Justiça do RJ barra térmicas flutuantes na baía de Sepetiba

A Justiça do Estado do Rio de Janeiro determinou a suspensão imediata das instalação e operação de quatro usinas termelétricas flutuantes (UTE) que seriam instaladas na zona portuária da Baía de Sepetiba. O empreendimento é polêmico, já que a região possui alta sensibilidade socioambiental aos efeitos potenciais da operação dessas usinas, além do fato de elas representarem um contrassenso pela energia suja e cara que gerariam para os brasileiros.

Atendendo a uma ação movida pelo Instituto ARAYARA, a juíza Georgia Vasconcellos da Cruz, da 2ª Vara da Fazenda Pública do RJ, entendeu que o governo fluminense apresentou argumentação “frágil e insustentável” em sua defesa pela inexigibilidade de estudo de impacto ambiental e relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) do empreendimento. Essa dispensa visava acelerar o processo de instalação das usinas, contratadas no também polêmico leilão emergencial de energia feito pelo governo federal no ano passado, durante a crise hídrica. Essas UTE representam quase a metade (47%) da energia contratada nesse processo, com 560 MW dos 1,2 GW totais. 

“Essa decisão da Justiça foi uma vitória importante para a população do RJ e de todo o país, pois seria um grande equívoco operar usinas em meio a um santuário ecológico, ainda mais utilizando um combustível fóssil”, disse Nicole Oliveira, do ARAYARA. “A inexigência de estudos ambientais prévios para que a Karpowership [empresa responsável pelo empreendimento] pudesse instalar seu complexo de usinas térmicas flutuantes descumpre uma sentença judicial. Isso já caracteriza uma irregularidade grave, sem contar o atropelamento dos processos de licenciamento e os danos ambientais já causados à região”. O Valor também repercutiu a decisão judicial.

Em tempo 1: A energia mais cara, além do novo marco legal para geração distribuída, deve fazer com que a geração solar experimente uma expansão histórica no Brasil neste ano. A expectativa do setor é a de que a capacidade instalada do país praticamente dobre até dezembro, chegando a quase 25 GW médios – duas vezes a capacidade máxima da usina hidrelétrica de Itaipu, a maior do país. O Globo destacou a corrida de consumidores e empresas para aproveitar o mercado solar aquecido.

Em tempo 2: No Estadão, Eduardo Geraque abordou os caminhos e os obstáculos para que o Brasil finalmente aproveite a geração de energia a partir do lixo. No ano passado, a primeira usina desse tipo foi contratada pelo governo federal: localizada em Barueri (SP), ela deverá produzir ao menos 12 MW a partir de 2025, ao custo de R$ 549/MWh. Mas o potencial ainda não explorado é bem significativo: estimativas da Associação Brasileira de Recuperação Energética de Resíduos (ABREN) indicam que, com 56% do lixo urbano produzido nas regiões metropolitanas do Brasil (com mais de 1 milhão de habitantes), seria possível abastecer 27 milhões de residências.

Texto publicado originalmente em CLIMA INFO

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Água em risco: como a poluição ameaça a vida nos rios do planeta e o que pode ser feito agora

Com a maior rede hidrográfica do planeta e uma biodiversidade aquática extraordinária, o país está no centro desse debate. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios conhecidos: saneamento insuficiente, poluição por mineração, expansão agrícola e impactos das mudanças climáticas. A Amazônia, por exemplo, já apresenta sinais de contaminação por plásticos e outros poluentes, evidenciando que nem mesmo regiões consideradas remotas estão imunes

Terras raras no Brasil entram no centro da disputa por soberania nacional

Terras raras no Brasil entram na disputa global, com Lula defendendo soberania mineral diante de pressões externas e impactos ambientais.

Mineração sustentável é possível? Transição energética expõe dilema

Mineração sustentável é possível? Avanços tecnológicos enfrentam limites ambientais, pressão sobre ecossistemas e desafios da transição energética.

O mundo mudou — e a Amazônia precisa reagir antes de ser empurrada

Entrevista | Denis Minev ao Brasil Amazônia Agora Empresário à...