Iniciativa visa transformar a região Norte em referência mundial na bioeconomia, unindo tecnologia, sustentabilidade e empreendedorismo
O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) deu um passo importante para posicionar a região Norte do Brasil como referência global em bioeconomia. No início deste mês, o secretário da Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Rodrigo Rollemberg, anunciou a criação do primeiro hub de inovação em bioeconomia da região. O anúncio ocorreu durante o workshop Iniciativas de Pesquisa e Inovação para a Amazônia, realizado em Manaus e promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), na sede do CBA.
O CBA já lançou o edital para a reforma do alojamento que abrigará o hub. O valor estimado da obra é de R$ 1,4 milhão, e a expectativa é que as atividades do hub comecem ainda no primeiro semestre de 2025.

A nova estrutura, que contará com o apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), será um marco para o desenvolvimento de soluções inovadoras com base na biodiversidade amazônica. A expectativa é que o hub seja um ponto de encontro entre startups, aceleradoras e grandes empresas interessadas em explorar o potencial econômico da região, gerando empregos e valorizando os recursos naturais.
Nós vamos transformar uma área que, há 22 anos, foi concebida como um hotel, mas que nunca funcionou adequadamente. Agora, esse espaço vai se tornar um ‘hotel de empresas’, onde startups e aceleradoras da área de bioeconomia poderão se instalar e desenvolver suas atividades. O Sebrae fornecerá bolsas e mentorias para os empreendedores, criando um ambiente propício para a inovação”
afirmou o secretário
Essa iniciativa busca não apenas criar um espaço de negócios, mas também fomentar o desenvolvimento de produtos e soluções inovadoras que utilizem a vasta biodiversidade da Amazônia. O objetivo é transformar o conhecimento científico em oportunidades concretas de mercado, gerando riqueza para as populações locais e respeitando o equilíbrio ambiental.
Além disso, o hub de bioeconomia também recebeu o apoio do ministro Alexandre Padilha, da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República. Ele destacou a importância do projeto para o desenvolvimento sustentável do Brasil. “Como tem o encontro das águas aqui em Manaus, o CBA tem tudo para ser o ponto de encontro dos empreendedores privados, com os pesquisadores, os conhecedores da biodiversidade amazônica, para que dessa forma a gente possa produzir mais tecnologia, mais produtos sustentáveis, mais renda e mais oportunidades de emprego na região e para o Brasil”, afirmou.
Parcerias estratégicas
Além das parcerias com o Sebrae e a ABDI, o CBA também firmou um Memorando de Entendimento (MOU) com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). Esse acordo busca unir esforços para promover a inovação e o desenvolvimento sustentável na Amazônia, com o objetivo de fortalecer a bioeconomia e as cadeias produtivas locais.

Rogério Araújo, gerente de fomento às estratégias ESG da ABDI, ressaltou o impacto que o projeto terá na economia brasileira: “No contexto da Nova Indústria Brasil (NIB), é fundamental destacar a importância de integrar a bioeconomia como uma força propulsora do desenvolvimento econômico brasileiro. Queremos que essa seja a marca distintiva da indústria do futuro que estamos construindo. Por isso, este projeto de revitalização e ocupação de espaços já existentes aqui no CBA, que antes não estavam sendo aproveitados, é crucial. Ele promoverá um desenvolvimento sustentável e inovador, contribuindo significativamente para o futuro do nosso país”, reforçou o executivo.
O acordo entre o CBA e a FAS prevê a criação de um “hotel tecnológico” para abrigar startups voltadas à bioeconomia, além de incentivar a pesquisa colaborativa. Virgílio Viana, superintendente da FAS, destacou a importância de conectar as comunidades amazônicas com as novas tecnologias desenvolvidas no hub. “Essa parceria entre a FAS e o CBA abre uma oportunidade para unir duas competências diferentes. O CBA tem uma competência de inovação tecnológica, de biotecnologia e a FAS tem a ligação com as comunidades e aldeias da floresta que podem produzir e já produzem os insumos para a bioeconomia amazônica. Então a gente junta a matéria-prima e a organização social e a produção sustentável com a tecnologia do CBA”, afirmou Viana.
