O aumento da temperatura e a proximidade de períodos de alta do consumo, como a Quaresma, provocam alta no preço do ovo
Os consumidores brasileiros estão sentindo no bolso a alta dos preços dos alimentos – e a crise não é exclusivamente do café. Segundo uma pesquisa da Quaest, divulgada em 16 de fevereiro, 8 a cada 10 brasileiros já percebem o aumento no valor dos produtos nos supermercados, independentemente da classe social, em itens como cacau, ovos, café e azeite, essenciais na alimentação do dia a dia.
Cada produto possui uma dinâmica própria, mas as principais razões para essa alta incluem safras ruins, mudanças climáticas e a valorização do dólar, que impactam diretamente os custos de produção e importação desses alimentos.
Recentemente, o ovo tem aquecido debates sobre a alta dos preços: com a sequência de ondas de calor somadas a proximidade da Quaresma, o produto registrou seu preço mais alto em 22 meses, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Entre janeiro e fevereiro, o valor da caixa com 30 dúzias de ovos brancos subiu 69%, passando de R$ 134 para R$ 227. Já os ovos vermelhos tiveram um aumento de 61%, saltando de R$ 156 para R$ 252 no mesmo período.
Até então, os preços mais altos haviam sido registrados em 2023, quando a caixa de ovos brancos chegou a R$ 203 em junho (12% menos que agora) e os ovos vermelhos atingiram R$ 225 em maio (também 12% mais barato que em 2025).
Calor traz queda na produtividade
“As altas temperaturas registradas no início do ano afetaram a produtividade das aves, impactando diretamente a oferta e os custos de produção”, explica em nota o IOB (Instituto Ovos Brasil), uma das associações do setor.
O calor faz com que as galinhas gastem mais energia para regular a temperatura do corpo, reduzindo a produção de ovos em 5% a 10%.

Além disso, a alimentação dessas aves, composta por soja e milho, ficou mais cara. O milho, fundamental para fornecer energia, teve um aumento de 32% no preço desde setembro do ano passado, passando de R$ 60 para R$ 79 a saca de 60 kg. Com isso, os custos de produção subiram, tornando inevitável o repasse desse aumento no preço do ovo para o consumidor final.
“Os preços devem continuar elevados até a Quaresma (5 de março a 17 de abril), período em que, tradicionalmente, o consumo de ovos aumenta”, diz Claudia Scarpelin, pesquisadora da área de ovos da Cepea, sobre a redução do consumo de carne vermelha no período que antecede a Páscoa, em matéria do UOL.
