Entre ameaças e baixarias, o Amazonas precisa defender a democracia

A ameaça de morte relatada pelo deputado federal Fausto Júnior reacende um problema que vem contaminando o ambiente político brasileiro muito além das divergências ideológicas. A escalada do ódio, da intimidação e da desumanização do adversário passou a ocupar espaços que deveriam ser reservados ao debate de ideias, à apresentação de propostas e ao confronto legítimo de projetos para a sociedade.  

Independentemente de posições políticas, simpatias eleitorais ou diferenças partidárias, qualquer ameaça, perseguição ou tentativa de silenciamento pela violência representa um ataque ao próprio ambiente democrático. O Amazonas já enfrentou momentos demais em que disputas públicas foram atravessadas por radicalismos, baixarias e métodos incompatíveis com a maturidade política que a população espera de seus representantes.

O processo eleitoral não pode se transformar numa arena de destruição moral ou de incentivo ao medo. O adversário não é inimigo. Divergência não pode ser licença para intimidação. E redes sociais não deveriam servir como combustível para campanhas de ódio, linchamentos virtuais ou estímulos indiretos à violência.

O debate político exige firmeza, crítica e até dureza argumentativa. Faz parte da democracia. O que não pode ser naturalizado é a lógica do “vale tudo”, em que reputações são esmagadas, famílias são expostas e ameaças passam a circular como se fossem parte do jogo.

O Amazonas possui desafios reais demais para desperdiçar energia pública em práticas subterrâneas. A população quer discutir segurança, emprego, saúde, infraestrutura, educação, desenvolvimento regional e perspectivas econômicas para o futuro do Estado. É nisso que uma campanha eleitoral séria deveria concentrar seus esforços.

A radicalização permanente produz um ambiente tóxico que afasta pessoas qualificadas da política, empobrece o debate público e amplia a sensação de insegurança institucional. Quando ameaças passam a ser toleradas ou relativizadas conforme a conveniência política de cada grupo, todos perdem.

O momento exige responsabilidade coletiva. Das lideranças políticas, das militâncias, das instituições, da imprensa e também dos eleitores. O Amazonas precisa dar exemplo de civilidade, equilíbrio e maturidade democrática.

Que as próximas disputas eleitorais sejam vencidas no campo das propostas, da capacidade de diálogo e da confiança popular. Sem intimidação. Sem violência. Sem jogo sujo. Porque a democracia só se fortalece quando o voto vale mais que o grito e quando a política consegue preservar algo que anda perigosamente escasso no país: o respeito.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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