“Comece a fazer. Não entregue para outro. Comece melhorando a sua calçada, votando melhor, demandando de seus representantes, participando de seu condomínio. Entenda a razão de você se deixar ser tão sugado que não tem o menor interesse em fazer algo mais para a sua comunidade – seja ela qual for. Veja o que lhe acontece que, de uma hora para outra, decides que o melhor a fazer é não fazer nada. De onde vem esta inércia? Será medo de se transformar em vítima? Não sei. Mas precisamos mudar. O começo é aceitar que isso é um problema. Ou isso não é um problema?”
A mobilização das entidades do Amazonas para trazer os atores federais ao debate logístico merece ser reconhecida. Durante muito tempo, a navegação amazônica foi tratada em Brasília como uma facilidade concedida pela geografia: rios largos, extensos e aparentemente inesgotáveis dispensariam a disciplina de planejamento reservada às rodovias, ferrovias e portos. As secas de 2023 e 2024 expuseram o preço dessa ilusão. A presença recente do Ministério de Portos e Aeroportos, da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação e do DNIT abre uma oportunidade que a região não deve desperdiçar. Para aproveitá-la, será preciso qualificar o debate e distinguir uma obra necessária em certos pontos de uma política capaz de organizar todo o sistema.