Maior Iceberg do mundo se desprende e ameaça vida animal na Antártida

Um colossal Iceberg com três vezes o tamanho de Nova York se soltou de seu local original e ameaça causar impacto na região. Causa ainda é incerta mas deve estar associada as mudanças do clima.

O iceberg conhecido como A23a emergiu na costa da Antártida em 1986. Contudo, logo ficou preso no Mar de Weddell, transformando-se numa gigantesca ilha de gelo.

Este colossal bloco de gelo tem uma área de aproximadamente 4 mil quilômetros quadrados, o que é mais de duas vezes maior que a área metropolitana de Londres, ou três vezes o tamanho de Nova York.

Recentemente, o A23a começou a se deslocar, estando agora a ponto de deixar as águas antárticas. Este é um fenômeno notável, dada a sua imensa largura e espessura de cerca de 400 metros.

O A23a e um verdadeiro colosso — e nao e so a largura dele que impressiona. — Foto Copernicus Sentinel 3 via BBC

O A23a se originou da plataforma de gelo Filchner na Antártida, durante um evento de separação em massa de icebergs. Naquele momento, uma estação de pesquisa soviética estava presente na região. A União Soviética realizou uma expedição para salvar equipamentos da base Druzhnaya 1, devido ao temor de perda devido ao iceberg. Depois disso, o A23a permaneceu ancorado nas lamas do Mar de Weddell por muitos anos.

Motivos da movimentação atual do A23a

Andrew Fleming, especialista em sensoriamento remoto da Pesquisa Antártica do Reino Unido, menciona que o A23a ficou imóvel desde 1986, mas começou a se movimentar em 2020 devido à perda de tamanho, permitindo-lhe deslocar-se livremente.

Iceberg — Foto Polar View via BBC

Nos últimos meses, o A23a se movimentou significativamente, influenciado por ventos e correntes. Atualmente, ele se dirige ao norte da Península Antártica. Como a maioria deles da região, espera-se que seja levado pela Corrente Circumpolar Antártica em direção ao Atlântico Sul, seguindo um caminho conhecido como “beco dos icebergs”. Este caminho foi utilizado pelo explorador britânico Ernest Shackleton em 1916. Grandes icebergs frequentemente terminam presos nas plataformas continentais rasas, como ocorre perto da Geórgia do Sul. Contudo, todos estão destinados a derreter eventualmente.

Cientistas estão observando atentamente o progresso do A23a. Há uma preocupação particular se ele encalhar na Geórgia do Sul, o que poderia afetar negativamente a vida selvagem local.

Iceberg — Foto BBC

Impacto na fauna

Se o A23a ficar preso na Geórgia do Sul, isso poderia perturbar a vida de milhões de focas, pinguins e aves marinhas que procriam na ilha, interferindo nas suas rotas de alimentação e na capacidade de nutrir seus filhotes.

Icebergs são frequentemente associados a perigos, como exemplificado pelo desastre do Titanic, mas eles também têm um papel vital no meio ambiente. Quando derretem, liberam minerais e nutrientes essenciais, contribuindo para as cadeias alimentares oceânicas.

Catherine Walker, do Instituto Oceanográfico Woods Hole, destaca a importância dos icebergs para a biodiversidade marinha. Eles são fontes de nutrientes e fomentam a atividade biológica nos oceanos. Catherine, que nasceu no mesmo ano que o A23a, sente uma conexão pessoal com essa “montanha de gelo”, reconhecendo a sua presença constante e impacto ao longo de sua vida.

Com informações do G1

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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