Após COP30, ex-ministro da Fazenda aponta que o Brasil precisa unir regulação e inovação para ampliar a produtividade sustentável e enfrentar os riscos climáticos crescentes.
Durante evento realizado no Insper, em São Paulo, o economista Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e atual diretor de Estratégia Econômica e Relações com Mercados do Banco Safra, afirmou que a Conferência do Clima da ONU (COP30) representou um retrocesso no avanço das finanças climáticas.
Segundo ele, embora a edição tenha priorizado a implementação, a expectativa por grandes aportes internacionais permanece uma “utopia”, dada a conjuntura econômica e geopolítica que limita a capacidade de contribuição dos países desenvolvidos.
Levy destacou que o Brasil tem potencial para se consolidar como uma plataforma de soluções sustentáveis, desde que faça escolhas consistentes e de longo prazo. Para alcançar a neutralidade de carbono até 2050, o país precisará alinhar políticas regulatórias eficazes com estratégias que estimulem produtividade sustentável. Ele reforçou que instrumentos financeiros verdes só funcionam quando integrados de forma orgânica aos setores econômicos, gerando valor e inovação.

Entre os exemplos positivos, Levy mencionou o uso do milho para produzir etanol e proteína animal, além de iniciativas como ônibus elétricos movidos a etanol. Esses modelos, segundo ele, demonstram como a produtividade sustentável pode aumentar a rentabilidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis sem demandar subsídios governamentais.
O economista também defendeu a modernização do sistema elétrico, afirmando que o modelo hidrelétrico baseado apenas em séries históricas de vazão já não é suficiente diante das mudanças climáticas. Ele propôs ampliar o uso de inteligência artificial e dados de satélite para aprimorar previsões e reduzir custos operacionais.
Para Levy, a adaptação climática deve ser o foco central do investimento público, especialmente em áreas vulneráveis. Ele criticou a postura passiva dos bancos multilaterais e defendeu maior protagonismo dessas instituições na viabilização de projetos que unam resiliência e produtividade sustentável.

