Após pressão por explorar novas áreas de petróleo, ministro Alexandre Silveira também declara que o país deveria avançar na exploração do gás de xisto, atualmente importado da Argentina
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fez nesta terça-feira (25) declarações favoráveis a exploração de gás natural não convencional no Brasil, prática associada a riscos ambientais.
Conhecido popularmente como “gás de xisto”, esse recurso é encontrado em rochas de baixa permeabilidade e porosidade. Para extraí-lo, utiliza-se a técnica de fraturamento hidráulico, que consiste em fraturar as rochas para liberar o gás e o petróleo. Silveira ressaltou que o país atualmente importa esse gás natural da Argentina.

Embora aumente a produtividade dos poços, essa técnica apresenta riscos ambientais, como tremores de terra, contaminação de lençóis freáticos e alto consumo de água, gerando preocupações sobre seus impactos no meio ambiente.
“[…] pensamos que faria bem ao Brasil avançar, dentro da maior segurança ambiental, mas avançar no gás não convencional ou gás de fracking [fraturamento] porque nós importamos”
– Alexandre Silveira em evento do BTG Pactual, em São Paulo.
A declaração vem junto de um cenário de discussões sobre a exploração do petróleo, outro combustível fóssil, na Foz do Amazonas, região da Margem Equatorial. Assim como nesse caso, a exploração de gás traz polêmicas devido a seus potenciais impactos negativos no meio ambiente e por se tratar de um combustível não renovável.

Produção nacional do gás de xisto
A exploração do gás não convencional para aumentar a oferta do insumo no Brasil foi uma das principais conclusões do grupo de trabalho do programa “Gás para Empregar”, que analisou formas de incentivar a produção de gás e fortalecer a indústria.
Uma das propostas do grupo, revelada pelo g1, é retirar do Ibama a competência para licenciamento ambiental desse tipo de recurso em terra, transferindo essa responsabilidade para as secretarias estaduais de meio ambiente. Atualmente, o órgão licencia a produção, enquanto a exploração (fase anterior à produção) já é de responsabilidade dos estados.

Atualmente, o Brasil não possui produção de gás não convencional.
Em 2020, o governo lançou um programa experimental para perfurar um poço monitorado, com o objetivo de coletar dados sobre a técnica e seus impactos ambientais. No entanto, embora o programa ainda esteja ativo, a perfuração ainda não foi realizada.
