Com nova meta, China anuncia redução de emissões de até 10% com prazo para 2035

Com foco em gases como metano e óxidos nitrosos, plano chinês amplia escopo da redução de emissões e pode definir os rumos do Acordo de Paris.

A China anunciou um novo compromisso climático com potencial de moldar o futuro das emissões globais. Em discurso na Cúpula do Clima da ONU, o presidente Xi Jinping revelou que o país pretende reduzir entre 7% e 10% de suas emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2035, tomando como base seu pico máximo — previsto para ocorrer até o fim desta década.

Presidente Xi Jinping em discurso na ONU. Jinping anunciou nova meta de redução de emissões até 2035.
Presidente da China, Presidente Xi Jinping, na ONU. Foto: Xinhua.

Com cerca de um terço das emissões globais, a China é hoje o maior emissor de gases poluentes do planeta. Segundo o Asia Society Policy Institute, o país foi responsável por 90% do crescimento das emissões de CO₂ no mundo desde 2015. Por isso, o rumo da redução de emissões chinesa pode influenciar diretamente o sucesso do Acordo de Paris. 

O novo plano está detalhado na atualização da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) chinesa, documento obrigatório para todos os signatários do Acordo de Paris. Pela primeira vez, a meta do país inclui não só o CO₂, mas também outros gases como metano e óxidos nitrosos, com metas vinculadas ao avanço de fontes limpas até 2035.

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foto: Christian Lue/Unsplash

Especialistas divergem sobre o nível de ambição do compromisso. Há quem considere a redução insuficiente para conter o aquecimento global abaixo de 2 °C ou 1,5 °C. Outros argumentam que reduzir emissões além do CO₂ é mais complexo e que o corte anunciado representa um avanço relevante, especialmente se for superado ao longo do tempo.

A trajetória de redução de emissões tem histórico de superação. Em 2024, o país cumpriu com seis anos de antecedência sua meta de instalar 1.200 gigawatts em energia solar e eólica, o que fortalece a confiança de que os compromissos climáticos podem ser ampliados nos próximos anos.

Para pesquisadores, o mais importante é o volume total de poluentes evitado ao longo do tempo. E, nesse cenário, o impacto da redução de emissões pode ser decisivo. Segundo estimativas, o país terá que cortar um volume de gases equivalente a três vezes a descarbonização completa do Reino Unido, nos próximos dez anos, para alcançar a meta proposta. 

Vista aerea da maior usina solar flutuante do mundo com capacidade de 40 megawatts de energia na cidade de Huainan provincia de Anhui leste da China. Credito Imaginechina Limited Alamy
Vista aérea da maior usina solar flutuante do mundo, com capacidade de 40 megawatts de energia, na cidade de Huainan, província de Anhui, leste da China. Crédito: Imaginechina Limited | Alamy

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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