Proteger a floresta em pé rende mais que plantar uma floresta nova, mostra estudo na Science

Pesquisa feita em mais de 3 milhões de hectares no Pará mostra que proteger a floresta de incêndios e da exploração madeireira é decisivo para preservar a biodiversidade.

Impedir que florestas amazônicas sejam degradadas traz mais benefícios à biodiversidade do que restaurar áreas já desmatadas de forma isolada. A conclusão é de um estudo publicado em 17 de setembro na revista Science, que comparou os resultados e os custos de diferentes estratégias de conservação.

Os pesquisadores analisaram as regiões de Santarém e Paragominas, no Pará, entre 2010 e 2020. Em uma área superior a 3 milhões de hectares, a análise combinou imagens de satélite, levantamentos de campo e modelos que incluíram 160 espécies de aves e 426 de árvores. Depois, os pesquisadores estimaram como a paisagem teria mudado caso fossem adotadas medidas para evitar desmatamento, impedir incêndios e exploração madeireira ou restaurar terras agrícolas.

Entre as medidas avaliadas, evitar danos nas florestas existentes apresentou o maior benefício para a biodiversidade. Essa estratégia teria evitado 68,5% das perdas estimadas no cenário de referência. Já impedir novas derrubadas teve o maior efeito sobre os estoques de carbono, prevenindo 60,8% das perdas projetadas.

Estratégias precisam atuar juntas

A restauração também trouxe benefícios, especialmente em propriedades onde resta pouca floresta. Aplicada sozinha em toda a área estudada, porém, compensou apenas 6,5% da perda estimada de biodiversidade e 14,7% da perda de carbono. Foi ainda a alternativa de maior custo.

Para proteger a floresta e recuperar o que já foi perdido, os autores defendem ações combinadas. Somente a prevenção conjunta do desmatamento e dos danos causados por fogo e extração de madeira produziu ganhos líquidos de biodiversidade e carbono na paisagem analisada. A inclusão da restauração ampliou esses resultados.

“Investir em novas florestas faz pouco sentido se, ao mesmo tempo, deixamos de proteger as existentes”, afirmou Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coautora do trabalho. A conclusão reforça que proteger a floresta exige olhar além da derrubada, já que uma área que continua de pé também pode perder espécies e carbono após incêndios ou exploração madeireira.

O estudo, liderado por Leonardo Miranda, da Universidade de Lancaster, indica que proteger a floresta deve ser prioridade onde ainda há vegetação conservada. Nas áreas muito desmatadas, a restauração ganha importância. Para os pesquisadores, proteger a floresta e recuperar áreas degradadas são medidas complementares, cuja aplicação depende das condições de cada território.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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