Conheça as propostas dos candidatos ao governo do Amazonas 2026

Conheça os planos dos candidatos ao governo do Amazonas 2026 para bioeconomia, desmatamento, adaptação climática, povos indígenas e desenvolvimento sustentável. 

A disputa pelo Governo do Amazonas ocorre em um estado estratégico para o futuro da Amazônia. Com o maior eleitorado indígena do país e cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, o estado enfrenta o desafio de conciliar proteção florestal, direitos socioterritoriais e desenvolvimento econômico.

A pesquisa Quaest mais recente, encomendada pela Rede Amazônica, mostra o senador e ex-governador Omar Aziz (PSD) na liderança, com 26% das intenções de voto. Roberto Cidade (União Brasil) tem 18%, Professora Maria do Carmo (PL), 16%, e David Almeida (Avante), 15%. Considerada a margem de erro de três pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados na disputa pela segunda posição.

Completam a corrida Cabo Daciolo (Mobiliza), com 2%, Isael Munduruku (Rede), com 1%, e Gilberto Vasconcelos (PSTU), com 0%. A eleição também ocorre após uma mudança recente no Executivo estadual. Roberto Cidade assumiu o governo após as renúncias de Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza para concorrer ao Senado. Em maio, foi eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa para concluir o mandato até janeiro de 2027 e agora tenta permanecer no cargo pelo voto direto. 

A reportagem compara os planos registrados no TSE pelos quatro candidatos mais bem posicionados, com foco em bioeconomia, transição energética, desmatamento, povos originários e adaptação climática. Confira as principais propostas.

Omar Aziz (PSD)

Omar Aziz (PSD) é senador pelo Amazonas e governou o estado entre 2010 e 2014, após exercer dois mandatos como vice-governador. Sua trajetória política também inclui passagens pela Câmara Municipal de Manaus e pela Assembleia Legislativa do Amazonas. Em âmbito nacional, ganhou projeção ao presidir a CPI da Covid no Senado, em 2021. Em 2026, tenta voltar ao governo estadual ao lado da candidata a vice Alessandra Campêlo, deputada estadual pelo PSD. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Crédito e financiamento: Prevê a criação do Fundo Estadual de Crédito Verde para financiar empreendedores da floresta, cooperativas e projetos sustentáveis.
  • Cadeias produtivas: Estabelece diretrizes para expandir as cadeias de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, além da fruticultura, aquicultura e piscicultura.
  • Rastreabilidade e certificação: Propõe a criação do Sistema Estadual de Rastreabilidade e Certificação para produtos da sociobiodiversidade.
  • Legislação e serviços ambientais: Prevê atualizar a legislação estadual sobre bioeconomia e serviços ambientais, incluindo mecanismos de REDD+ e Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
  • ICMS Ecológico: Propõe ampliar e operacionalizar o ICMS Ecológico, também chamado de ICMS Verde, nos 62 municípios do Amazonas.
  • Zona Franca de Manaus e fundos ambientais: Busca aproveitar os incentivos fiscais da ZFM para atrair bioindústrias, além de captar recursos de fundos nacionais e internacionais, como o Fundo Amazônia.
  • Articulação federal: Alinha as ações estaduais às políticas federais de transformação ecológica e combate ao desmatamento.

Transição energética

  • Fontes renováveis no interior: Prevê expandir o uso da energia solar e de outras fontes alternativas em comunidades isoladas, com o objetivo de reduzir a dependência de geradores movidos a diesel.
  • Descarbonização e logística: Propõe monitorar emissões, criar corredores logísticos verdes e incentivar atividades industriais de baixo carbono.

Desmatamento e queimadas

  • Integração com o PPCDAm e monitoramento: Articula as ações estaduais ao plano federal de combate ao desmatamento e prevê o uso de satélites, drones e dados dos sistemas Prodes e Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), para fortalecer a fiscalização.
  • Salas de monitoramento e planos municipais: Defende a criação de salas regionais de monitoramento ambiental e a elaboração de planos de prevenção e combate às queimadas específicos para cada município. 
  • Zoneamento e áreas protegidas: Prevê implementar o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), criar corredores ecológicos, ampliar as unidades de conservação de uso sustentável e recuperar Áreas de Preservação Permanente (APPs) degradadas.

Povos originários e comunidades tradicionais

  • Gestão territorial: Inclui apoio técnico e financeiro aos Planos de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PGTAs).
  • Fomento e conhecimentos tradicionais: Propõe apoiar o etnodesenvolvimento, facilitar o acesso ao crédito, ampliar as compras institucionais de produtos tradicionais e valorizar os conhecimentos locais.
  • Competências institucionais: Reconhece que a demarcação de terras indígenas é uma atribuição constitucional da União. Ao governo estadual caberia apoiar a gestão e a proteção territorial, além de manter o diálogo com os povos indígenas, em conformidade com a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Adaptação climática

  • Política climática: Prevê atualizar a Política e o Plano Estadual sobre Mudanças Climáticas, elaborar inventários anuais de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e mapear áreas vulneráveis a cheias, secas e ondas de calor.
  • Resiliência hídrica: Inclui a criação do Programa de Resiliência Hídrica, com medidas para armazenar e distribuir água potável em situações emergenciais.
  • Planos de contingência: Propõe medidas para garantir a continuidade do atendimento social e dos serviços de saúde durante eventos climáticos extremos.
  • Infraestrutura para municípios isolados: Prioriza investimentos em infraestrutura logística e aeroportuária para assegurar o abastecimento de localidades que podem ficar isoladas durante vazantes extremas.

Resumo

Dividido em nove volumes, o plano de Omar Aziz é o mais extenso e detalhado entre os quatro analisados. O plano de Omar Aziz combina integração com políticas ambientais federais, fortalecimento da bioeconomia e ampliação da capacidade estadual de enfrentar eventos climáticos extremos. Na área econômica, articula crédito verde, ICMS Ecológico, mercado de carbono e agregação de valor às cadeias da sociobiodiversidade.

Na transição energética, propõe ampliar fontes renováveis em comunidades isoladas para reduzir o uso de diesel. O documento também prevê monitoramento do desmatamento, apoio à gestão de terras indígenas e medidas de resiliência hídrica e logística para secas e cheias. 

Roberto Cidade (União Brasil)

Roberto Cidade (União Brasil) é o atual governador do Amazonas. Eleito deputado estadual em 2018 e reeleito em 2022, presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) antes de assumir interinamente o governo estadual, em abril de 2026, após a renúncia do governador Wilson Lima. Em maio, foi eleito pelos deputados estaduais para concluir o mandato até janeiro de 2027. Sua chapa tem como candidato a vice o atual vice-governador Serafim Corrêa (PSB), ex-prefeito de Manaus, ex-deputado estadual, economista, advogado e auditor fiscal. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Polos regionais de bioeconomia: Propõe criar polos voltados ao processamento e à comercialização de açaí, castanha, óleos vegetais, cosméticos, fitoterápicos e alimentos regionais.
  • Agregação de valor: Prevê estimular o beneficiamento das matérias-primas no próprio estado, buscando ampliar a geração de emprego e renda.
  • Agricultura familiar: Inclui assistência técnica, acesso a crédito, melhoria da infraestrutura produtiva e apoio à comercialização.
  • Pesca e aquicultura: Propõe fortalecer a cadeia do pescado, a piscicultura e a pesca artesanal.
  • Manejo florestal e extrativismo: Associa a conservação da floresta à geração de renda por meio do manejo sustentável e do aproveitamento econômico de produtos da sociobiodiversidade.
  • Turismo de base comunitária: Prevê fomentar atividades turísticas conduzidas pelas próprias comunidades, vinculadas à natureza e à cultura local.
  • Indústria de baixo carbono: Defende atrair empreendimentos considerados sustentáveis e estimular processos industriais com menor intensidade de emissões.

Transição energética

  • Gás natural como combustível de transição: Propõe ampliar a rede de distribuição para 375 quilômetros e substituir gradualmente o diesel pelo gás natural na indústria e nos sistemas de geração de energia do interior.
  • Lacuna nas fontes renováveis: Propõe incentivar indústrias de menor emissão, mas não estabelece metas para ampliar o uso de fontes renováveis, como energia solar e biomassa. 
  • Mineração estratégica: Apoia a exploração de potássio em Autazes e de terras raras em Apuí, condicionada ao licenciamento ambiental e ao respeito às comunidades afetadas.

Desmatamento e queimadas

  • Manejo e Prevenção: O plano de governo associa a conservação da floresta ao apoio a cadeias produtivas sustentáveis, manejo florestal, extrativismo e bioeconomia.
  • Metas e Estrutura Sancionatória: O documento foca nas ações de Defesa Civil e resposta humanitária, não estabelecendo metas percentuais expressas para a redução do desmatamento ou das queimadas, nem detalhando novos mecanismos de fiscalização e autuação de crimes ambientais.

Povos originários e comunidades tradicionais

  • Produção comunitária: Prevê apoio a atividades como pesca artesanal, extrativismo, manejo florestal e turismo de base comunitária.
  • Mineração e comunidades: Afirma que os projetos de exploração mineral deverão cumprir o licenciamento ambiental e respeitar as populações dos territórios afetados.
  • Lacunas do plano: O documento não apresenta uma política estadual específica de proteção territorial nem detalha mecanismos de consulta livre, prévia e informada ou de participação indígena na tomada de decisões.

Adaptação climática

  • Plano Permanente e Defesa Civil: O programa de governo prevê a estruturação do Plano Permanente de Enfrentamento às Cheias e Estiagens, com fortalecimento da Defesa Civil, sistemas de monitoramento e alerta climático.
  • Logística Humanitária e Infraestrutura: Contempla ações de socorro para distribuição de água potável, alimentos e medicamentos durante secas e cheias severas, além da adaptação de estradas, unidades de saúde e serviços essenciais nos municípios atingidos.
  • Acesso à Água: O programa de governo propõe a universalização gradual da água tratada por meio de poços, sistemas simplificados e soluções adaptadas a comunidades ribeirinhas.

Resumo

O plano de Roberto Cidade combina continuidade administrativa, expansão da infraestrutura e resposta a eventos climáticos extremos. Na área econômica, articula polos de bioeconomia e apoio à produção comunitária com o aproveitamento de gás natural e minerais estratégicos, como potássio e terras raras.

A transição energética é compreendida principalmente pela substituição do diesel pelo gás natural e não por uma mudança mais ampla em direção às fontes renováveis. Na adaptação climática, o documento apresenta medidas de monitoramento, alerta e logística humanitária. Contudo, estabelece poucas metas mensuráveis para reduzir o desmatamento e as queimadas e não detalha instrumentos de proteção territorial ou participação dos povos indígenas nas decisões sobre projetos que possam afetá-los.

Professora Maria do Carmo (PL)

Maria do Carmo Seffair (PL) é empresária, educadora e gestora de instituições privadas de ensino no Amazonas. Após concorrer como suplente ao Senado em 2022 e a vice-prefeita de Manaus em 2024, disputa pela primeira vez o governo estadual. Seu vice é o coronel Aníbal Gomes (PL), coronel do Corpo de Bombeiros, ex-secretário executivo e ex-subsecretário da Defesa Civil de Manaus. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Agregação de valor: Propõe atrair empresas para processar matérias-primas amazônicas dentro do próprio estado, com o objetivo de ampliar a industrialização e a geração local de emprego e renda.
  • Mercado de carbono: Defende a participação do Amazonas no mercado de créditos de carbono e em mecanismos de remuneração pela conservação da floresta.
  • Patentes e inovação: Prevê estimular o registro de patentes e a proteção de produtos, tecnologias e conhecimentos associados à biodiversidade amazônica.
  • Rastreabilidade e certificação: Propõe ampliar a rastreabilidade e a certificação de produtos amazônicos para facilitar o acesso a mercados nacionais e internacionais.
  • Produção rural, pesqueira e aquícola: Inclui assistência técnica e apoio à produção agropecuária, à pesca e à aquicultura.

Transição energética

  • Ausência de uma política específica: O plano não estabelece um capítulo autônomo voltado à transição energética estadual, nem metas numéricas expressas para a substituição de combustíveis fósseis ou desativação de geradores a diesel no interior. 

Desmatamento e queimadas

  • Monitoramento tecnológico: Propõe utilizar satélites, drones e análise de dados para identificar áreas de desmatamento, queimadas e outras infrações ambientais.
  • Segurança e inteligência: Prevê integrar órgãos ambientais e de segurança pública no combate ao desmatamento ilegal, ao garimpo e às organizações criminosas que atuam na floresta.
  • Combate aos incêndios: Inclui o aparelhamento do Corpo de Bombeiros, o fortalecimento das brigadas e a ampliação de aceiros em propriedades rurais.
  • Zoneamento e áreas protegidas: Propõe revisar o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) e as unidades de conservação estaduais, sem detalhar os critérios que orientariam essas revisões.
  • Regularização ambiental: Apresenta a análise do CAR como um dos principais instrumentos para promover a adequação ambiental das propriedades rurais e evitar irregularidades e embargos.
  • Agronegócio sustentável: Associa a regularização das propriedades à expansão da produção rural considerada ambientalmente regular.
  • Licenciamento: Propõe adequar os ritos estaduais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, com matriz de risco e ritos simplificados para atividades de menor impacto. 

Povos originários e comunidades tradicionais

  • Educação escolar indígena: Prevê fortalecer a educação indígena, considerando as especificidades culturais e linguísticas das comunidades.
  • Saúde intercultural: Propõe ampliar a formação de profissionais para o atendimento intercultural de povos indígenas.
  • Proteção social: Inclui ações de assistência e proteção social destinadas a povos indígenas e comunidades tradicionais.
  • Lacunas do plano: Embora mencione essas populações nas áreas de educação, saúde e assistência social, o documento não detalha políticas de proteção territorial, consulta livre, prévia e informada ou etnodesenvolvimento.

Adaptação climática

  • Estrutura Geral: O plano não apresenta um eixo unificado sob o título formal de “Plano Estadual de Adaptação Climática”, mas reúne ações setoriais correlatas.
  • Orlas Fluviais e Erosão: Traz propostas de recuperação de orlas degradadas ou atingidas por erosão (terras caídas) nas sedes municipais.
  • Saneamento e Resíduos: Propõe a ampliação do acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto, encerramento de lixões, formação de consórcios regionais e logística reversa/reciclagem.

Resumo

O plano de Maria do Carmo associa o desenvolvimento sustentável à regularização fundiária e ambiental, à segurança jurídica do setor produtivo e ao uso de tecnologias de monitoramento. Na bioeconomia, prioriza o mercado de carbono, a certificação, as patentes e a instalação de empresas capazes de processar matérias-primas amazônicas no estado. O combate aos crimes ambientais é abordado principalmente pela perspectiva da inteligência e da segurança pública.

Embora apresente medidas relacionadas a saneamento, erosão, incêndios e proteção social, o documento não estrutura uma política abrangente de transição energética ou adaptação climática. Também dedica menos espaço a instrumentos específicos de proteção territorial e participação de povos indígenas e comunidades tradicionais.

David Almeida (Avante)

David Almeida (Avante) foi deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, governador interino em 2017 e prefeito de Manaus entre 2021 e 2026. Reeleito em 2024, renunciou ao cargo para disputar o governo estadual. Sua vice é a médica e economista Shádia Fraxe (Avante), ex-secretária municipal de Saúde de Manaus. 

Bioeconomia e desenvolvimento sustentável

  • Cadeias da Sociobiodiversidade e Beneficiamento: Prevê o fortalecimento das cadeias de castanha, açaí, cacau, guaraná, borracha, andiroba, copaíba, buriti, piaçava, mel, óleos vegetais e sementes, incluindo a implantação de unidades comunitárias de processamento no interior.
  • Crédito, Subvenção e Cooperativismo: Contempla o fortalecimento da subvenção aos produtos da sociobiodiversidade e linhas de financiamento como o Crédito do Empreendedor via AFEAM/FMPES.
  • Selo de Origem e Compras Públicas: Propõe a criação do selo de certificação “Origem do Amazonas” para inserção em mercados internacionais e a ampliação das compras institucionais de alimentos da agricultura familiar e comunidades tradicionais.
  • Agroecologia e Manejo Sustentável: Estimula a transição agroecológica, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) e o manejo sustentável de pirarucu, jacaré e quelônios.
  • Turismo Sustentável e Saneamento: Estrutura o Plano Estadual de Desenvolvimento do Turismo e o programa Trata Bem Amazonas, com foco em água potável, tratamento de esgoto e recuperação de igarapés.

Transição energética

  • Gás Natural de Urucu: A principal proposta para a geração de energia no interior é utilizar o gás natural de Urucu em substituição às termelétricas movidas a diesel. Além disso, o programa também defende o uso de novas reservas da Bacia do Amazonas para substituir termelétricas a diesel no interior. 
  • Eficiência energética: Prevê estimular a redução do consumo e a adoção de equipamentos mais eficientes nos setores público e privado.
  • Biocombustíveis e tecnologias limpas: Propõe incentivar soluções de menor impacto ambiental, embora não estabeleça metas específicas para sua participação na matriz estadual.
  • Compras públicas verdes: Inclui critérios ambientais nas contratações e aquisições realizadas pela administração estadual.
  • Limites da proposta: Apesar de abordar eficiência e tecnologias limpas, o plano concentra a substituição do diesel no gás natural, uma fonte fóssil.

Desmatamento e queimadas

  • Política estadual: Propõe instituir uma política de prevenção e combate ao desmatamento e às queimadas.
  • Monitoramento tecnológico: Prevê utilizar inteligência artificial, análise de dados e outras ferramentas tecnológicas para identificar ilícitos ambientais.
  • Fiscalização: Inclui o fortalecimento das ações de controle e responsabilização por desmatamento e uso irregular do fogo.
  • Educação ambiental: Propõe campanhas educativas e ações de conscientização voltadas a produtores, comunidades e escolas.
  • Controle social: Prevê ampliar a participação da sociedade no acompanhamento das políticas de proteção florestal.
  • Zoneamento: Inclui a implementação do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) como instrumento para ordenar as atividades produtivas.
  • Mercado de carbono: Propõe acelerar projetos de geração de créditos de carbono em unidades de conservação.

Povos originários e comunidades tradicionais

  • Programa Raiz: Reúne ações de promoção de direitos, valorização cultural, combate à discriminação e mediação de conflitos territoriais envolvendo povos indígenas e comunidades tradicionais.
  • Produção tradicional: Inclui essas populações em programas de agricultura familiar, agroextrativismo, cooperativismo, compras públicas e distribuição de kits produtivos.
  • Exploração mineral: O programa Minera Amazonas propõe delimitar Zonas de Interesse Mineral fora de unidades de conservação e terras indígenas homologadas.
  • Lacunas territoriais: O plano não detalha mecanismos de consulta prévia nem medidas para proteger terras indígenas ainda não homologadas e outros territórios tradicionalmente ocupados.

Adaptação climática

  • Plano Estadual de Adaptação: Propõe elaborar uma política específica para preparar o Amazonas para os impactos das mudanças climáticas.
  • Gestão de riscos: Prevê mapear áreas vulneráveis e estruturar medidas de prevenção e resposta a secas, cheias, deslizamentos, erosão e outros eventos extremos.
  • Segurança hídrica: Inclui ações para garantir o abastecimento de água durante estiagens prolongadas.
  • Segurança alimentar: Propõe proteger a produção e o acesso a alimentos diante de secas, cheias e interrupções logísticas.
  • Soluções baseadas na natureza: Prevê utilizar a recuperação de ecossistemas, a vegetação urbana e a proteção de áreas naturais para reduzir riscos climáticos.
  • Transporte hidroviário: Inclui planos de contingência para manter a circulação de pessoas e mercadorias durante vazantes extremas.
  • Saneamento e infraestrutura urbana: Propõe ampliar o tratamento de esgoto, recuperar igarapés e melhorar a drenagem e a infraestrutura de cidades vulneráveis a alagamentos.
  • Apoio aos municípios: Prevê assistência técnica para que as prefeituras criem fundos, conselhos, planos e estruturas próprias de gestão ambiental e climática.

Resumo

O plano de David Almeida adota uma abordagem municipalista, baseada na ampliação para todo o estado de políticas e modelos administrativos desenvolvidos em Manaus. A proposta combina investimentos em saneamento, infraestrutura urbana, produção agropecuária e cadeias da sociobiodiversidade, com apoio técnico para fortalecer a gestão ambiental dos municípios.

Na transição energética, o gás natural de Urucu é apresentado como principal alternativa ao diesel, enquanto fontes renováveis aparecem de forma menos detalhada. O documento propõe um Plano Estadual de Adaptação e apresenta medidas para segurança hídrica, alimentar e logística. Apesar de prever fiscalização tecnológica contra o desmatamento, não estabelece metas quantitativas de redução. Para povos indígenas e comunidades tradicionais, concentra-se em proteção social e mediação de conflitos, mas não define mecanismos claros de consulta prévia e proteção territorial.

Fora do grupo dos quatro candidatos mais bem posicionados, Isael Munduruku (Federação PSOL-Rede) é o único candidato indígena na disputa. Seu plano, “Amazonas Vivo, Justo e Forte”, coloca povos indígenas e comunidades tradicionais no centro das políticas estaduais, com propostas de proteção territorial, consulta prévia e criação da Secretaria Estadual dos Povos Indígenas.

Na área socioambiental, defende desmatamento zero com metas anuais, brigadas comunitárias contra incêndios, pagamento por serviços ambientais e repartição justa dos benefícios da sociobiodiversidade. Também propõe substituir progressivamente o diesel por energia solar e restringir incentivos à expansão de petróleo e gás sem avaliação climática e territorial. O plano se diferencia por condicionar o desenvolvimento à proteção da floresta, à autonomia comunitária e aos direitos territoriais. 

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

Artigos Relacionados

O desafio e os benefícios da escuta

“Escutar é abrir caminho para que a experiência do...

ZFM: a reinvenção do modelo pela diversificação produtiva

Com indústria, infraestrutura, ciência e biodiversidade, o Amazonas pode transformar a segurança jurídica conquistada até 2073 em uma estratégia duradoura de desenvolvimento, geração de renda e integração regional.

Expedição científica vai investigar a biodiversidade da Serra do Aracá no Amazonas

Expedição com 16 cientistas investigará a biodiversidade da Serra do Aracá para buscar novas espécies em áreas isoladas do Amazonas.

FIINSA 2026 fortalece conexões para impulsionar a bioeconomia na Amazônia

Fiinsa 2026 reúne investidores e empreendedores em Manaus para debater bioeconomia, inovação e negócios sustentáveis na Amazônia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira seu comentário!
Digite seu nome aqui