Amazônia e o imperativo da inovação

Temos orgulho de nossa colaboração com estes programas prioritários, eles sintetizam e sinalizam uma bússola que aponta caminhos em direção à floresta, seu conhecimento, sua proteção, seu fortalecimento e seus serviços ambientais para o Brasil e para o mundo. E mais, já temos um portfólio de instrumentos nanobiotecnológicos e de inovação que se integra e se entrega à criação de novas saídas econômicas, ecológicas e sustentáveis a partir da Amazônia, a Amazônia 4.0 para os amazônidas e a serviço do país.

Por Paulo Takeuchi
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Novos rumos, tendências e diversificação de oportunidades e atividades empreendedoras estão à espera de quem não espera a chuva passar ou a pandemia se dissipar em 2022. São as trilhas abertas do protagonismo de quem deseja e quer fazer história do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Existem pelos menos três programas de fomento a startups, instituições acadêmicas, organizações da sociedade para empreender, inovar, desenvolver e, necessariamente, proteger a floresta. Já temos memórias de resultados alvissareiros e de avanços que começam a atender um leque de demandas que são crescentes no plano de trabalho desenhado pela Suframa.

Aplausos à nossa agência indutora de novos negócios inovadoras e sustentáveis na Amazônia Ocidental e Amapá, a partir da Zona Franca de Manaus. Estamos exaltando os programas prioritários de Bioeconomia, Fomento do Empreendedorismo Inovador e Indústria 4.0 e a Modernização Industrial, uma boa notícia em tempos obscuros de pandemia que todos queremos anular.

Enquanto isso, caberia nomear essa iniciativa de programas de índio, no melhor e mais nobre sentido desta expressão. São ações que levam em conta a responsabilidade de empreender com inteligência e sustentabilidade no coração da maior floresta tropical do planeta. Por isso, suas especificidades traduzem o ambiente desejável de negócios a partir das vocações econômicas e ecológicas que eles priorizam. São imensuráveis os desafios que nos aguardam e que já começamos a enfrentar. Sempre soubemos disso desde que aqui chegamos com a clareza da obrigatoriedade de manter a floresta robusta, fincada nos próprios pés e generosa em seus serviços e lições.

Há um cenário ideal que pode ser chamado de utopia amazônica, um conjunto de intuições da grande tribo que recomenda qualificação das atuais e futuras gerações empreendedoras, o aproveitamento inteligente da diversidade biológica e a expansão inovadora que as tecnologias aqui produzidas já permitem.  Essas intuições perpassam cada um dos programas e seus vetores de atuação que contemplam um novo lugar com algumas premissas. O novo lugar, longe de remover a planta industrial aqui existente, está sendo construído a partir de sua atuação e performance como o maior acerto fiscal para redução das desigualdades regionais do Brasil: o Polo Industrial da Zona Franca de Manaus (ZFM).

Este acerto sobrevive teimoso e, apesar de tudo, viçoso em seus resultados na geração de empregos, oportunidades, avanços de qualificação fabril e tecnologia de ponta. E um de seus frutos mais recentes são os programas prioritários oferecidos pelas empresas e a serviço da comunidade amazônica, por isso a ZFM resiste e se fortalece, após mais de meio século de determinação e contribuições para o desenvolvimento regional sustentável. A palavra utopia – é importante anotar – aqui é conceituada como um lugar que ainda não está materializado no cotidiano, mas que é preciso, possível e necessário antecipar sua implantação.

Hoje o que existe e funciona é o Polo Industrial de Manaus, seus percalços infraestruturais e sua expertise em promover a evolução e inovação fabril. Os programas prioritários que resultam dessa jornada, suas expectativas e demandas para novos patamares de inovação, são alguns dos mecanismos que vão permitir nossa diversificação, e reafirmação desta identidade amazônica e de nossas prioridades de maior inserção socioambiental. Em outros palavras, os programas prioritários da Suframa e do Polo Industrial de Manaus configuram um acumulado de aprendizado de empresas com até cinco décadas de obstinação e conquistas.

Temos orgulho de nossa colaboração com estes programas prioritários, eles sintetizam e sinalizam uma bússola que aponta caminhos em direção à floresta, seu conhecimento, sua proteção, seu fortalecimento e seus serviços ambientais para o Brasil e para o mundo. E mais, já temos um portfólio de instrumentos nanobiotecnológicos e de inovação que se integra e se entrega à criação de novas saídas econômicas, ecológicas e sustentáveis a partir da Amazônia, a Amazônia 4.0 para os amazônidas e a serviço do país.

Paulo Takeuchi
Paulo Takeuchi é diretor-executivo da ABRACICLO.
Paulo Takeuchi
Paulo Takeuchi
Paulo Takeuchi é Diretor da FIEAM e Relações Institucionais – Moto Honda da Amazônia

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