Ex-secretário do Pará defende política fiscal voltada à bioeconomia na Amazônia

Proposta de Adnan Demachki busca corrigir distorções históricas com um sistema fiscal voltado à bioeconomia e à industrialização de ativos amazônicos, em oposição à exploração predatória da Amazônia.

Uma nova concepção fiscal começa a ganhar espaço no debate sobre a Amazônia: a criação de uma Zona Franca da Bioeconomia com alcance em toda a região. A proposta é do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará, Adnan Demachki, que defende incentivos tributários voltados à industrialização de produtos da floresta como alternativa ao atual modelo baseado em commodities e degradação ambiental.

Segundo Demachki, é necessário substituir o ciclo histórico de isenções fiscais voltadas a grandes empreendimentos agropecuários e minerários por uma política que valorize cadeias produtivas sustentáveis, com foco na bioeconomia. A proposta foi apresentada em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo.

O ex-secretário argumenta que, desde os anos 1970, a Amazônia tem recebido volumosos aportes via renúncia fiscal, mas os resultados socioeconômicos são limitados.  Demachki avalia que o modelo atual gerou concentração de riqueza fora da região e pouca transformação local. Para ele, a bioeconomia oferece uma rota concreta de desenvolvimento, baseada no uso sustentável de ativos como açaí, cacau, castanha, óleos vegetais e frutos amazônicos.

Barco carregado com cestos de açaí, conduzido por dois homens, simbolizando a bioeconomia amazônica.
Foto: Priscila Tapajowara

A nova proposta fiscal teria escopo regional e buscaria descentralizar os investimentos, fortalecendo todos os municípios da Amazônia Legal. O foco estaria na geração de empregos e na industrialização onde a matéria-prima é produzida. Demachki também destaca que as exportações de produtos da sociobiodiversidade ainda representam parcela reduzida da economia amazônica.

Para mudar esse cenário, ele defende a criação de um marco fiscal exclusivo que promova inovação, agregação de valor e desenvolvimento territorial, sem repetir as distorções que favoreceram as regiões Sul e Sudeste em detrimento do Norte. A proposta reforça a tese de que preservar a floresta e gerar renda não são caminhos opostos e que a bioeconomia pode ser o elo entre conservação e prosperidade.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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