Amazonas é o 2º em Cabotagem no Brasil

Por Fabíola Abess

A navegação entre portos do mesmo país, definição para a alternativa de transporte chamada “Cabotagem” tem um dado interessante sobre o Amazonas: o Estado é o 2o em Cabotagem no país. Estas e outras informações foram levadas para a mesa da V edição do Fórum de Logística de Indústria, uma realização da Coordenadoria do Sistema de Transporte e Logística, Infraestrutura, Energia e Telecomunicações (CINFRA) da FIEAM, coordenada pelo professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e diretor adjunto da FIEAM, Augusto César Barreto Rocha.

Segundo a Abac, Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), entidade que tem como finalidade contribuir para a expansão do transporte marítimo de cabotagem, bem como a integração com os países do Mercosul, anualmente são movimentados mais de 1 milhão de contêineres de 20 pés, em vários segmentos, e mais de mais 2,5 milhões de toneladas em cargas de químicos, petroquímicos e biocombustíveis, entre os portos brasileiros.

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“Cabotagem – Oportunidades para os empresários de Manaus”, contou com presença de público nesta terça-feira, 21, na Federação das Indústrias do Estado do Amazonas – FIEAM Auditório Gilberto Mendes de Azevedo, localizada na avenida Joaquim Nabuco, 1919 e participação do economista, empresário, presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus (SIMMMEM), conselheiro do CIEAM e vice-presidente da FIEAM, Nelson Azevedo, quem fez a abertura do evento.

“Essa discussão é muito importante para a logística do Amazonas, que é o transporte de cargas pelos rios que são nossas verdadeiras estradas, porque rodovias não temos, quem quiser conhecer é só ver a AM-010, que atualmente está impraticável, a cabotagem tem crescido em importância no Brasil, aqui em nossa região possuímos a maior bacia hidrográfica do país, mas também temos uma deficiência secular em infraestrutura com quase nenhum investimento para a redução das desigualdades que temos em relação com o restante do país, tem sido insignificantes os investimentos chegando a apenas 0,25% do nosso PIB”, disse Azevedo em discurso de abertura.

Nelson destacou os investimentos em transporte aquaviário que empresários fizeram nos últimos anos, o que trouxe alternativas para encurtar as distâncias dentro do estado do Amazonas. “Empresários regionais estruturaram terminais e porto privativo com condições competitivas e apropriadas para embarcações de maior porte, aqui eu menciono o Porto Chibatão e seu concorrente Superterminais foram fundamentais para Zona Franca de Manaus, no futuro com certeza estes empresários serão lembrados por terem feito o que deveria o setor público”.

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Logística da Amazônia

O idealizador do evento, professor Augusto Rocha, fez a mediação das palestras e os destaques da mesa. “Era falado que tinha que ter frequência para poder ter carga, a oferta gera a demanda e não o contrário, isso está na literatura de transportes e algumas empresas e alguns armadores acreditaram nisso e isso foi muito importante, dia sim e dia não tem navio chegando em Manaus, isso é fantástico. Eu queria destacar também essa questão da perda de volume de carga que a gente movimenta para a Argentina, a gente tem uma exportação significativa do Polo Industrial de Manaus com destino a Argentina e isso talvez tenha impacto local”, observou.

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Oportunidades para Manaus

As alternativas em Cabotagem para a região foram abordadas em palestra pelo diretor executivo da Abac, Luis Fernando Resano, que trouxe as oportunidades que os segmentos de Indústria e Comércio do Amazonas podem ter com esta modalidade de transporte, seja no recebimento como no envio de cargas. A BR do Mar, o programa de incentivo à Cabotagem no Brasil foi apresentado como um ponto forte para a ampliação da modalidade em Manaus. “O programa foi criado para ampliação da tonelagem e é exatamente aqui que está a convergência com Manaus, nós temos empresas brasileiras que têm navio próprio, se elas tiverem mais carga elas estarão prontas para trazer mais navios e aí há uma proporcionalidade a ser definida pelo Ministério da Infraestrutura, se for três vezes, quem tiver três navios poderá trazer nove navios para fazer esse transporte”, destacou o palestrante.

Movimentação de Cargas

De acordo com os dados de movimentação de carga mês a mês em Manaus da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), analisados pelo diretor da Abac, há um grande movimento de multimodalidade, “peguei mês a mês a movimentação de cargas aqui em Manaus, olhem que curiosamente a quantidade de cargas porta a porta mostrando o grande movimento da multimodalidade, isso é muito relevante, é quase passando de 50% e ainda tem as cargas porto porta e porta-porto-porto, os números aqui apenas para dar uma representatividade, é muito importante isso, há uma certa sazonalidade, um crescimento das cargas, isso é fruto do mercado, época de Natal, os Black Fridays e eu fiz um trabalho pelo número de atracações em Manaus.

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Case Operação Chibatão

Jhony Fidelis, diretor executivo geral do Porto Chibatão, apresentou um painel sobre a operação deste porto privado em Manaus. O Chibatão, segundo Fidelis, é o único porto do Brasil a ter área dedicada para movimentação de cabotagem com pátios exclusivos para essa operação e pátios para operação de longo curso para que a matéria prima em nenhum momento leve impactos na operação do produto acabado; e o produto acabado na operação da importação.

“Manaus tem uma estrutura tão moderna quanto o sul-sudeste do Brasil e algumas tecnologias até mais [modernas] do que no Brasil, o que acontecia é que os portos não davam aquela abertura para alinhar expectativas do cliente, mas depois de ter feito um trabalho envolvendo FIEAM e CIEAM a gente conseguiu colocar para o Porto Chibatão, o que era esperado sobre deficiências e gargalos para trabalhar nas soluções para o mercado” disse o diretor.

Considerado um dos maiores complexos portuários privado da América Latina com 1 milhão de metros quadrados, o Porto Chibatão está localizado no coração do Polo Industrial de Manaus com capacidade de carga estática de 40 mil TEU’s em toda sua estrutura, a qual fica à disposição de importantes Armadores como Hamburg Süd, Maersk Mercosul Line, Log-In, CMA-CGM, MSC e também de navios de carga geral e produtos siderúrgicos que se destinam ao PIM.

Fonte: Comunicação SIMMMEM

Redação BAA
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Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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