Desastres naturais estão afetando eleições no mundo – Desafio à democracia?

Relatório internacional mostra como desastres naturais afetam campanhas, logística e participação eleitoral, exigindo adaptação diante do avanço das mudanças climáticas.

Desastres naturais têm interferido de forma crescente em processos eleitorais ao redor do mundo, afetando desde campanhas até a realização do voto. Levantamento do Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral (Idea) aponta que, entre 2006 e 2025, ao menos 94 eleições em 52 países sofreram algum tipo de impacto associado a esses eventos.

De acordo com o relatório, fenômenos como terremotos, enchentes, incêndios florestais e ondas de calor têm comprometido a logística eleitoral e dificultado a participação de eleitores. Esses desastres naturais, intensificados pelas mudanças climáticas, também pressionam autoridades a reverem estratégias de organização e segurança dos pleitos.

O estudo destaca que, apenas no ciclo eleitoral de 2024, 23 eleições, incluindo disputas locais, nacionais e até supranacionais, foram afetadas em 18 países. Entre eles estão Brasil, Estados Unidos, Índia, México, Nigéria e Indonésia, evidenciando que o problema atinge diferentes regiões e níveis de desenvolvimento.

Além de atrasos e interrupções, os desastres podem causar danos diretos à infraestrutura utilizada nas eleições. Um dos exemplos citados é o de Moçambique, onde o ciclone Idai, em 2019, destruiu milhares de salas de aula usadas no recenseamento e na apuração de votos. Em outro caso, no Haiti, um terremoto seguido por um furacão resultou na morte de candidatos e funcionários eleitorais, além da destruição de prédios essenciais ao processo.

Moradores caminham por área alagada em Beira, Moçambique, após ciclone Idai, exemplo de desastres naturais com impacto social e eleitoral.
Moradores de Beira atravessam região inundada após o ciclone Idai, ilustrando como desastres naturais afetam infraestrutura e podem interferir em eleições. Foto: UNICEF/Prinsloo

Especialistas ouvidos no relatório alertam que a tendência é de agravamento desses riscos. O aumento da frequência e da intensidade de eventos climáticos extremos exige maior capacidade de adaptação por parte dos órgãos de gestão eleitoral. Entre as medidas sugeridas está o planejamento mais cuidadoso dos calendários eleitorais, evitando períodos historicamente mais vulneráveis a desastres naturais.

Também ganha destaque a necessidade de integração entre autoridades eleitorais e instituições como serviços meteorológicos, órgãos ambientais e equipes de resposta a emergências. A adoção de planos de contingência e treinamentos específicos é apontada como essencial para garantir a continuidade e a credibilidade dos processos democráticos.

Para os autores do relatório, a preparação antecipada será determinante para preservar o direito ao voto em um cenário de crescente instabilidade climática. A resiliência eleitoral, nesse contexto, passa a depender não apenas de estruturas políticas, mas também da capacidade de enfrentar os desafios impostos pelos desastres naturais.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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