Atentos à reforma tributária

A Zona Franca de Manaus, embora com vigência na Constituição até 2073, com certeza será impactada negativamente pela reforma tributária, se não houver o devido cuidado na manutenção de estímulos fiscais que atraiam investimentos responsáveis pela industrialização e geração de empregos em toda a região e no Polo Industrial de Manaus, importante centro de produção que não pode ser inviabilizado.

Por Antônio Silva
_________________

O arcabouço fiscal que o Governo Federal pretende aprovar no Congresso é o primeiro passo da estratégia para recompor a governabilidade do país, fortemente atingido por duas grandes ondas da pandemia de Covid-19, que fragilizaram muito as contas públicas. O segundo passo é a aprovação de uma reforma tributária, que beneficie o desempenho econômico do País como um todo, criando um ambiente favorável aos negócios com geração de empregos e indução do crescimento e desenvolvimento socioeconômico.

O Congresso, prestes a discutir a matéria do arcabouço fiscal, tende aprová-la com prováveis melhorias apresentadas pelos parlamentares. A bancada do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá, por certo apoiarão a proposta do governo, se houver reciprocidade nas discursões da Reforma Tributária, para conseguir por meio de acordos a preservação e viabilidade do desenvolvimento e crescimento econômico da Amazônia Ocidental com o projeto Zona Franca de Manaus (ZFM).

Plenario do Congresso ruralistas scaled e1680295932226
Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

Somos todos favoráveis a uma reforma que objetive um sistema tributário mais simples e racional, que proporcione maior competitividade para a produção industrial brasileira. A visita que recebemos aqui, em Manaus, dos parlamentares que integram o Grupo de Trabalho para discussão da Reforma Tributária (GT/RT) foi muito importante porque deu-nos a oportunidade de trocar informações preciosas com o coordenador do grupo, deputado Reginaldo Lopes, economista, vice-líder do Governo no Congresso, bem como com o relator deputado Aguinaldo Ribeiro, administrador e engenheiro, ambos experientes parlamentares, que demonstraram interesse nos temas abordados nos encontros ocorridos em nossa capital.

A Zona Franca de Manaus, embora com vigência na Constituição até 2073, com certeza será impactada negativamente pela reforma tributária, se não houver o devido cuidado na manutenção de estímulos fiscais que atraiam investimentos responsáveis pela industrialização e geração de empregos em toda a região e no Polo Industrial de Manaus (PIM), importante centro de produção que não pode ser inviabilizado.

Zona Franca de Manaus indústria Abraciclo Duas rodas reforma tributária
foto: André Pessoa

É importante que se busque a neutralidade da reforma tributária, evitando prejuízos aos empreendimentos aqui instalados e preservando o nível de competitividade das empresas, além de manter o atrativo para a implantação de novas indústrias. É essencial a existência de incentivos fiscais que minimizem os entraves ao desenvolvimento socioeconômico, diminuindo custos e dinamizando negócios e investimentos que proporcionam empregos e melhor distribuição de renda, formando a partir daí uma base sólida para consolidar um projeto mais amplo de desenvolvimento regional, em uma área rica em recursos naturais de grande valor e variada biodiversidade, que devem ser explorados com critérios de preservação ambiental e viabilidade econômica de processo.

Embora os integrantes do GT/RT tenham demonstrado boa vontade com as nossas reivindicações, devemos permanecer atentos para intervir, auxiliando no que for preciso nossos parlamentares durantes as discursões no Congresso.

Antonio Silva esquerda

Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

Antônio Silva
Antônio Silva
Antônio Silva é administrador de empresas, empresário e presidente da Federação das Indústrias do estado do Amazonas e vice presidente da CNI.

Artigos Relacionados

A insensatez de incendiar a floresta que abastece o Brasil

Com a chuva gerada pela Amazônia avaliada em mais...

Desmatamento na Amazônia atinge menor nível em 41 anos, aponta MapBiomas

Desmatamento na Amazônia cai ao menor nível em 41 anos, com 693 mil hectares perdidos em 2025, aponta MapBiomas.

Incêndios no Amazonas: Abin entra na investigação para apurar suspeita de ação organizada

Ministro aponta suspeita de ação organizada nos incêndios no Amazonas. Força-tarefa abre 120 procedimentos para investigar possíveis crimes.

Promessa de Flávio Bolsonaro contra desmatamento contrasta com atuação no Senado

Flávio Bolsonaro promete zerar o desmatamento ilegal até 2029, mas apoiou e promoveu medidas que reduzem a proteção ambiental.

As miragens de Trump e a conta para o Brasil

"Os Estados Unidos acumulam uma década de superávits comerciais...