Acusado de corrupção, cai Ricardo

Acabou a agonia. Nesta 4ª feira (23/6), após audiência com o presidente Jair Bolsonaro, Salles anunciou sua saída do governo. Salles cai pouco mais de um mês depois do primeiro inquérito contra ele ser aberto pelo Supremo Tribunal Federal, com base na Operação Akuanduba da Polícia Federal, aquela que investiga o envolvimento do ex-ministro do meio ambiente em um esquema de contrabando de madeira de origem ilegal. No começo do mês, Salles também foi alvo de um 2º inquérito no STF, aberto a partir da notícia-crime apresentada pelo ex-superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, na qual o ex-ministro é acusado de tentar interferir nas investigações sobre um carregamento suspeito de madeira.

Segundo a Veja, a decisão de exonerar Ricardo Salles nesta nesta quarta foi tomada por Bolsonaro a partir da informação “de que o caso do ministro agravaria a crise política que consome o Planalto desde a operação da Polícia Federal que cumpriu mandados contra o chefe do Meio Ambiente.” A revista informa que o governo teria sido alertado sobre uma leva de novas provas contra Salles enviada ao STF que poderiam contaminar Bolsonaro. E a coisa ainda pode piorar, já que o celular de Salles foi enviado aos EUA para quebra de senha.

Nas últimas semanas, Salles vinha se movimentando nos bastidores do governo para permanecer no ministério mesmo sob investigação. Entretanto, a pressão política dentro e fora do governo pela sua saída superou qualquer indisposição de Bolsonaro em se livrar de um de seus “queridinhos” da Esplanada. As investigações também atrapalharam os planos políticos de Salles, que ensaiava uma candidatura ao Congresso Nacional nas eleições de 2022.

Para o lugar de Salles, Bolsonaro nomeou Joaquim Álvaro Pereira Leite, secretário da Amazônia e Serviços Ecossistêmicos do MMA. Pereira Leite é próximo do ex-ministro e de seu círculo político e social: por 23 anos, ele serviu como conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB), entidade que apoiou a gestão Salles do começo ao fim. Considerando esse histórico, a mudança no MMA pode ser uma troca de seis por meia dúzia no que diz respeito à agenda antiambiental do governo Bolsonaro. O Metrópoles fez um perfil do novo ministro.A saída de Salles foi amplamente repercutida na imprensa, com manchetes nos CNN BrasilEstadãoFolhaG1MetrópolesO GloboPoder360UOLValor e Veja, entre outros. O Observatório do Clima e o WWF divulgaram notas sobre a demissão de Salles. As agências internacionais de notícias Reuters e AP divulgaram a notícia no exterior.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.

Para além de vinhos e queijos: a Amazônia no redesenho do comércio global

O Brasil deixa de ser apenas uma oportunidade conjuntural...