Pará lidera produção de cacau com inovação e sustentabilidade

Pará na liderança na produção de cacau – O preço do fruto amazônico alcançou um pico histórico na bolsa de valores de Nova York, marcando a cotação mais alta em quatro décadas

No ano de 2024, a commodity chegou a ser negociada a US$ 11.000,00 por tonelada, estabelecendo um novo recorde que reflete seu crescente valor no mercado global. Esse aumento de preço também tem repercussões diretas no Brasil, onde o Pará se destaca na produção nacional.

O estado do Pará mantém a liderança na produção de cacau do Brasil, superando tradicionalmente a Bahia, conhecida como o pólo chocolatier do país. Com 149 mil toneladas de amêndoa seca produzidas em 2023, o Pará vem expandindo suas áreas de cultivo em 8 mil hectares anuais, focando em práticas sustentáveis.

A Secretaria de Estado e Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) relata que a maior parte do cultivo ocorre em terra firme, principalmente na região do Xingu, onde o solo fértil impulsiona a produção.

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Cacau de várzea. — Foto: EMATER/Divulgação

Cacau de várzea: aposta ambiental e comercial

Uma forma de cultivo que vem ganhando atenção é o cacau de várzea, um tipo nativo que cresce às margens dos rios amazônicos, sem necessidade de irrigação artificial ou produtos químicos. Segundo Socorro Progene, professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), este cacau orgânico é um tesouro ambiental e comercial, oferecendo uma alternativa sustentável e potencialmente lucrativa para os produtores locais.

“É um cacau nativo, considerado orgânico, que cresce ao longo dos rios e não precisa de produtos químicos nem irrigação, porque a própria natureza já oferece os sedimentos necessários”

Pará na liderança na produção de cacau - O preço do fruto amazônico alcançou um pico histórico na bolsa de valores de Nova York, marcando a cotação mais alta em quatro décadas
Crédito: Fast Company Brasil

Inovações e parcerias para potencializar o cacau da Amazônia

A Universidade Federal do Pará (UFPA), em colaboração com a UFRA, está desenvolvendo técnicas para otimizar o beneficiamento do cacau de várzea. O projeto, apoiado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), visa explorar os distintos aromas e sabores do cacau, ampliando suas aplicações para além da indústria alimentícia, incluindo o setor de cosméticos. Fábio Moura, do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), enfatiza a importância de certificar as propriedades únicas do cacau para valorizar a produção local.

“Se você experimentar o chocolate desse cacau pode perceber que é bem diferente. Com uma certificação das propriedades, os produtores poderiam ter uma renda muito maior, pensando no potencial para chocolates finos, por exemplo”

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Fábio Moura, vice-diretor do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA) — Foto: Alice Martins Morais

Impacto socioeconômico e futuro da cacauicultura paraense

A produção de cacau no Pará não só lidera nacionalmente mas também representa um pilar econômico significativo, gerando cerca de 352 mil empregos diretos e indiretos. A pesquisa e inovação em curso prometem elevar a qualidade e o valor do cacau paraense, abrindo novos mercados e aumentando a renda dos produtores locais, muitos dos quais são pequenos agricultores familiares.

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 (Mondelez/Divulgação)

Avanços científicos na análise do cacau

Com o apoio técnico do Centro de Inovação do Cacau da Bahia, o CVACBA da UFPA está conduzindo estudos avançados sobre o cacau paraense, incluindo análises sensoriais e de compostos bioativos. Esta pesquisa não só visa aprimorar a qualidade do cacau produzido mas também explorar seu potencial em diversas indústrias, como a farmacêutica, destacando a diversidade genética e as propriedades únicas do cacau da região.

*Com informações UM SÓ PLANETA

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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