Fenômeno associado a bloqueios atmosféricos mantém temperaturas elevadas por dias e amplia impactos da onda de calor nos Estados Unidos, fenômeno cada vez mais frequente no cenário de aquecimento global.
Uma onda de calor nos Estados Unidos atípica para o mês de março avança e já estabelece uma série de recordes históricos no país. Impulsionado por uma intensa “cúpula de calor”, o fenômeno pode se tornar um dos episódios mais abrangentes já registrados, segundo meteorologistas.
O sistema se formou no sudoeste e se desloca em direção ao leste, elevando as temperaturas em grande parte do território. A previsão indica que o calor persistirá por vários dias, com enfraquecimento apenas próximo à chegada de abril.
A chamada cúpula de calor ocorre quando uma área de alta pressão atua como uma barreira na atmosfera, dificultando a circulação de ar e aprisionando o calor próximo à superfície. Esse bloqueio mantém as temperaturas elevadas de forma contínua, ampliando a duração e a abrangência do evento.
De acordo com especialistas, entre um quarto e um terço dos Estados Unidos continentais podem registrar temperaturas próximas ou acima dos recordes históricos para março, localidades na Califórnia e no Arizona já chegaram a cerca de 44 °C, valor cerca de 2 °C acima do recorde anterior para o mês.
O impacto do fenômeno também é medido pelo volume de marcas superadas. Dados indicam que centenas de estações meteorológicas registraram novos recordes mensais e diários ao longo de poucos dias. Ao menos 14 estados, incluindo Califórnia, Nevada, Kansas e Minnesota, tiveram os dias mais quentes de março desde o início das medições.
Embora amplo, o episódio é considerado menos intenso do que ondas de calor históricas registradas no verão, como as da década de 1930 durante o Dust Bowl ou o evento extremo de 2021 no noroeste do Pacífico. Um dos fatores que amenizam os efeitos atuais é a menor umidade do ar, que reduz a sensação térmica e os riscos à saúde.
O fenômeno está associado a um bloqueio na corrente de jato, responsável por transportar sistemas climáticos de oeste para leste. Com essa circulação interrompida, o calor permanece estacionado sobre o território norte-americano, enquanto outras regiões enfrentam condições opostas, como chuvas intensas e inundações.
Estudos recentes indicam que eventos desse tipo estão fortemente ligados às mudanças climáticas. Segundo pesquisadores, o aquecimento global tornou episódios como a onda de calor nos Estados Unidos até 800 vezes mais prováveis, além de mais frequentes e intensos.
A expectativa é de que o sistema comece a perder força ao longo da próxima semana, mas, até lá, a alta temperatura continua predominante em grande parte do país, tornando a onda de calor nos Estados Unidos um dos principais eventos climáticos do período.

