Aquecimento no Brasil pode chegar a 4,5 °C, alerta Paulo Artaxo na COP30

Um dos maiores cientistas climáticos do mundo, Paulo Artaxo trouxe projeções que indicam que o aquecimento médio no Brasil pode ultrapassar 4 °C, com efeitos mais intensos sobre ecossistemas tropicais, ciclos da água e populações vulneráveis. Diferença é semelhante a da última Era Glacial.

O Brasil pode enfrentar um aumento de temperatura entre 4 °C e 4,5 °C nas próximas décadas, alerta o físico Paulo Artaxo, da USP – um dos mais relevantes cientistas climáticos do mundo.

A estimativa, apresentada durante a COP30, em Belém, supera a média global prevista de 2,8 °C e reflete a vulnerabilidade de regiões tropicais e continentais à crise climática.

Para dimensionar esse cenário, vale lembrar que na última Era Glacial, há cerca de 20 mil anos, a temperatura média do planeta era de 4 a 5 graus abaixo da atual. “A melhor solução é atacar o problema pela raiz, fazendo uma transição energética justa e rápida e acabando com a exploração de combustíveis fósseis”, afirmou Artaxo, durante evento no estande da Finlândia, na Zona Azul da COP30.

Segundo o pesquisador, mesmo que o limite de 1,5 °C definido no Acordo de Paris esteja prestes a ser ultrapassado, seguir perseguindo essa meta ainda é essencial para minimizar impactos graves. Cada décimo de grau representa riscos maiores, como ondas de calor intensas, incêndios florestais frequentes, chuvas extremas e perdas desproporcionais para comunidades vulneráveis e povos tradicionais. Segundo Artaxo, o aquecimento no Brasil tende, portanto, a ser mais intenso do que a média global.

Fumaça de queimadas na floresta amazônica durante a estação seca, refletindo os impactos do aquecimento no Brasil.

Um dos maiores cientistas climáticos do mundo, Paulo Artaxo trouxe projeções que indicam que o aquecimento médio no Brasil pode ultrapassar 4 °C, com efeitos mais intensos sobre ecossistemas tropicais, ciclos da água e populações vulneráveis. Diferença de 4ºC é semelhante a da última Era Glacial.
Foto: Brasil2/Getty Images.

Artaxo é um dos signatários de uma declaração científica divulgada no recém-inaugurado Pavilhão de Ciências Planetárias da ONU, que pede urgência na tomada de decisões climáticas baseadas em evidências. Também assinam o documento os cientistas Thelma Krug, Marina Hirota e Carlos Nobre.

Entre os caminhos possíveis, o físico destaca técnicas de remoção de carbono já lançado na atmosfera, como a restauração ecológica em larga escala. No entanto, ele alerta que nenhuma tecnologia atual opera na escala e custo necessários. “Não vai ser possível plantar árvores suficientes na superfície da Terra para sequestrar CO₂ se continuarmos emitindo como hoje”, disse.

Como alternativa estrutural, Artaxo defende a criação de um roadmap global, um plano com metas e prazos para descarbonizar todos os setores da economia. Nos bastidores da COP30, o Brasil atua para formalizar esse roteiro de abandono dos fósseis, proposta que já conquistou apoio de diversos países.

O aquecimento no Brasil, reforça o pesquisador, exige medidas concretas e urgentes para evitar colapsos climáticos e socioeconômicos. A proposta de roadmap é vista como um passo necessário diante da escalada do aquecimento no Brasil e no restante do planeta.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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