As pautas da hora e a responsabilidade de acompanhar

Entre a implementaçãoda reforma tributária e as decisões sobre infraestrutura, o Amazonas precisa aproximar entidades, empresas, imprensa e instituições de pesquisa em torno dos compromissos que sustentam sua economia e podem ampliar/resgurdar  seus benefícios sociais.


Coluna Follow-Up

O período eleitoral concentra a atenção nas candidaturas, nas alianças e nas declarações que ocupam o noticiário. Para quem acompanha a economia do Amazonas, entretanto, há decisões de duração muito maior sendo discutidas nesse mesmo ambiente. Elas alcançam as condições de funcionamento da Zona Franca de Manaus, os investimentos em infraestrutura e a capacidade de transformar produção, conhecimento e biodiversidade em oportunidades para a população.

Essas pautas precisam ganhar espaço nas associações de classe, nas empresas, nas redações e nas instituições comprometidas com o desenvolvimento sustentável. A dispersão do debate dificulta perceber como uma alteração tributária, uma obra interrompida ou um investimento adiado podem repercutir sobre atividades aparentemente distantes entre si.

O empresário industrial acompanha seus custos e encomendas. O comerciante observa as vendas. O prestador de serviços procura antecipar a demanda. Nas famílias, a preocupação aparece na estabilidade do emprego e na possibilidade de planejar despesas. Há uma ligação entre essas experiências, formada pela circulação da renda, pelas compras entre empresas e pela confiança necessária para investir.

O Polo Industrial de Manaus participa dessa rede também fora do Amazonas. Suas relações com fornecedores, transportadores, distribuidores e serviços especializados alcançam São Paulo e outros estados. Conhecer melhor esses vínculos, com dados verificáveis e estudos atualizados, ajudaria o país a compreender o alcance econômico de decisões tomadas sobre a Zona Franca.

A defesa do programa ganha consistência quando consegue explicar essa interdependência, apresentar resultados e reconhecer os problemas que ainda precisam ser enfrentados.

A implementação da reforma tributária ocupa o centro dessa agenda. A Emenda Constitucional 132 estabeleceu a manutenção, em caráter geral, do diferencial competitivo da Zona Franca de Manaus. A aplicação dessa garantia envolve mecanismos tributários e procedimentos cuja eficácia precisa ser acompanhada pelas empresas e por suas representações.

Créditos, enquadramento de produtos, obrigações acessórias e regras de transição podem parecer assuntos restritos aos departamentos especializados. Seus efeitos, porém, chegam ao capital de giro, ao preço de venda e à decisão de ampliar uma fábrica. Uma dificuldade operacional persistente pode comprometer parte do resultado esperado de uma proteção legal.

capa artigo zfm amazonia futuro arte ia

Cabe às entidades reunir essas experiências, tê-las como leitura diária, identificar problemas comuns e encaminhá-los com documentação e propostas. A participação dos associados faz diferença justamente nesse ponto. Quem conhece a operação cotidiana tem condições de mostrar onde uma regra funciona, onde produz dúvida e onde impõe um custo que poderia ser evitado.

O mesmo acompanhamento precisa alcançar a infraestrutura. BR-319, portos, hidrovias, energia e conectividade integram as condições de funcionamento da economia e de atendimento à população. Na Amazônia, seu planejamento exige atenção às distâncias, ao regime dos rios, às chuvas e às exigências ambientais. A perda de um período adequado de execução pode prolongar o isolamento de comunidades e elevar o custo de uma obra.

Por isso, compromissos de continuidade devem vir acompanhados de informações sobre contratos, recursos, licenciamento, etapas e responsáveis. O debate público se torna mais útil quando permite distinguir um anúncio de uma contratação, uma previsão orçamentária de um desembolso e uma intervenção necessária de uma solução ainda carente de diagnóstico.

À imprensa cabe investigar essas diferenças e acompanhar seus desdobramentos. Há espaço para uma cobertura econômica que mostre como as decisões chegam à vida das pessoas, ouça trabalhadores e pequenos negócios e retorne aos compromissos depois que a repercussão inicial tenha passado.

Essa disposição para acompanhar também deve orientar a relação com as candidaturas à Presidência da República. Uma agenda comum, apresentada em igualdade de condições, permitiria solicitar manifestações sobre a proteção da Zona Franca, a execução da reforma tributária, a continuidade dos investimentos e o financiamento do desenvolvimento regional.

As respostas merecem registro público, comparação e posterior cobrança. As preferências políticas dos participantes podem conviver com compromissos institucionais compartilhados, desde que haja clareza sobre o que está sendo defendido e sobre os critérios de acompanhamento.

Há, ainda, uma responsabilidade interna nessa discussão. A defesa da economia sustentável precisa demonstrar como a atividade produtiva pode ampliar a qualificação profissional, aproximar empresas e universidades, incorporar fornecedores regionais e criar oportunidades no interior. Os recursos de pesquisa, desenvolvimento e inovação merecem ser avaliados também pelos problemas amazônicos que ajudam a resolver.

Saúde, educação, energia para comunidades isoladas, aproveitamento responsável da biodiversidade e formação tecnológica oferecem campos concretos para essa aproximação. A diversificação econômica depende de continuidade, capacidade técnica e instituições capazes de trabalhar juntas durante mais tempo do que dura um calendário eleitoral.

As entidades podem contribuir organizando uma agenda de acompanhamento acessível aos associados e à sociedade, com prioridades, interlocutores e atualização dos encaminhamentos. Empresas, pesquisadores e jornalistas teriam, assim, uma base comum para identificar avanços, registrar obstáculos e formular novas perguntas.

Nas próximas semanas, o Amazonas terá razões para discutir o que pretende preservar e o que precisa melhorar. O trabalho continuará depois das urnas, quando os compromissos assumidos começarem a encontrar as decisões administrativas, tributárias e orçamentárias que lhes darão consequência. É hora de comunhão, afinação dos instrumentos e divulgação das partituras essenciais da orquestra ZFM BRASIL AMAZÔNIA. 


A Coluna Follow-Up é publicada sob a responsabilidade do CIEAM às quartas, quintas e sextas-feiras, no Jornal do Comércio do Amazonas, com a coordenação editorial de Alfredo Lopes, portal brasilamazoniaagora.com.br

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

“O AMAZONAS espera que cada um cumpra o seu dever”

Parodiando o Almirante Barroso, frente à famosa Batalha de...

O debate fiscal visto da Amazônia 

“A dívida pública e o país que fica fora...

Petrobras registra 3ª descoberta de petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras registra terceira descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no poço Morpho, e conclui a perfuração na costa do Amapá.

Governo prevê rastrear máquinas para combater garimpo ilegal na Amazônia

Nova regra prevê rastrear máquinas para combater o garimpo ilegal na Amazônia, enquanto falhas no controle de combustíveis desafiam a fiscalização.

Indicado a secretário de Meio Ambiente do Pará tem autuação por desmatamento

Futuro secretário de Meio Ambiente do Pará foi multado em R$ 3,4 milhões por desmatamento e indiciado pela PF por dificultar fiscalização.