OMS alerta que menos da metade dos países tem planos contra calor extremo, ampliando riscos da nova onda de calor na Europa para populações vulneráveis.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que uma nova onda de calor na Europa pode provocar “semanas mais mortais” no continente. O aviso foi feito após mais de 9 mil mortes associadas às altas temperaturas registradas no fim de junho, sendo cerca de 5 mil apenas na Alemanha.
Segundo Hans Kluge, diretor regional da OMS para a Europa, os países que já contam com planos de ação para proteger a saúde da população durante períodos de calor extremo conseguiram responder melhor à última crise. No entanto, menos da metade das nações europeias vinculadas à entidade possui estratégias estruturadas para lidar com esse tipo de risco.
A onda de calor na Europa registrada entre 20 e 28 de junho foi apontada por especialistas como a mais severa já observada no continente. Além das mortes, as temperaturas elevadas afetaram a geração de energia, provocaram danos à infraestrutura e aumentaram a pressão sobre os sistemas de saúde.
Um estudo da World Weather Attribution (WWA), rede internacional de cientistas climáticos, indicou que um evento de calor dessa intensidade seria praticamente impossível sem a influência das mudanças climáticas causadas pelas emissões humanas de gases de efeito estufa.
A OMS também chama atenção para grupos mais vulneráveis, como idosos, moradores de lares de longa permanência, pessoas em situação de rua e idosos em isolamento social. De acordo com Kluge, esses públicos ainda não recebem proteção consistente em vários países.
A próxima onda de calor na Europa já se forma sobre o Atlântico e deve atingir primeiro Portugal e o sul da Espanha, onde as temperaturas podem chegar a 43°C nos próximos dias. França, Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo também devem sentir a elevação dos termômetros.
Para a OMS, os governos precisam corrigir falhas observadas nas últimas semanas e fortalecer sistemas de saúde capazes de se antecipar aos impactos do calor extremo, em vez de apenas responder às emergências.