Governo cria GT para “reestruturar” Fundo Amazônia

Pouco mais de um mês após um relatório da Controladoria-Geral da República (CGU) expor a incompetência e má vontade do governo federal nos episódios que resultaram no congelamento do Fundo Amazônia, o ministério do meio ambiente anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir uma “reestruturação” da iniciativa. Segundo portaria publicada no Diário Oficial da União nesta 2a feira (25/7), o GT terá como papel “analisar e propor as estruturas de governança do Fundo Amazônia e seus objetivos como instrumento de financiamento das políticas públicas nacionais”.

O grupo será formado por representantes de diversas secretarias e departamentos dentro do MMA, totalizando quatro titulares e quatro suplentes. Os trabalhos se darão a partir de reuniões quinzenais e, segundo a portaria, poderão incluir a participação de “representantes da sociedade civil e de órgãos e entidades públicas, sempre que seus conhecimentos, habilidades e competências sejam necessários ao cumprimento de sua finalidade”. O colegiado terá um prazo de 60 dias, a começar em 2 de agosto, para apresentar suas considerações, com a possibilidade de uma prorrogação pelo mesmo período. Metrópoles deu mais informações.

A decisão do MMA deixa evidente que, a despeito do quadro dramático vivido pela Amazônia nos últimos meses, com uma escalada do desmatamento, o governo federal não pretende destravar os recursos do Fundo ainda neste ano. Aliás, nem o próprio presidente da República faz muita questão de esconder seu desprezo pela questão. Em fala durante evento agropecuário em São Paulo, o chefe do Executivo criticou aqueles que “preferem morrer de fome do que derrubar uma árvore”, em alusão às cobranças nacionais e internacionais direcionadas ao Brasil pela destruição da Amazônia. A Carta Capital repercutiu a fala do presidente.

Por outro lado, representantes do Parlamento Europeu demonstram mais preocupação com a questão do desmatamento no Brasil do que o presidente da República. No Valor, Daniela Chiaretti abordou o “choque” que membros da delegação de europarlamentares que visitou o país neste mês tiveram com a situação dos Povos Indígenas e das Comunidades Tradicionais na Amazônia. O grupo reafirmou que pretende pressionar a Comissão Europeia e os governos da União Europeia a restringir decisivamente a entrada de commodities que possam ter relação com o desmatamento no Brasil. “Queremos aumentar a due diligence das empresas que operam na floresta tropical. Ter uma moratória sobre madeira, soja e ouro até que o Estado de Direito seja restabelecido, e os Direitos Humanos e ambientais, respeitados”, disse o parlamentar francês Claude Gruffat.

Por fim, a Reuters destacou a sinalização de auxiliares do ex-presidente Lula, candidato à Presidência nas eleições de outubro, de reabrir as negociações do acordo comercial entre Mercosul e UE para incluir salvaguardas socioambientais mais fortes. “Tem que ser um acordo equilibrado que leve em conta o aquecimento global e a necessidade de desenvolvimento sustentável e, por outro lado, permita o desenvolvimento industrial com tecnologia de ponta que deve ser verde”, defendeu o ex-chanceler Celso Amorim.

Em tempo: A politização das Forças Armadas pelo atual governo federal criou um obstáculo no diálogo entre setores civis e militares no Brasil, especialmente em assuntos relacionados ao meio ambiente e à Amazônia. Para tentar preencher essa lacuna, representantes da sociedade civil e militares se articularam para criar o Centro de Soberania e Clima, que será lançado nesta 3afeira (26/7). A ideia é não apenas facilitar o diálogo entre os campos ambientalista e militar, mas também ressaltar as preocupações comuns dos grupos, como o combate à ilegalidade na floresta. Maria Cristina Fernandes abordou as convergências e divergências dessa aproximação no Valor.

Texto publicado originalmente por CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...