A anistia, o INSS e as mazelas da ideologia do ódio

Nesse cenário, a ideologia do ódio não apenas se manifesta em atos extremos de violência e vandalismo. Ela se infiltra nas engrenagens do Estado, como no escândalo recente do INSS, onde 1,5 milhão de aposentados e pensionistas, comprovadamente, já foram vítimas de descontos indevidos, resultantes de acordos entre o governo e associações obscuras que exploraram os mais vulneráveis. E o pior está por vir. A campeã das fraudes, a Ambec, que em 2020 tinha três associados, movimentou irregularmente R$ 231 milhões em 2024.

IDEOLOGIA DO ÓDIO
Idosos aguardando no INSS

Esses dados, revelados pela Controladoria-Geral da União (CGU), apontam que os acordos de cooperação com essas entidades foram firmados entre 2021 e 2022, durante o governo passado. E é justamente aí que a narrativa ideológica se arma novamente: cada lado da disputa tenta usar os fatos como munição para culpar o outro. O governo atual aponta os ex-ministros Onyx Lorenzoni e José Carlos Oliveira. A oposição acusa o Planalto de aparelhamento e conivência.

No meio disso, a verdade vira refém. A democracia, desfigurada. E o povo, sempre ele, é sacrificado no altar do cinismo.

Ideologias de odio o que educadores e educadoras preocupadas com o futuro podem fazer 1024x746 2

É nesse contexto que o conceito de anistia ganha nova camada de significado: não apenas como um perdão jurídico, mas como um projeto de impunidade. Uma forma de suspender a justiça em nome de interesses narrativos. Anistiar os vândalos de 8 de janeiro é tão perigoso quanto anistiar administrativamente os operadores de fraudes no INSS. Em ambos os casos, o que se busca é evitar a responsabilização, contornar o devido processo legal e manter as estruturas de poder intactas.

A ideologia do ódio, ao contrário do que muitos pensam, não se resume a discursos inflamados ou redes sociais tóxicas. O ódio é um modo de operar o Estado com desprezo pelo bem comum, transformando a máquina pública em instrumento de guerra simbólica. É a caverna de Platão em versão digital: sombras projetadas com algoritmos e palanques. Aparências transformadas em verdades. Fraude travestida de direito.

Mas não há reconciliação sem verdade. Nem democracia sem justiça. Anistiar o que destrói é permitir que se destrua de novo.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

Artigos Relacionados

O país que ainda não sabe quanto deve à Amazônia — Parte II

"Da borracha à Zona Franca, da biodiversidade ao clima,...

Dia da Amazônia: avanço contra o desmatamento não encerra crise no bioma 

A Amazônia registra menos alertas de desmatamento, mas secas, queimadas, atividades ilegais e novas fronteiras econômicas ampliam os riscos.

A nova fronteira de competitividade do Polo Industrial de Manaus

"A digitalização amplia a produtividade, integra cadeias produtivas e...

0,4% contra US$ 13,29 bilhões: para onde vai o dinheiro público na Amazônia

Estudo mostra que o investimento público na Amazônia favorece o agronegócio, enquanto o crédito socioambiental é negligenciado.