Da Verdade

Jesus, o Evangelho, não ensina a divisão, a violência, o uso de palavras e de notícias que não estejam baseada na verdade dos fatos.

ARTIGO DO CARDEAL LEONARDO STEINER

“Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega ao ponto de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo” (Fiódor Dostoevskij, Os irmãos Karamazov).

O viver humano que conduz à integridade e à convivência social saudável, fraterna, nasce do amor e da verdade. O amor como fonte das relações, a razão das relações, a força das relações. O amor que ilumina a verdade, não se expressa pela violência, pela agressão, pela desinformação, pelas notícias falsas. A verdade dá sentido ao viver humano, sentido de existir. A verdade que está acima da “minha verdade”, da “minha ideologia”.

Deixar-se guiar pela verdade em meio às acusações, ilações, inverdades, notícias falsas virou uma arte. Uma arte que eleva o ser humano, pois exercício de permanecer fiel ao que é digno de justiça e de fraternidade. É justamente nesse entremeio que se manifesta o que existe de digno, de nobre, de urbano, de fraternidade, de sensatez em cada pessoa. A mentira é degradação e desperta o que existe pior no ser humano.

Em meio às inverdades, no tempo de eleição, têm-se usado a religião para agredir, caluniar, angariar voto. A religião usada para desinformar, acusar. É lamentável e condenável o uso da religião para fins eleitorais. Usar a religião como meio de ameaça a fim de angariar voto tem cheiro de imoralidade.

As notícias falsas e o uso da religião têm deteriorado as relações na sociedade, nas comunidades, nas famílias. A inverdade separa, fragiliza as relações, pois cresce o distanciamento que se torna quase insuperável.

Temos obrigação como cidadãos, independente da vocação e do ministério, participar das discussões, das proposições, ao avaliar o voto. É lamentável que nas nossas comunidades católicas tenhamos lideranças, diáconos permanentes que tem postado notícias falsas levando a inverdades. Usar a religião, a posição de liderança, de ministério para enviar notícias falsas vai contra os ensinamentos de Jesus, diminui a autoridade e o ministério, o serviço.

Jesus, o Evangelho, não ensina a divisão, a violência, o uso de palavras e de notícias que não estejam baseada na verdade dos fatos. Participantes de procissões, tem demonstrado que o caminha juntos na fé, cuida das diferenças nas opções de voto, sem agressão, sem mentira.

Verdade
Diocese de São Carlos SP

A religião, quando expressão da fé, a realidade mais profunda do Mistério, é capaz de manter a lucidez, iluminar as opções. É que a religião como expressão do Mistério, não é ideologia, não é sectarismo, fundamentalismo religioso. Ela, quando expressão da fé, deixar ser na diversidade, na diferença, sem violência e agressão. Na fé não existem inimigos. Encontram-se diferentes que formam a fraternidade, a comunidade.

Cardeal Leonardo Steiner
Arcebispo de Manaus

Texto publicado em Arquidiocese Manaus

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...