entre 1972 e 2022 

Rio Itapecuru tem maior cheia em 18 anos

No município de Cantanhede, no Maranhão, o rio Itapecuru atingiu a cota máxima de 7,81 metros no dia 05 de janeiro de 2022. Este foi o maior nível para um mês de janeiro nos últimos 18 anos, desde 2004. 

A pior cheia da história, contando os dados anuais, foi em 1980. As maiores cheias foram nos meses de março, abril e maio, conforme dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico(ANA) e o Serviço Geológico do Brasil – CPRM, obtidos pelo site da Rede Hidrometeorológica Nacional. 

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Níveis mais altos (em metros) do rio Itaperucu em Cantanhede (MA) para um mês de Janeiro, entre 1969 e 2022 
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Níveis mais altos por ano (em metros) do rio Itaperucu em Cantanhede (MA), entre 1972 e 2022 

Acumulados de chuva 

Como comentado anteriormente, as maiores cheias nos rios Tocantins e Itapecuru  ocorrem geralmente entre o final do verão e meados do outono. O que se observa neste início de ano é uma das maiores cheias para um mês de janeiro.

As chuvas foram muito volumosas nos últimos 30 dias, entre 200mm e 600mm sobre o Tocantins e o Maranhão, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Em Cantanhede(MA), por exemplo, choveu 88,5mm só nestes 8 dias do mês de janeiro, sendo o maior acumulado de chuva no período de 01/01 a 08/01 nos últimos 2 anos. 

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Acumulados de chuva dos últimos 30 dias, medidos às 09 horas do dia 08 de janeiro de 2022. Fonte:INMET

Essas precipitações extremas são causadas pelas atuações de corredores de umidade constantes na região. Foram na média sete (07) zonas de convergência do Atlântico Sul (ZCAS) desde o início da primavera de 2021. 

A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) ocorre durante a primavera e o verão, ou seja, está mais presente na monção de verão da América do Sul. A maior quantidade de ocorrência são em anos de La Niña, que é o resfriamento das águas da faixa equatorial leste do Oceano Pacífico

As fases 6 e 7 da Oscilação de Madden Jullian (MJO) também facilitam a ocorrência da ZCAS. A MJO é o deslocamento para leste de uma célula zonal de grande escala, termicamente direta, num período entre 20 e 60 dias, que causa variações na convecção tropical.

A instabilidade da MJO sempre começa na região do Oceano Índico. Desde o dia 8 de dezembro de 2021 observa-se que a MJO está parada na fase 7 e com forte intensidade. Nessa fase, a posição e a intensidade das circulações dos ventos na atmosfera, contando com a posição da alta pressão subtropical no Atlântico, favorecem o posicionamento e localizações dos corredores de umidade sobre o Brasil, além das correntes de jato de latitudes médias


Além disso, a temperatura da superfície do Oceano Atlântico está mais aquecida que o normal na altura do Espírito Santo e no Nordeste, e mais fria do que a média na altura de parte do Sudeste.

Esta diferença da temperatura da superfície do mar entre duas áreas é chamada de gradiente, e deixa as frentes frias estacionadas com mais frequência entre a costa do Rio De Janeiro, do Espírito Santo e a da Bahia, colaborando para a formação das ZCAS.

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 Anomalia da temperatura superficial do mar em 7 de janeiro de 2022. Fonte: NOAA

Previsão do tempo para os próximos dias no Brasil 

Até a semana que vem ainda teremos bastante chuva sobre o Sudeste, o Centro-Oeste, Norte e sobre os estados do Piauí, Maranhão e Bahia.  Até o dia 15 de dezembro, os acumulados devem variar entre 150 e 250mm, na média, mas em alguns locais podem chegar aos 300mm. 

O Triângulo Mineiro e o Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, receberão os maiores valores de precipitação no Brasil, que está em vermelho no mapa, só nos próximos 5 dias.  O estado de MG como um todo, como os estados RJ, GO, ES, MT, DF, TO, PA, além do oeste da BA, centro do PI e sul do MA, e do litoral do PR e de SP, também merecem atenção por conta dessas precipitações.

Tudo isso ainda pela influência do corredor de umidade que vem da Amazônia, e que é classificada como Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) até segunda-feira (10).

Já a partir de terça-feira, há mais convergência dos ventos em superfície e que forma ainda um corredor de umidade desde a região Norte do país até São Paulo. Por isso o estado paulista começará a receber mais chuva. As outras áreas do Sudeste vão continuar tendo chuva também. No início da semana que vem, as instabilidades do Mato Grosso do Sul ainda terão o reforço de uma área de baixa pressão atmosférica, que intensificará os temporais por lá e também causará volumes pontualmente elevados, como previsto também neste domingo.

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Acumulado de chuva previsto entre os dias 08/01 e 12/01/2022 no Brasil. Fonte: GFS (Global Forecast System). 
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Acumulado de chuva previsto entre os dias 13/01 e 17/01/2022 no Brasil. Fonte: GFS (Global Forecast System).

Fonte: Clima Tempo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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