Apesar da grave e inédita crise hídrica da vazante, boa notícia é que, na gravidade histórica da vazante em 2023 na Amazônia - nunca dantes enfrentada desde que se instalou o Polo Industrial de Manaus há meio século - se deu a mobilização dos interessados. E isso têm gerado grandes descobertas, que precisam, urgentemente, ser recuperadas antes que a Mãe Natureza devolva as condições que a civilização predatória confiscou.
“Faz um ano que a população está sem espaços de diálogo com o poder público para debater medidas sobre a BR-319. Não se fala mais na criação dos portais de fiscalização, por exemplo. Não se fala mais na regularização fundiária, na gestão e proteção das unidades de conservação e terras indígenas, entre outras medidas mínimas para garantir as salvaguardas socioambientais. Precisamos ter um diálogo amplo e democrático com o poder público para dar andamento a questões importantes que podem resultar em soluções para problemas da rodovia” - Fernanda Meirelles, secretária executiva do Observatório BR-319
"Mesmo quando a rodovia estiver asfaltada, ainda assim haverá estiagem em Benjamin Constant, e a comunidade local de São Francisco, por exemplo, continuará a caminhar 1 Km para obter água, mesmo turva, e mesmo que estejamos em 2023. A BR-319 não é culpada."
“O Fórum de Logística do Amazonas pôs mais uma vez em pauta o gargalo da navegabilidade no esplendor de seu desafio. E o que se percebe a partir daí é uma inquietação coletiva e fecunda que assegura sempre os avanços possíveis na perspectiva do necessário.”
O debate sobre a eficácia do transporte fluvial no Amazonas reacende a problemática das chamadas "hidrovias" e da urgente necessidade de infraestrutura e navegabilidade adequada. Confrontados com os desafios das mudanças climáticas, falta de portos adequados e custos exorbitantes ligados à navegação, será que as hidrovias são realmente uma solução confiável? Confira no novo artigo de Augusto Rocha
… a melhor maneira de proteger um bem natural é atribuir-lhe uma finalidade econômica. Esse princípio está ligado a outra pergunta: é mais fácil combater o desmatamento com ou sem estrada recuperada?
A transição do sistema tributário brasileiro desloca o debate amazônico da defesa dos incentivos para uma questão mais ampla e mais difícil: qual projeto econômico, territorial e fiscal poderá sustentar o Amazonas nas próximas décadas