Bolsonaro se aproxima da Amazônia com o Forest Deal

”…recursos para pesquisa e desenvolvimento insuficientes há décadas e um consequente e paralisante vazio científico…”

Juarez Baldoino da Costa
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O paulista Jair Bolsonaro, Presidente da República, exerceu mandatos em Brasília por cerca de 30 anos e foi morador do Rio de Janeiro antes de assumir a presidência. Ricardo Salles, também paulista, político e advogado, foi ministro do Meio Ambiente, sucedido em junho de 2021 pelo também paulista Joaquim Leite, Administrador de Empresas. Todos os 3 com influencias diretas ou indiretas no comando principal da política para a Amazônia, embora com apenas 3 anos de atuação.

Pela trajetória destas autoridades, não foi possível de fato que pudessem ter condição de ter estudado a Amazônia tanto quanto talvez desejassem. Presidentes e ministros anteriores também não tiveram esta oportunidade.

Djalma Batista, Samuel Benchimol, Humboldt, Ozório Fonseca, Leandro Tocantins e muitos outros, dedicaram décadas de suas vidas a estudar a região. Há ainda centenas de trabalhos igualmente importantes realizados por cientistas e pesquisadores contemporâneos. Não tem sido possível absorver este conhecimento e muito menos convertê-lo em fundamentos para propor ou executar políticas amazônicas.

Durante a campanha política de 2018, Bolsonaro apresentou várias promessas e/ou ideias relacionadas à Amazônia, entre elas a questão da mineração, do uso de recursos florestais, do tamanho das terras indígenas, das ONG´s, dos recursos internacionais e sobre a política externa.
Comparando as posições de 2018 com as de 2021 se percebe que houve um ajustamento da visão do PR, decorrente da realidade a ele revelada pela aproximação com a Amazônia que ele precisou buscar para melhor cumprir sua função presidencial. A assinatura do Forest Deal na COP26 está nesta linha.

Não é novidade no estilo do presidente rever posições, pois em várias ocasiões e em diversos temas ele se mostrou disposto a aquiescer e declarar novas convicções, se vergando ao sensato e à razão.

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Amazônia – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

A 5ª. maior porção geopolítica do planeta, maior que o próprio Brasil sem ela, bruta em algumas áreas, inacessível em outras, rica em recursos naturais, muitos deles com preço mas sem valor econômico ainda, com a menor taxa de infraestrutura pública do país, densidade demográfica de 1,5 habitantes/Km² em mais de 95% de seu território, que tem locais menos conhecidos do que partes da Lua, contendo extremos geográficos como a mais baixa altitude em relação ao nível do mar em Tabatinga e o Pico da Neblina, a montanha de maior altitude do país, com recursos para pesquisa e desenvolvimento insuficientes há décadas e um consequente e paralisante vazio científico, que abriga povos sem endereço e sem nome, desconhecidos e que sequer conhecem a sociedade civil, de fato não é tarefa das mais simples para dominar e compreender, quiçá gerir.

Há uma Amazônia mais econômica que se move e se aproxima de Bolsonaro mais facilmente, mas a Amazônia real e genuína precisa que se aproxime dela, porque ela é a raiz e raiz não se move, a não ser para morrer.

As ideias ainda se vergam para a Amazônia.

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Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.
Juarez Baldoino da Costa
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Juarez Baldoino da Costa é Amazonólogo, MSc em Sociedade e Cultura da Amazônia – UFAM, Economista, Professor de Pós-Graduação e Consultor de empresas especializado em ZFM.

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