Os negócios do Agro e os acordos de unidade da COP30

“A COP30 será histórico para o Brasil. E a Amazônia não chegou dividida. Nossa força está na mensagem única: nós produzimos, conservamos e incluímos. A floresta em pé não é uma bandeira abstrata; é um projeto econômico completo, onde indústria, agro, inovação, ciência e comunidades caminham juntas.”

A Amazônia é, antes de tudo, uma obra coletiva. Aqui, ninguém prospera sozinho. A força do Polo Industrial de Manaus, o dinamismo do setor primário, a inteligência das universidades, a ciência dos nossos institutos e a resiliência das comunidades do interior compõem um mesmo ecossistema econômico e social.

Somos diferentes, mas interdependentes. E é dessa unidade construída na diversidade — tão amazônica quanto a floresta em pé que nos sustenta — que nasce o compromisso que precisamos reafirmar diante da COP30, em Belém.

Paisagem da floresta amazônica densa e preservada, vista do alto com névoa sobre as copas das árvores.

A COP30 será histórico para o Brasil. E a Amazônia não chegou dividida. Nossa força está na mensagem única: nós produzimos, conservamos e incluímos. A floresta em pé não é uma bandeira abstrata; é um projeto econômico completo, onde indústria, agro, inovação, ciência e comunidades caminham juntas.
Foto: Federico Rios.

Liderança em soluções climáticas

Afinal, como ficam os negócios do Agro quando o Brasil assume, diante do planeta, a liderança em soluções climáticas? E mais: como dialoga a agropecuária brasileira com um modelo de desenvolvimento — a Zona Franca de Manaus — que responde pela indução de 30% de toda a economia da Região Norte, gera ciência, financia inovação e cria alternativas reais à pressão do desmatamento?

Credibilidade global

A resposta não está no conflito entre modelos, mas na integração responsável das atividades produtivas. O país só terá credibilidade global se agricultura, indústria, bioeconomia e comunidades tradicionais compartilharem um pacto de sustentabilidade real, mensurável e verificável. É isso que nos une.

O Agro em novo terreno: o que os Planos de Aceleração de Soluções (PAS) sinalizam

Para a COP30, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) chega não como convidado, mas como coprotagonista de quatro grandes Planos de Aceleração de Soluções — iniciativas que envolvem FAO, Banco Mundial, entre outros e até a Força-Tarefa para o Ar Limpo (CATF).

Isso não é detalhe técnico: é a moldura das regras que organizarão os fluxos de financiamento, certificação, rastreabilidade e valorização dos produtos agrícolas na economia global de baixo carbono.

RAIZ – Agricultura resiliente para degradação zero

O Brasil e a FAO projetam o maior mapeamento de áreas degradadas da história nacional, conectando governos, investidores e comunidades. A ideia é simples e poderosa:
restaurar solos, gerar empregos verdes, ampliar segurança alimentar e transformar o campo em sumidouro de carbono.

Para a Amazônia, isso significa reconhecer:
– que existe agro possível sem desmate;
– que há milhões de hectares degradados fora da floresta aguardando recuperação;
– que restauração vale mais, economicamente, do que destruição.

Uso eficiente de fertilizantes

Codirigido pelo Reino Unido e pelo Brasil, o plano propõe amônia verde, bioinsumos e manejo nutricional inteligente. O objetivo é reduzir desperdícios, emissões e custos — uma equação que interessa tanto ao grande produtor quanto ao pequeno agricultor amazônico.

Remoção de carbono na agricultura

Biochar, plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta, monitoramento avançado: o mapa tecnológico está claro. Quem não se adaptar ficará fora dos mercados mais exigentes.

Pecuária e arroz de baixo metano

A transição agroambiental da pecuária é inevitável. O produtor que reduzir metano, aumentar eficiência e adotar boas práticas será premiado. Quem insistir no atraso, ficará para trás — não por ideologia, mas por economia.

E onde entra a Zona Franca de Manaus nisso tudo?

A ZFM é o maior projeto de política industrial sustentável da história do Brasil. Não concorre com o Agro. Complementa-o. Enquanto o setor primário responde pela segurança alimentar e pela dinâmica exportadora nacional, a Zona Franca:

– induz inovação e ciência;
– financia universidades (como a UEA, a maior multicampi do país);
– gera 138 mil empregos diretos e 500 mil indiretos;
– reduz a pressão por desmatamento ao oferecer trabalho de cidade onde antes havia apenas extrativismo predatório.

Na Amazônia Ocidental, a política ambiental da Zona Franca de Manaus se caracteriza e se insere na comunhão entre a Indústria, o Comércio e o Distrito Agropecuário da Suframa, impulsionados a partir do Polo Industrial de Manaus.

Em nome da diversificação

Por isso, defender a floresta em pé exige reconhecer a importância do setor primário — mas também exige economia diversificada, inovação, pesquisa aplicada e cadeias produtivas integrais com a bindustrial. Não há Amazônia sustentável com uma economia de um só motor.

WhatsApp Image 2025 11 10 at 12.38.12
 (Ricardo Stuckert/PR/COP30/Divulgação)

Unidade: o nome do jogo

Se a COP30 define uma nova ambição climática global, a Amazônia chega à mesa com uma mensagem clara:
O Agro brasileiro quer ser parte da solução, não do problema.
A Zona Franca de Manaus é um ativo climático global e deve ser reconhecida como tal.
A bioeconomia amazônica só se desenvolverá com indústria, ciência e produção legal.
Produtores, indústria, universidades e setor público precisam caminhar juntos.

O inimigo comum não é o produtor rural, nem o industrial, nem o pesquisador.
O inimigo é a ilegalidade — o desmatamento criminoso, o garimpo predatório, a grilagem, as invasões especulativas, a economia da destruição que não gera tributos, não produz ciência e não respeita gente.

Um pacto pelo território e pelas futuras gerações

A COP30 será histórico para o Brasil. E a Amazônia não chegou dividida.

Nossa força está na mensagem única:
nós produzimos, conservamos e incluímos.
A floresta em pé não é uma bandeira abstrata; é um projeto econômico completo, onde indústria, agro, inovação, ciência e comunidades caminham juntas.

A diversidade das atividades produtivas não é obstáculo — é nossa vantagem competitiva.
E a unidade é o único caminho para transformar essa vantagem em futuro.

Nelson Azevedo
Nelson Azevedo
Nelson Azevedo é economista, empresário, presidente do Sindicato da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e de Materiais Elétricos de Manaus, conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM

Artigos Relacionados

Terras raras, soberania rara

Num mundo em disputa por minerais críticos, semicondutores, dados...

Estudo na revista Nature revela que microplásticos no ar foram superestimados

Estudo revela que microplásticos transportados pelo ar vêm majoritariamente da terra e desafiam modelos globais sobre poluição.

Após 10 anos, Brasil atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas de extinção

Nova lista atualiza cenário das espécies aquáticas ameaçadas no Brasil e reforça medidas contra sobrepesca, poluição e perda de habitat.

A Amazônia no limite invisível do carbono – Entrevista com Niro Higuchi

Entre a ciência e a incerteza, os sinais de que a floresta pode estar deixando de ser aliada do clima exigem mais do que medições: exigem discernimento político.

Compostos de copaíba-vermelha inibem entrada e replicação do coronavírus, diz estudo

Estudo revela que compostos da copaíba-vermelha inibem o coronavírus e reforçam o potencial da biodiversidade brasileira.