Projeto liderado pela USP busca revelar diversidade de insetos da Amazônia que vivem acima do solo, usando tecnologia inédita e taxonomia integrativa
Com o maior número de espécies conhecidas entre todos os grupos de seres vivos, os insetos da Amazônia ainda são um enigma para a ciência. Um novo megaprojeto coordenado pelo professor Dalton de Souza Amorim, da USP, quer mudar isso. O BioInsecta, que integra o Programa Biota/Fapesp e o INCT-BioDossel (Inpa/CNPq), busca estimar, pela primeira vez, a diversidade real de insetos no maior bioma tropical do planeta.

O foco está em revelar o “continente” invisível que habita a copa das árvores, onde vivem milhares de espécies de insetos da Amazônia ainda não descritas. Para isso, a equipe desenvolveu inovações como as “cascatas” de armadilhas suspensas em árvores de mais de 25 metros de altura, capazes de coletar até 59 mil insetos a cada duas semanas em cada ponto de estudo.

A expectativa é sequenciar cerca de 500 mil exemplares e descrever milhares de novas espécies até 2028. O projeto também utiliza taxonomia integrativa e triagem reversa, combinando dados morfológicos e genéticos para acelerar a identificação da fauna amazônica.
Segundo Amorim, os dados devem contribuir para repensar estratégias de conservação, manejo florestal e demarcação de territórios, especialmente considerando que mais da metade dos insetos da Amazônia vivem longe do solo. Ele também destaca a importância do saber dos povos indígenas, cujos idiomas preservam nomes e conhecimentos profundos sobre a biodiversidade da floresta.

