Candidatos a governador do AM não prometem assegurar a ZFM

Boa parte destes eleitores pensam inocentemente que esta questão é um problema da indústria, onde não atuam, e não percebem que a indústria no Amazonas sediada em Manaus será a menos afetada num cenário com ausência de ZFM.

Por Juarez Baldoino da Costa
________________________________

Os Planos de Governo registrados no TSE dos 3 candidatos com maior intenção de votos para as eleições no Amazonas, não têm indicação de ações para tentar resolver o grave problema da insegurança jurídica da ZFM. É a atividade que, como está hoje, ainda será a principal responsável pelo funcionamento da economia do estado nos próximos 30 anos. Os outros 5 candidatos também não tratam do assunto. Este deveria ser o primeiro dos compromissos dos 8 candidatos, mas nenhum deles tem a resposta.

As sementes para os novos vetores econômicos fora da ZFM já veem sendo plantadas, felizmente, porém a relevância de seus frutos deverá estar madura somente a partir de 2053, e desde que não tenham sustentação somente com os mesmos velhos e combatidos incentivos fiscais. Se assim for, voltaríamos à estaca zero de mero continuísmo da ZFM.

Os planos de campanha fazem projeções e promessas baseadas na arrecadação que a ZFM mesmo insegura deverá proporcionar, sem haver, por isto, garantia de que serão exequíveis. Com a atual evolução da política industrial nacional de tendência mais liberal, menos tributante, a insegurança da ZFM, que é baseada em incentivos fiscais, tende a se agravar.

Por este motivo, os planos e promessas políticas a cada ano têm estado mais fragilizados e dependentes de um decreto ou de outro, de uma composição parlamentar ou de outra, e de decisões da justiça. As promessas não fazem nenhuma ressalva de que elas só poderão ser cumpridas se a ZFM não for reduzida ou não tiver sua vigência antecipada.

Como a maioria dos 2.648.000 eleitores amazonenses que decide a eleição é composta por expressiva parcela da população que sequer entende claramente a diferença entre ZFM e PIM, e por esta maioria ser 25 vezes maior do que os 106.000 empregados das fábricas de Manaus, pode ser que os candidatos avaliem que não é preciso ter esta preocupação de alerta e seguem alimentando esperanças de dias melhores com os frutos da economia insegura que apregoam.

ZFM
A Zona Franca de Manaus vêm sofrendo com uma falta de estabilidade devido a pressões de setores do mercado e do ministério da Economia para que se encerre os incentivos fiscais que a viabilizam

A ressalva pela verdade também causaria insegurança junto aos votantes e consequente perda de votos, além de causar confusão, dado que há eleitores que trabalham no agronegócio e no comércio do Amazonas, e que acham que estão fora do alcance da ZFM. Boa parte destes eleitores pensam inocentemente que esta questão é um problema da indústria, onde não atuam, e não percebem que a indústria no Amazonas sediada em Manaus será a menos afetada num cenário com ausência de ZFM.

Por outro lado, a realidade histórica brasileira em tratar os planos de governo de candidatos eleitorais em todo o país é de uma hipocrisia legal crônica, onde se promete o que angaria votos e, quando eleito, o empossado não cumpre o que não há interesse político e nenhuma sanção existe.
Os Planos de Governo registrados no TSE, portanto, e nada, são a mesma coisa.

Talvez também por isto os planos registrados para estas eleições sejam omissos quanto aos cuidados com o fortalecimento jurídico da ZFM.
Além de não haver resposta, e mesmo se existisse, qualquer que fosse ela, não seria necessário cumprir.

Juarez Baldoino da Costa 2
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
Juarez Baldoino da Costahttps://brasilamazoniaagora.com.br/
Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...