A encrenca sem resposta da energia nuclear: o que fazer com o lixo?

A recente decisão da União Europeia de rotular a energia nuclear como “verde” reacendeu as discussões sobre os riscos e benefícios da fonte desta energia. A nova taxonomia orientadora dos investimentos europeus, sinaliza que nem toda planta será “taxinomeada” sustentável. Em seu complemento com perguntas e respostas, a Comissão Europeia explica que é preciso que o país sede já tenha capacidade de neutralizar o lixo de baixa radiação e que se comprometa a dar um destino seguro e permanente para a parte do lixo que sai altamente radioativa.

Financial Times, conhecido por seu ambientalismo radical e militante, dedica uma longa matéria ao lixo radioativo. Para quem se interessar, ela fala das usinas francesas em operação, do longo trabalho de descomissionamento e da aposta do governo em um sítio geologicamente selecionado para depositar o lixo a 500 metros de profundidade. Mas deixa em aberto a pergunta se o encapsulamento e a própria formação geológica aguentam as centenas de milhares de anos necessários para o material deixar de ser perigoso. E lembra que mesmo os novos desenhos de reatores seguem gerando lixo altamente radioativo, talvez em menor quantidade, mas sem solução segura do que se fazer com ele.

Este lixo é empurrado para debaixo do tapete de quem defende a opção nuclear. Um professor da universidade de Munique abusa do sarcasmo em artigo do Project Syndicate, ao se referir aos que se opõem à fonte. Mas, no único trecho que menciona o lixo, mostra sua ignorância sobre o tema ao dizer que as novas varetas dos novos reatores podem ser reprocessadas. Como explica o FT, varetas só podem ser reprocessadas uma vez, após o segundo round elas viram lixo. O Valor traduziu o artigo.

Por aqui, os lixos das duas usinas de Angra seguem placidamente depositados nas piscinas dos próprios reatores.

Vale ler a matéria da Reuters sobre a polêmica na Califórnia sobre reativar duas nucleares para as quais a proprietária, a PG&E havia desistido de pedir a prorrogação das licenças de operação.

Para quem se interessar pela nova geração de minirreatores, a Bloomberg faz um rápido apanhado, mas dizendo que nem os norte-americanos, nem os europeus autorizaram suas plantas. Em novembro, a IAEA (Agência Internacional de Energia Atómica) relatava a existência de apenas 5 projetos em construção na Rússia, China e Argentina.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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