Agricultura regenerativa no Cerrado pode transformar o agro brasileiro, aponta estudo

A agricultura regenerativa surge como uma resposta viável para tornar o agro mais sustentável, podendo gerar até US$ 100 bilhões em valor econômico e aumentar o PIB do Brasil em US$ 20 bilhões por ano até 2050

Entre 2019 e 2023, houve um aumento de 71% na conversão de terras do Cerrado para uso agrícola, números que destacam a necessidade urgente de práticas sustentáveis no bioma. Foi com o objetivo de avaliar esse cenário e pensar em soluções eficazes que o Boston Consulting Group (BCG), em parceria com o Ministério da Agricultura, o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), realizou o estudo “Cultivando a resiliência: um caminho viável para regenerar paisagens no Cerrado brasileiro”.

A pesquisa mostra que quase metade da área original do Cerrado já foi convertida, acentuando os efeitos de secas e queimadas. Nesse caso, a agricultura regenerativa surge como uma resposta viável, podendo gerar até US$ 100 bilhões em valor econômico e aumentar o PIB do Brasil em US$ 20 bilhões por ano até 2050. Além disso, esse modelo seria capaz de regenerar paisagens e fortalecer a resiliência climática da região.

Desmatamento do Cerrado na região da Chapada dos Guimarães.
Desmatamento do Cerrado na região da Chapada dos Guimarães | Foto: Ademir/Adobe Stock

“O estudo busca oferecer um ângulo para destravar capital de financiamento para essa técnica. Confrontamos o produtor a expandir a produção onde ele já opera, de maneira a frear novos locais de exploração”, defende Lucas Moino, sócio do BCG, em matéria do portal O Globo.

O que é a agricultura regenerativa?

Os fundamentos desse modelo estão centrados em práticas sustentáveis que promovem a saúde do solo e a resiliência dos ecossistemas agrícolas. Segundo definição do Embrapa, entre essas práticas estão a rotação de culturas, o controle da erosão para evitar o escorrimento superficial da água, o sistema de plantio direto, que mantém o solo coberto com palha ou vegetação viva e minimiza o revolvimento do solo e a semeadura em nível, ou seja, perpendicular à inclinação do terreno, para evitar a perda de solo e água. Essas técnicas contribuem para uma agricultura mais produtiva, resiliente e ambientalmente responsável.

Técnica de plantio direto, usada na agricultura regenerativa.
Técnica de plantio direto, usada na agricultura regenerativa | Foto: Paulo Kurtz/Embrapa

Potencial para a prática no Brasil

As práticas desse modelo de agricultura no Cerrado oferecem um modelo mais resiliente que alia produtividade à sustentabilidade. Segundo o levantamento, há 32,3 milhões de hectares com potencial para adoção dessas práticas: 23,7 milhões para recuperação de pastagens degradadas e 8,6 milhões para intensificação sustentável em áreas já cultivadas.

Além de benefícios econômicos, como o aumento da renda de até 400 mil agricultores, a iniciativa pode trazer ganhos ambientais e sociais expressivos, como redução de emissões de gases de efeito estufa, melhoria na saúde do solo, maior biodiversidade e eficiência no uso da água.

Ainda existem desafios, como a dificuldade em mudar a mentalidade dos produtores e encontrar financiamento para transição a um modelo mais sustentável. Entretanto, há muito potencial a ser explorado, segundo o estudo, para que o Cerrado se torne a primeira paisagem regenerativa do mundo, servindo de exemplo global.

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica destruição de equipamentos

Ibama viraliza com ações contra o garimpo ilegal e explica por que destrói dragas e outros equipamentos em operações.

Com apoio do Idesam, produtos da floresta movimentam R$ 18,2 milhões

Idesam apoia vendas de R$ 18,2 milhões em produtos sustentáveis e atua junto a mais de 5 mil famílias na Amazônia, aponta relatório de 2025.

Incêndio em Alter do Chão: o que se sabe sobre o fogo na APA de Santarém

Incêndio em Alter do Chão é controlado após mobilização de brigadistas e indígenas. Área protegida segue sob monitoramento para evitar novos focos.

Desmatamento na Amazônia pode levar à perda de remédios que a ciência ainda não descobriu 

Desmatamento na Amazônia ameaça US$ 22 bilhões em potencial de novos remédios derivados de plantas, aponta análise.

Data centers no Brasil: A conta da nuvem chega à água e à energia do país

Data centers no Brasil terão de cumprir metas de eficiência hídrica e usar energia renovável ou de baixa emissão para acessar incentivos do Redata.