Abelhas sem ferrão impulsionam bioeconomia e preservam biodiversidade no Amazonas

A iniciativa local assegura que todo o resultado financeiro fique com os produtores, que aprendem a manejar as colônias, produzir e comercializar o mel das abelhas sem ferrão com autonomia

Na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas, um projeto de manejo sustentável com abelhas sem ferrão tem fortalecido a produção de mel e gerado renda extra para mais de 40 famílias da região. Desenvolvida pelo Instituto Mamirauá, a iniciativa combina conservação ambiental com desenvolvimento econômico local, fornecendo capacitação gratuita e orientações sobre práticas adequadas de manejo, formação de colônias e coleta segura do mel.

De acordo com o engenheiro agrônomo José Vitor, em entrevista ao Portal Amazônia, a meliponicultura é uma das atividades mais ecológicas da Amazônia, favorecendo tanto o meio ambiente quanto a autonomia financeira dos produtores. “Além de preservar o meio ambiente, os produtores conseguem gerar renda com a venda do mel”, afirma.

Produtores são orientados sobre práticas corretas de manejo das abelhas sem ferrão.
Produtores são orientados sobre práticas corretas de manejo das abelhas sem ferrão. — Foto: Severo Júnior/Rede Amazônica

A coleta de mel é realizada em caixas específicas que facilitam a multiplicação das espécies e garantem extração segura. Além de melhorar a renda, a iniciativa assegura que todo o resultado financeiro fique com os produtores, que aprendem a manejar as colônias, produzir e comercializar o mel com autonomia.

Em 2023, o Amazonas destacou-se na produção ao atingir cerca de 30 toneladas de mel, com destaque para os municípios de Barreirinha, Boa Vista do Ramos e Iranduba. A região do Médio Solimões, onde está a Reserva Mamirauá, merece atenção especial por sua incrível biodiversidade.

As abelhas-sem-ferrão podem ser peça chave para polinização do cacau de forma manual, forma valiosa de aumentar o cultivo da matéria-prima
As abelhas-sem-ferrão podem ser peça chave para polinização do cacau de forma manual, forma valiosa de aumentar o cultivo da matéria-prima | Foto: SINTROPEPE/WIKIMEDIA COMMONS

Isadora Noronha Pereira
Isadora Noronha Pereira
Jornalista e estudante de Publicidade com experiência em revista impressa e portais digitais. Atualmente, escreve notícias sobre temas diversos ligados ao meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento sustentável no Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

Hidrovias amazônicas: a hora de decidir melhor

Os limites da dragagem e os riscos das concessões convergem para a construção, antes das obras, de uma política de transportes economicamente viável, politicamente correta, socialmente justa e ambientalmente sustentável. A sugestão habitual e sempre nova é do amazonólogo Samuel Benchimol.

Mercadante e a oportunidade de financiar a inteligência da floresta

"O BNDES pode aproximar indústria, biodiversidade e formação científica...

A partir da Amazônia, o Brasil anda sobre duas rodas

“De Manaus sai quase toda a produção brasileira de...

A Zona Franca de Manaus entre a memória e a urna

“Depois dos ataques ao diferencial tributário e dos avanços...

Um milhão de caminhos começam em Manaus

“Ao superar 1 milhão de motocicletas emplacadas em apenas...