Com emissões de CO2 em alta e cortes nos investimentos em renováveis, EUA caminham na direção contrária da China, que acelera a expansão de energia solar e eólica.
Dados mais recentes apontam para uma inversão de tendência entre os dois maiores emissores de CO2 do mundo da última década. De acordo com o Carbon Monitor, as emissões de CO2 dos Estados Unidos cresceram 4,2% entre janeiro e junho de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, enquanto as da China recuaram 2,7%.
Na China, a queda se concentrou nos setores de energia e indústria, impulsionada pelo avanço da energia solar. Apenas em maio, o país adicionou 92 gigawatts de capacidade instalada, quase o total histórico dos EUA (134 GW). O consumo de carvão caiu 2,6% no semestre, segundo a Agência Internacional de Energia (AIE). Apesar do movimento, especialistas alertam que ainda é cedo para considerar um pico definitivo nas emissões de CO2 chinesas.
Nos EUA, o cenário é o oposto. As emissões de CO2 aumentaram em todos os setores, incluindo transporte terrestre (+2%) e energia (+1,3%). O país figura entre os que mais cresceram em emissões, ao lado de Japão e Brasil, este último com alta de 5,6%. A Espanha liderou com aumento de 6%.
Os dados reforçam trajetórias distintas. Para Glen Peters, do Centro de Pesquisa Climática Internacional, a China caminha para consolidar reduções sustentadas com tecnologias limpas, enquanto os EUA, sob políticas de incentivo aos combustíveis fósseis do governo Donald Trump, avançam na direção contrária. As emissões de CO2 per capita americanas continuam bem acima das chinesas.
Energia renovável em alta
No campo dos investimentos, a BloombergNEF registrou recorde global de US$ 386 bilhões em projetos de energia renovável no primeiro semestre, alta de 10% em relação a 2024. A expansão foi puxada por projetos solares de pequeno porte e eólicos offshore. No entanto, os EUA destoaram novamente: os investimentos caíram 36%, para menos de US$ 20,5 bilhões, impactados por mudanças regulatórias e incertezas ligadas às tarifas impostas pelo governo. O contraste entre os dois maiores emissores será decisivo para o ritmo da transição energética global nos próximos anos.