Operação Carne Fria 3 expôs rede de “lavagem de gado”, crime que mascara a origem de animais de áreas de desmatamento ilegal e abastece frigoríficos exportadores.
O Ibama apreendeu mais de 7 mil cabeças de gado e aplicou R$ 49 milhões em multas durante a Operação Carne Fria 3, deflagrada em municípios do Pará. Os animais eram mantidos em mais de 2,1 mil hectares de áreas embargadas por desmatamento ilegal, que deveriam estar em processo de recuperação florestal. A estimativa é que o rebanho apreendido esteja avaliado em R$ 30 milhões.
Produzir, vender ou comprar gado criado em áreas embargadas é crime ambiental. Nas fiscalizações, foram inspecionados 20 imóveis rurais em São Félix do Xingu, Pacajá e Rondon, regiões que figuram entre as maiores em índices de desmatamento. Só pelo descumprimento de embargos e impedimento da regeneração da vegetação nas áreas de desmatamento ilegal foram aplicados R$ 22 milhões em multas.
A operação também atingiu frigoríficos. Seis empresas foram autuadas em R$ 4 milhões por comprarem 8.172 cabeças de gado diretamente de áreas embargadas. Outras 12 foram notificadas e estão sob investigação por suspeita de envolvimento em “lavagem de gado”. A prática consiste em transferir animais de áreas ilegais para propriedades regulares, obtendo novas Guias de Trânsito Animal (GTAs) e simulando origem legal antes do abate.

O Ibama destaca a prevalência do desmatamento ilegal na Amazônia. A Carne Fria 3 integra o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm). Nas edições anteriores, realizadas em 2017 e 2024, o órgão já havia fiscalizado mais de 50 frigoríficos, centenas de propriedades e lavrado 170 autuações, que somaram R$ 640 milhões, além de ter apreendido quase 9 mil animais.
