Preço dos fertilizantes dispara com guerra no Irã e preocupa agronegócio no Brasil

Tensões no Oriente Médio já pressionam o preço dos fertilizantes, com possíveis impactos na produção agrícola e no preço dos alimentos.

A escalada do conflito no Irã já começa a provocar efeitos no mercado global de fertilizantes e preocupa produtores rurais brasileiros. A instabilidade no Oriente Médio tem provocado aumento nos custos de alguns insumos, pressionando o preço dos fertilizantes e criando incertezas para a produção agrícola e para o custo dos alimentos no país.

Entre os produtos mais afetados está a ureia, fertilizante amplamente utilizado em culturas como soja, milho e trigo. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), desde o início das tensões na região, a ureia registrou alta de cerca de 33% no Brasil, impulsionada principalmente pelo encarecimento do gás natural, matéria-prima essencial na produção desses insumos, e por dificuldades logísticas no comércio internacional.

A guerra também afeta rotas estratégicas de transporte de fertilizantes, como o Estreito de Ormuz. O Oriente Médio responde por cerca de 30% do comércio global desses insumos e a instabilidade na região dificulta a circulação de cargas e eleva custos de frete marítimo. Com isso, o preço dos fertilizantes tende a sofrer novas oscilações no mercado internacional, afetando cadeias agrícolas dependentes desses produtos.

Para o Brasil, o cenário levanta preocupações adicionais devido à forte dependência de insumos importados. De acordo com dados do setor, cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura brasileira vêm do exterior. Em 2025, o país importou mais de 43 milhões de toneladas desses produtos, enquanto a produção nacional ficou em pouco mais de 7 milhões de toneladas.

Plantação de milho em fase de crescimento, cultura sensível às variações no preço dos fertilizantes.
Milharal em desenvolvimento no campo. O aumento no preço dos fertilizantes pode impactar culturas como milho e soja, elevando custos de produção agrícola. Foto: Sementes Renascer

O pesquisador do Insper Agro Global, Alberto Pfeifer, avalia que os efeitos do conflito podem não aparecer imediatamente na produção agrícola brasileira. Já que as safras em andamento ainda contam com fertilizantes adquiridos anteriormente e disponíveis nos estoques. No entanto, caso a instabilidade persista, os impactos podem se tornar mais evidentes na próxima safra de verão, cujo plantio costuma começar a partir de agosto.

O aumento no preço dos fertilizantes também tende a alterar decisões de plantio em diferentes países, especialmente em culturas de grande escala como milho e soja. Isso ocorre porque esses insumos representam uma parcela significativa do custo de produção agrícola, podendo chegar a cerca de 40% do total em algumas lavouras.

No longo prazo, a elevação dos custos deve se refletir no preço final dos alimentos. Produtos hortifrutigranjeiros podem sentir os primeiros efeitos, seguidos por grãos e derivados. Caso a pressão sobre fertilizantes persista, cadeias produtivas dependentes de milho e soja — como a produção de carnes, ovos e leite — também podem sofrer impactos indiretos.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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