Brasil e Japão, lições de 120 anos de amizade

Nesta sexta-feira, as entidades da indústria, CIEAM e FIEAM, a Câmara Nipo-Brasileira e o Consulado do Japão em Manaus celebram os 120 anos da Amizade entre Brasil e Japão. O local escolhido foi uma escola pública, Escola Áurea Pinheiro Braga, num bairro de trabalhadores, a Compensa. Presente, o Centro da Indústria do Estado do Amazonas, numa linguagem direta às crianças e adolescentes, tratou de destacar algumas das grandes lições e benefícios para o país e para a Amazônia, resultantes desta amizade.  Representado por Ronaldo Mota, diretor executivo do CIEAM, seu presidente Wilson Périco, destacou que, desde os primeiros anos de escola, descobrimos o valor e a importância de uma boa amizade. “E por ser algo tão importante, podemos dizer que a amizade é um presente dos céus para aproximar as pessoas do Bem. Por isso, celebrar esta festa de 120 anos de amizade entre o Japão e o Brasil, podemos lembrar o bem e as lições desta história de dois grandes amigos. Vamos falar, especialmente, de três lições.

A lição de amor à Natureza.

Por toda a gravidade das ameaças do clima, as catástrofes naturais, o desequilíbrio decorrente do modelo predatório de progresso adotado por esta civilização, vamos primeiro lembrar do significado da Celebração das Cerejeiras na história do respeito, da amizade e da união com a natureza, a vida e o próximo que aprendemos dos irmãos japoneses quando celebram a florada das cerejeiras no Japão. Um momento sagrado que recomenda a reunião da humanidade com a natureza, com os nossos semelhantes e a nossa história, uma lição preciosa, emergencial, no mundo atual ameaçado pelas mudanças climáticas, pelas guerras e pelo egoísmo. Os samurais, os guerreiros japoneses, veneravam a flor de cerejeira, a beleza eterna da Natureza associada à efemeridade da existência humana. Daí o lema dos samurais: viver o presente sem medo. Existe coisa mais sábia e oportuna do que esta lição neste momento sombrio. A cerejeira fica pouco tempo florida, por isso suas flores representam a fragilidade da vida, cuja maior lição é aproveitar intensamente cada momento, pois o tempo passa rápido, a vida é curta, as oportunidades e a luta não podem ficar para depois.

A lição da resistência e da luta

Há 60 anos a bomba atômica inventada pela estupidez humana destruiu duas cidades históricas do Japão. Hiroshima e Nagasaki. O povo japonês não ficou intimidado. Eles não fugiram da luta pela vida, muito pelo contrário. Se uniram, e se tornaram uma das nações mais prósperas do planeta, mais unidas e determinadas. Hoje, muitos países escolhem o caminho da guerra em nome da paz. Uma insanidade sem tamanho, pois o que gera paz e estabilidade não é o armamentismo e a ostentação de força, mas a conciliação e a prosperidade. Essa deveria ser a lição dos monstruosos horrores da Segunda Guerra Mundial, não só para o Japão, enquanto vítima e pretexto americano para impor-se ao mundo, mas também para os demais protagonistas políticos e militares da região. União, amizade, dar-se as mãos são lições eternas e necessárias que emanam da celebração piedosa dos 60 anos de Hiroshima e Nagasaki. Bomba atômica nunca mais!!!

As fibras da Amizade

O Ciclo da Borracha na Amazônia produziu muita riqueza e ajudou a sustentar o Brasil por três décadas. Os historiadores afirmam que, neste período, a Amazônia contribuiu com 45% do Produto Interno Bruto, toda a riqueza gerada por um país. Quando acabou, restou por toda a floresta a angústia do abandono, das penúrias e da pobreza. Foi quando os japoneses vieram para a Amazônia e trouxeram as fibras vegetais da amizade, com a juta e a malva, gerando uma riqueza importante para nossa gente. Durante muitos anos, antes da implantação do modelo Zona Franca de Manaus, os japoneses contribuíram decisivamente para disseminar uma cultura de fibras naturais e promoção social, gerando esperança e conquista de dias melhores.  Depois vieram as fibras da dedicação e talento humano com os investimentos das empresas japonesas no polo industrial de Manaus. Ainda hoje, as empresas permanecem apostando na Amazônia, a despeito das dificuldades e instabilidade que este modelo representa. Assim, com uma presença de colaboração e fraternidade tem sido construída e consolidada uma bela trajetória de união entre o Brasil e o Japão, uma história de amizade, crescimento e benefícios para todos. Vida longa à solidariedade universal e parabéns ao Brasil e ao Japão por esta edificação fraterna e exemplar. Muito Obrigado, Arigatô!!!”

Esta Coluna é publicada às quartas, quintas e sextas-feiras, de responsabilidade do CIEAM. 
Editor responsável: Alfredo MR Lopes. [email protected]
Alfredo Lopes
Alfredo Lopes
Alfredo é filósofo, escritor e editor-geral do portal Brasil Amazônia Agora

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