Estudo reforça discurso negacionista de Bolsonaro nos primeiros seis meses de pandemia

Lira Luz Benites Lázaro diz que falas do presidente subestimaram a seriedade da pandemia, estimularam a desinformação como estratégia política e promoveram a pseudociência

Um estudo da Universidade de Cape Town, da África do Sul, em parceria com a Fiocruz, Fundação Getúlio Vargas e a Universidade de São Paulo, revela um padrão no discurso do presidente Jair Bolsonaro sobre a pandemia. Foram analisadas mais de 7 mil notícias, que levaram à conclusão de que o presidente se utiliza de um discurso padrão negacionista e pseudocientífico. Lira Luz Benites Lázaro, que é pós-doutoranda da Faculdade de Saúde Pública da USP e uma das autoras do estudo, esclarece alguns dados ao Jornal da USP no Ar 1° Edição.

“Nossa preocupação com o projeto era justamente fazer uma análise comparada das respostas e das políticas no enfrentamento da covid-19”, diz. A pesquisadora explica que o estudo compilou e filtrou notícias com palavras-chave relacionadas à pandemia de quatro jornais de maior circulação no País, nos primeiros seis meses de pandemia no Brasil. Nesse período, foram encontrados 7.200 artigos com as características filtradas. “Utilizamos um método dinâmico para visualizarmos as probabilidades e os contextos dos discursos. Foi um método que misturou uma pesquisa quantitativa, mas também qualitativa”, explica.

A análise do estudo constatou quatros agrupamentos de resultados relacionados ao presidente Bolsonaro. “O que nós pudemos mostrar e verificar foi que as falas do presidente subestimaram a seriedade da pandemia, estimularam a desinformação como estratégia política e promoveram a pseudociência, enfraquecendo as ações do Ministério da Saúde”, explica. Lira ainda destaca que o estudo constatou uma relação muito próxima entre o discurso negacionista do presidente em relação às pautas ambientais com a fala dele ao longo da pandemia.

“Nossos resultados também mostraram como houve uma descoordenação entre os governos federal, Estados e municípios”, ressalta. A falta de organização governamental diante dos primeiros meses da pandemia confundiu a população, explica Lira, que se via dividida em seguir as orientações do local onde mora e o discurso do presidente da República, por exemplo. Ainda de acordo com a pesquisadora, o estudo continua analisando os discursos e já tem dados referentes ao primeiro ano do Brasil na pandemia. “Vai ser muito importante conhecer não só os discursos do presidente, mas também de outros atores do governos e sociais”, conclui.

O projeto é financiado pela Fapesp e coordenado pela professora Elize Massard da Fonseca, em parceria com outros especialistas, como Nicoli Nattras, pesquisadora da África do Sul, e Francisco Inácio Bastos, da Fiocruz. “Esse estudo é importante porque mostra uma análise comparada das respostas dos governo de cada país sobre o que foi e ainda está sendo feito em relação à pandemia”, finaliza.

Confira o estudo completo aqui.

Fonte: Jornal da USP

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

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