Dados de nova pesquisa indicam que a preocupação com mudanças climáticas perdeu força em países desenvolvidos e cresceu em regiões mais vulneráveis ao colapso climático.
Um levantamento internacional revela que a preocupação com mudanças climáticas diminuiu significativamente em países desenvolvidos nos últimos três anos, enquanto aumentou em economias emergentes como Brasil, Índia e Turquia. Dados do Pew Research Center apontam que, entre 2022 e 2025, a média de pessoas que veem o clima como uma grande ameaça caiu de 73% para 66% em 16 nações de alta renda.
A queda mais expressiva ocorreu na Polônia, com redução de 13 pontos percentuais. Países como Holanda, Itália e Reino Unido também apresentaram recuos significativos. Nos Estados Unidos, embora a redução tenha sido menor (de 54% para 51%), o nível de preocupação já era baixo em 2022. Israel e EUA são os países com menor índice de percepção da ameaça climática entre os analisados.

Em contraste, o tema ganhou relevância em países como Brasil, que teve aumento de cinco pontos percentuais, e Índia, com alta de oito pontos. Na Turquia, a proporção de pessoas que veem o clima como ameaça subiu de 40% em 2013 para 70% em 2025. A preocupação com mudanças climáticas parece crescer justamente onde os efeitos ambientais extremos se tornam mais visíveis no cotidiano.
Fatores políticos e demográficos influenciam esse cenário. Nos EUA, por exemplo, 84% dos liberais consideram as mudanças climáticas uma grande ameaça, contra apenas 20% dos conservadores. Mulheres e pessoas com nível superior de escolaridade tendem a demonstrar maior preocupação com mudanças climáticas, enquanto homens e não graduados apresentam índices mais baixos.
A pandemia e a guerra na Ucrânia podem ter contribuído para a redução do engajamento ambiental, somadas à sensação de impotência diante do problema. Ainda assim, a queda nos custos de geração de energia renovável surge como fator de otimismo para impulsionar ações climáticas e políticas públicas.
