Bolsonaro volta a culpar “índios e caboclos” por queimadas na Amazônia e contesta críticas do Reino Unido

Em seu esforço para tornar o Brasil um “pária internacional”, Bolsonaro segue causando problemas e levantando questões que prejudicam ainda mais a imagem do país no exterior. Mesmo depois de três semanas desde a confirmação da vitória de Joe Biden nos EUA, ele trata a eleição norte-americana como um assunto pendente ainda não resolvido – tal qual seu ídolo, o derrotado Trump. O Valor mostrou as dificuldades que esse posicionamento está causando para o governo federal no diálogo bilateral com os EUA: no entorno de Bolsonaro, a vitória de Biden virou um “tabu”, o que distancia possíveis contatos entre a equipe de transição do novo governo de Washington e as autoridades brasileiras. Enquanto Bolsonaro não reconhecer a realidade, a diplomacia brasileira seguirá atada e amordaçada.

E no último domingo (29/11) o presidente voltou a espalhar desinformação para contestar críticas recente de autoridades e empresas do Reino Unido contra o desmatamento e as queimadas na Amazônia. Bolsonaro repetiu que é o “próprio índio ou caboclo que toca fogo” na floresta, minimizando a escalada recorde de focos de incêndio na Amazônia. Ele também afirmou que pretende “rebater com coragem” a tentativa do governo britânico de impor restrições à importação de produtos associados ao desmatamento ilegal brasileiro, e sugeriu que pode participar da próxima Conferência da ONU sobre o Clima (COP26), prevista para novembro de 2021 em Glasgow (Escócia).

Em tempo 1: No que foi o 1º diálogo oficial em quase um ano, Bolsonaro teve uma audiência virtual nesta 2ª feira (30/11) com o presidente da Argentina, Alberto Fernández. Desafetos políticos, os dois chefes de Estado usaram o encontro para tentar uma reaproximação diplomática entre os países, algo importante para o Brasil depois de se isolar politicamente na região nos últimos tempos. No entanto, nem tudo foram flores para Bolsonaro: em comunicado divulgado pela Casa Rosada, Fernández manifestou preocupação com a situação do meio ambiente no Brasil. Estadão deu mais detalhes sobre o encontro.

Em tempo 2: Vale a pena ler a coluna de Sergio Lamucci no Valor, na qual ele destrincha o cenário desolador da diplomacia brasileira sob Bolsonaro. O texto cita uma avaliação do cientista político Matias Spektor (FGV), que considera as condições atuais da política externa do Brasil como as mais deterioradas desde a redemocratização. Junto com os desgastes políticos causados pelo desgoverno ambiental, a retórica hiper-ideológica do presidente e de seu entorno joga mais cascas de banana no caminho do país.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A responsabilidade de defender o Amazonas

Há 47 anos, o CIEAM defende a indústria e...

Bolsonaro abriu espaço para o crime avançar na Amazônia, apontam pesquisas

Estudos relacionam políticas do governo Jair Bolsonaro ao avanço do crime organizado na Amazônia.

Idesam reforça prevenção e combate a incêndios em Apuí e Careiro Castanho

Idesam reforça brigadas de Apuí e Careiro Castanho com equipamentos para prevenir incêndios florestais e proteger comunidades no Amazonas.

Queimadas no Amazonas: Mais de 79% dos focos de outubro estão em imóveis rurais privados 

Queimadas no Amazonas: 79% dos focos estão em imóveis privados. Possível relação entre avanço do fogo e contexto eleitoral é investigada.

Multas por incêndios no Amazonas chegam a R$ 2 milhões em sete dias de operações

Incêndios no Amazonas levam a R$ 2 milhões em multas e embargo de 250 hectares. Ibama registra 19 autos de infração em sete dias.