Casos de dengue nas Américas triplicam e aumento pode ser impulsionado por mudanças climáticas

Segundo dados divulgados em dezembro, o Brasil concentrou 76% dos óbitos entre os casos de dengue registrados, número atribuído a condições climáticas que facilitam a expansão do mosquito e da contaminação

Um dado alarmante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – o braço da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas Américas –,  trouxe à tona um alerta sobre o número de casos de dengue no país. Segundo a OPAS, os registros de casos triplicaram em 2023 nas Américas, marcando o pior surto desde que os dados começaram a ser coletados na década de 1980.

Até o momento, já são 12,6 milhões de casos suspeitos de dengue em 2023 relatados por países das Américas, incluindo 21 mil casos graves. No ano passado, foram registrados 4,6 milhões de infectados, com 9.198 casos graves. Já neste ano, o vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, causou ao menos 7.700 mortes, número três vezes maior que o registrado em 2022.

Segundo os dados da organização, o Brasil concentra 10 milhões de todos os casos de dengue relatados e 76% dos óbitos citados, refletindo a gravidade da situação no país. Isso ocorre em grande parte devido às condições propícias criadas pelas mudanças climáticas, já que o aumento das temperaturas tem facilitado a expansão do mosquito transmissor. Assim, esse cenário permitiu a expansão geográfica da doença, atingindo regiões anteriormente menos afetadas.

Aumento dos casos de dengue nas Américas pode ser impulsionado por mudanças climáticas
Aumento dos casos de dengue nas Américas pode ser impulsionado por mudanças climáticas | Foto: Igud Supian/Pexels

Em relação à concentração de casos, a Argentina vem em seguida, com mais de 580 mil, e México, com mais de 500 mil.

Segundo Jarbas Barbosa, diretor da organização, em coletiva de imprensa, temperaturas mais altas, secas e enchentes são exemplos de situações extremas que favorecem o surgimento do mosquito Aedes aegypti e a propagação do vírus da dengue. Além disso, o rápido crescimento populacional, a urbanização desordenada e a falta de saneamento básico são fatores que intensificam a disseminação da doença, conforme destacou Barbosa.

Vacinas são eficazes, mas combate aos criadouros é essencial

As vacinas contra a dengue já foram introduzidas no Peru, Brasil e Argentina, e Honduras deve recebê-las no próximo ano, informou a OPAS. Entretanto, são destinadas principalmente a crianças e mostram maior eficácia em pessoas previamente infectadas.

“A dengue representa um risco maior do que o normal para as crianças. Em países como a Guatemala, 70% das mortes por dengue ocorreram em crianças”, afirmou Barbosa durante a coletiva, destacando que crianças menores de 15 anos representam mais de um terço dos casos graves em países como Costa Rica, México e Paraguai.

Apesar da importância da vacinação, Thais dos Santos, assessora da organização para doenças arbovirais, destaca que os suprimentos são limitados e seu impacto na transmissão não deve ser significativo. Por isso, medidas preventivas, como eliminar acúmulo de água para evitar potenciais criadouros do mosquito, aplicar repelente e estar atento a manutenção de piscinas e quintais continuam sendo cruciais. “Se não houver mosquito, não há dengue”, pontua.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

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