União Europeia confirma proibição de pesticidas prejudiciais às abelhas

No início de maio, a Suprema Corte da União Europeia manteve a proibição de três pesticidas em algumas culturas (milho, canola e cereais). A decisão confirma a proibição de um tribunal europeu em 2018, que a Bayer tentou anular com um recurso apresentado pela empresa.

A proibição envolve três substâncias ativas – imidacloprida desenvolvida pela Bayer CropScience, clotianidina desenvolvida pela Takeda Chemical Industries e Bayer CropScience, e tiametoxam da Syngenta. As substâncias são conhecidas como neonicotinoides e estão ligadas à morte de abelhas.

Um porta-voz da Bayer defendeu a segurança dos produtos, que continuam a ser usados ​​em outros países, como o Brasil. A empresa afirma que não existem comprovações científicas que justifiquem as restrições.

Apesar de proibidas, estas substâncias tiveram o seu uso emergencial autorizado 206 vezes na União Europeia, entre os anos de 2013 e 2019. Auditores afirmaram que, em 2020, o uso de pesticidas, mesmo sendo ilegal, levou à morte em massa das polinizadoras.

A decisão da Suprema Corte foi pautada justamente em relatos de perdas de colônias de abelhas, ligadas ao mau uso dos pesticidas. “A decisão mostra que a proteção da natureza e da saúde das pessoas tem precedência sobre os estreitos interesses econômicos de multinacionais poderosas”, disse a estrategista jurídica do Greenpeace Andrea Carta.

Para proteger as abelhas, a União Europeia propõe a redução do uso de pesticidas químicos pela em 50% e do uso de fertilizantes em 20% até 2030.

Brasil

agrotóxico
Aprovação de agrotóxicos em 2020 foi recorde no Brasil. Foto: Pixabay

Segundo relatório do Greenpeace , o Brasil é o terceiro maior consumidor de pesticidas do mundo e utiliza muitas substâncias que não são permitidas na UE. Em 2019, 44% das substâncias aprovadas no Brasil não eram liberadas na UE. Além disso, 70% dos pesticidas usados no Brasil são classificados como altamente perigosos.

“Em abril de 2021, 3.231 pesticidas eram aprovados no Brasil. O governo Bolsonaro emitiu o recorde de 1.172 autorizações em apenas 845 dias de governo, sendo responsável por 36% de todos os pesticidas que podem ser comercializados legalmente no Brasil”, diz o texto.

Impacto nas abelhas

Um estudo realizado por biólogos brasileiros sugere que o efeito dos agrotóxicos sobre as abelhas pode ser maior do que se imagina. Mesmo quando usado em doses consideradas não letais, um inseticida encurtou o tempo de vida dos insetos em até 50%. Além disso, os pesquisadores observaram que uma substância fungicida considerada inofensiva para abelhas alterou o comportamento das operárias, tornando-as letárgicas – fato que pode comprometer o funcionamento de toda a colônia.

É um fato conhecido que diversas espécies de abelhas estão desaparecendo em todo o mundo. Na Europa e nos Estados Unidos, o fenômeno tem sido observado desde o ano 2000. No Brasil, desde pelo menos 2005. No Rio Grande do Sul, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019, foi registrada a perda de aproximadamente 5 mil colmeias – algo equivalente a 400 milhões de abelhas.

abelha 2
Foto: iStock by Getty Images

E não estão desaparecendo apenas os indivíduos da espécie Apis mellifera, abelha de origem europeia e principal responsável pela produção comercial de mel. Nas matas brasileiras, há centenas de espécies selvagens possivelmente afetadas. O impacto econômico previsto é imenso, pois grande parte da agricultura depende do trabalho de polinização realizado por esses insetos. É o caso, por exemplo, de todas as frutas comestíveis.

A causa do sumiço repentino em massa também já é conhecida: a aplicação indevida e indiscriminada de defensivos agrícolas. Compostos químicos como inseticidas, fungicidas, herbicidas e acaricidas contaminam as abelhas que saem da colônia em busca de pólen e acabam atingindo toda a colmeia. Uma vez dentro da colônia, tais compostos são ingeridos pelas larvas, comprometendo sua longevidade e o funcionamento da colônia como um todo.

Fonte: CicloVivo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

O acordo Mercosul-União Europeia e a nova geografia da competitividade

Em tempos de guerras tarifárias e reorganização das cadeias...

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 cidades 

Chuvas no Rio Grande do Sul afetam quase 60 mil pessoas em 218 municípios, deixam 488 desabrigados e mantêm rios sob alerta de inundação.

Enchentes no Rio Grande do Sul revivem riscos de 2024 e expõem fragilidades 

Enchentes no Rio Grande do Sul atingem 169 municípios, deixam mais de 1000 fora de casa e mantêm o alerta para novas chuvas.

Crime organizado na Amazônia ameaça povo indígena na fronteira entre Brasil e Peru

Crime organizado na Amazônia avança sobre terras indígenas, ameaça lideranças ashaninka e pressiona Brasil e Peru a reforçarem a segurança.

Como se preparar para enfrentar os efeitos da estiagem severa é tema do Diálogos Amazônicos

"Fundação Getulio Vargas (FGV) promove, na próxima segunda-feira (27),...