Castanha e cacau impulsionam bioeconomia na Amazônia

As cadeias produtivas da Amazônia, fundamentais para a bioeconomia regional, têm potencial de alcançar R$ 38,6 bilhões até 2050, conforme estudos recentes. Apesar dos desafios que limitam investimentos e avanços no setor, diversas iniciativas já estão sendo adotadas por entidades governamentais, empresas, instituições acadêmicas e organizações não governamentais. Essas ações abrangem todas as fases do processo produtivo, desde a coleta de recursos naturais até a comercialização dos produtos finais.

Um dos esforços para superar esses obstáculos é a identificação e replicação de práticas bem-sucedidas, essenciais no combate ao desmatamento e na resposta à crise climática. Destacam-se, por exemplo, as experiências exitosas relacionadas à produção de castanha-do-brasil e cacau, que estão sendo mais amplamente divulgadas.

Recentemente, o Idesam publicou o estudo “Caminhos para o Fortalecimento de Cadeias Produtivas da Sociobiodiversidade Amazônica – Melhores Práticas nos elos das cadeias produtivas da castanha-do-brasil e do cacau”. Este trabalho, apoiado pelo Partnerships for Forests (P4F), detalha os desafios enfrentados nessas cadeias e apresenta exemplos de sucesso. O relatório visa inspirar o desenvolvimento de novos negócios e estratégias políticas, promovendo inovações em processos produtivos, parcerias, financiamentos e uso de tecnologias.

Koury afirma que, com soluções já comprovadas, é hora de acelerar o progresso e não apenas focar nos problemas. Ele acredita que o momento é propício para um avanço significativo na bioeconomia, valorizando a conservação das florestas e ultrapassando as tradicionais medidas de fiscalização ambiental para combater o desmatamento.

Bioeconomia
Coletores de Castanha da Coopavam. | Foto: Fred Rahal

Desvendando os caminhos da bioeconomia: castanha-do-brasil e cacau

A bioeconomia amazônica, com foco nas cadeias produtivas da castanha-do-brasil e do cacau, é analisada em um estudo que cobre cinco etapas cruciais: extração, manejo, beneficiamento primário, transformação, comercialização e consumo. Identificando gargalos e soluções em cada etapa, o estudo evidencia a importância de assistência técnica e parcerias público-privadas para impulsionar o desenvolvimento sustentável, além de enfatizar a necessidade de certificações que atestam práticas orgânicas e socioambientais.

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Agroextrativistas da Coopavam. | Foto: Fred Rahal

Castanha-do-Brasil: sustentabilidade e inovação

A castanha-do-brasil beneficia mais de 60 mil famílias e envolve centenas de organizações e empresas na Amazônia. Apesar de ser o maior produtor mundial, o Brasil enfrenta desafios no mercado de exportação, perdendo espaço para a Bolívia. No entanto, o aumento do valor agregado através de novos usos em cosméticos, superalimentos e bioplásticos, impulsionados por pesquisas e startups, está abrindo novas oportunidades.

Caso Mahta: transformação e mercado global

A Mahta, uma empresa de superalimentos, exemplifica a inovação ao valorizar subprodutos da castanha, gerando renda local e atendendo ao mercado global. Com foco na nutrição sustentável, a Mahta planeja expandir suas operações para o mercado americano, demonstrando o potencial de produtos amazônicos no cenário internacional.

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Agroextrativistas de Castanha da cooperativa Abufari. | Foto: Divulgação | Abufari

Caso Coopaiter: valorização indígena e preservação ambiental

A Coopaiter, uma cooperativa indígena, destaca-se pela produção de castanha-do-brasil, associando qualidade ao respeito pela cultura e conservação ambiental. Através de parcerias e políticas de compras públicas, a cooperativa tem aumentado sua renda e reforçado o papel vital das comunidades indígenas na gestão sustentável dos recursos naturais.

Cacau: economia, ambiente e qualidade

A cadeia produtiva do cacau, significativa tanto economicamente quanto ambientalmente, destaca-se pela sua contribuição para a agricultura familiar e a produção de chocolates finos e produtos cosméticos. O Brasil, especialmente o Pará, é um importante produtor, com o cacau amazônico valorizado por sua qualidade e sustentabilidade.

Esses estudos e casos de referência mostram como a bioeconomia amazônica está evoluindo para integrar práticas sustentáveis, inovação e desenvolvimento socioeconômico, fortalecendo a conexão entre a preservação ambiental e o progresso econômico.

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A rentabilidade do cacau agroflorestal chega a ser de sete a dez vezes maior do que a pecuária.

Caso de referência | Warabu: excelência e sustentabilidade na produção de chocolate

Warabu, uma empresa de destaque no setor de chocolates especiais, baseia sua filosofia na alta qualidade e origem amazônica, mantendo um relacionamento justo e direto com pequenos produtores. O fundador, Jorge Neves, destaca o compromisso da empresa com a capacitação e certificação dos fornecedores, garantindo não apenas a qualidade do produto, mas também a sustentabilidade e ética na cadeia de produção.

Com o auxílio de tecnologia avançada, incluindo maquinário italiano, a Warabu produz chocolates premium, reconhecidos por sua excelência e sustentabilidade. A empresa possui uma linha de 12 sabores distintos, disponíveis em lojas especializadas e plataformas online. Em 2023, a Warabu foi laureada com o prêmio Bio Brazil Fair, consolidando sua posição no mercado de chocolates de alta qualidade.

O ano de 2024 marca um ponto de virada para a Warabu, com planos de expandir a capacidade produtiva dos seus fornecedores e iniciar exportações. A empresa se compromete a pagar preços acima do mercado para assegurar uma relação justa e estimular a produção local. Além disso, investimentos substanciais foram feitos para aprimorar a tecnologia de produção, aumentando significativamente a qualidade dos chocolates.

Esse caso exemplifica a integração entre inovação, responsabilidade social e ambiental, e sucesso comercial, ilustrando como práticas sustentáveis podem levar a uma diferenciação de mercado e a um crescimento econômico consciente.

*Com informações CICLO VIVO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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