Aumento do nível do mar por queima de combustíveis fósseis ameaça 13 dos maiores portos de petróleo do mundo

A exploração e uso contínuo dos combustíveis fósseis pode ter grande influência no aumento do nível do mar em no mínimo 1 metro, o que traria danos severos na operação dos portos

A soma das consequências ambientais trazidas pela queima de combustíveis fósseis construiu um ciclo prejudicial à própria atividade. Segundo um estudo realizado pelo International Cryosphere Climate Initiative (ICCI) e divulgado pelo The Guardian, os portos de petróleo mais estratégicos do mundo, fundamentais para a logística de superpetroleiros, enfrentam ameaças crescentes devido à elevação do nível do mar. Esse fenômeno, provocado justamente pela queima de combustíveis fósseis e suas contribuições para o aquecimento global, coloca em risco a infraestrutura portuária, podendo causar interrupções significativas no comércio global de petróleo e aumentar os custos operacionais e de manutenção dessas instalações críticas.

O estudo mostra que a elevação do nível do mar em apenas 1 metro teria consequências catastróficas para 13 dos maiores portos de petróleo do mundo, o que causaria danos severos às suas operações. O impacto seria especialmente crítico em Ras Tanura e Yanbu, na Arábia Saudita, responsáveis por 98% das exportações de petróleo do país. Em 2023, essas instalações movimentaram juntas aproximadamente $214 bilhões de dólares em exportações, destacando a gravidade dos riscos relacionados às mudanças climáticas para a infraestrutura global de energia.

“É irônico que esses portos de petroleiros estejam abaixo de 1 metro do nível do mar e precisem estar atentos a essas taxas potencialmente mais altas de elevação do nível do mar, que, por sua vez, resultam do uso contínuo de combustíveis fósseis”, comenta Pam Pearson, diretora do ICCI.

Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono
Em 2022, a queima de combustíveis fósseis e os processos industriais globais foram responsáveis por aproximadamente 90% das emissões de dióxido de carbono | Foto: wirestock/Freepik

A elevação do nível do mar já está causando problemas ao redor do mundo, mesmo antes de ultrapassar as estruturas costeiras. O aumento registrado até agora significa que as marés de tempestade estão mais altas e significativamente mais propensas a causar inundações costeiras, enquanto a infiltração de água salgada nas terras costeiras pode corroer fundações, observam os pesquisadores. Reduzir drasticamente as emissões não apenas desaceleraria a taxa de elevação do nível do mar, como também limitaria o aumento final.

“Continuar com a exploração de combustíveis fósseis é garantir a continuidade do aumento do nível do mar. O derretimento acelerado do gelo e a expansão dos oceanos já duplicaram a taxa de aumento nos últimos 30 anos”, destacou James Kirkham, principal conselheiro científico do ICCI.

Com a análise, os pesquisadores destacam a necessidade de uma escolha estratégica para os países: persistir na dependência de combustíveis fósseis, assumindo os riscos de interrupções no fornecimento de petróleo e danos irreversíveis aos portos estratégicos, ou investir na transição para fontes de energia renovável. A segunda opção não apenas asseguraria maior segurança energética, mas também ajudaria a mitigar as ameaças climáticas, representando um caminho sustentável e resiliente para o futuro.

Estudo inédito traça cenários para a transição energética justa e abandono gradual de exploração do petróleo e uso de fósseis
Estudo inédito traça cenários para a transição energética justa e abandono gradual de exploração do petróleo e uso de fósseis | Foto: Freepik
Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Quando a seca vira gargalo, a logística vira destino

A Amazônia já paga caro pela distância, pela dependência hidroviária e pela instabilidade histórica de investimentos estruturantes. Agora, paga também pela volatilidade climática. Ignorar essa soma é condenar a região à desvantagem permanente.

Milhões de espécies invisíveis: fatos e curiosidades sobre a biodiversidade amazônica

A biodiversidade amazônica abriga milhões de espécies ainda desconhecidas. Conheça fatos, curiosidades, riscos e o potencial oculto da floresta.

III Fórum ESG Amazônia: o ensaio geral do Acordo UE–Mercosul — e a chance de o PIM chegar primeiro

Há momentos em que um evento deixa de ser evento e vira instrumento com metodologia. A preparação do III Fórum ESG Amazônia, conduzida por CIEAM e Suframa, pode ser esse raro intervalo em que o Polo Industrial de Manaus decide fazer o que o Brasil costuma adiar: antecipar-se. E antecipar-se, agora, não é virtude abstrata. É estratégia de sobrevivência e de disputa.

O Acordo União Europeia–Mercosul e o novo mapa das exigências: o que muda na prática para a ZFM

O acordo União Europeia–Mercosul não inaugura apenas um novo corredor de oportunidades comerciais. Ele inaugura, sobretudo, um novo mapa de exigências — um conjunto de filtros técnicos, ambientais, reputacionais e regulatórios que passa a funcionar como “alfândega invisível” do século XXI. A Zona Franca de Manaus, que historicamente se construiu como solução nacional para um problema regional, precisa agora se preparar como solução regional para um problema global.