Levantamento mostra aumento de imóveis rurais irregulares registrados no CAR

Mesmo antes da aprovação do novo PL que dinamita o sistema de licenciamento ambiental no Brasil, os grileiros já estão fazendo a festa na Amazônia. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Socioambiental (ISA), apenas nos últimos dois anos, sob o governo Bolsonaro, o número de imóveis rurais irregulares registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) cresceu 56%. Não coincidentemente, essas áreas também testemunharam neste período uma explosão do desmatamento: nos terrenos registrados no CAR dentro de Terras Indígenas e Unidades de Conservação, a destruição florestal cresceu 63% entre 2018 e 2020. Nas florestas públicas não destinadas, por sua vez, o aumento da área com sobreposição de registros do CAR foi de 29% em relação a 2018. Ao mesmo tempo, o desmatamento nessas áreas quase que duplicou, com um aumento de 98% (de 185 mil hectares para 367 mil).

Esses dados mostram como os grileiros estão deturpando o CAR para reivindicar áreas ocupadas ilegalmente em processos de regularização fundiária. Com as repetidas promessas do governo Bolsonaro para facilitar a vida desses criminosos, as áreas de proteção e de floresta não destinada se tornaram ainda mais vulneráveis à grilagem. “Está mais fácil invadir terras públicas e isso aqueceu o mercado de terras, aumentando a especulação fundiária e tornando a grilagem ainda mais rentável”, explicou Antonio Oviedo, um dos pesquisadores do ISA envolvidos nesta análise.

O levantamento também documentou casos de destaque na Amazônia, como o de um grileiro em Altamira (PA) que registrou um imóvel rural com sobreposição de 98,2% a uma floresta pública não destinada. Cerca de 50% dessa área foi desmatada em maio de 2020, superando o limite estabelecido pelo Código Florestal. Outro caso é o de um imóvel rural ilegal em Novo Progresso (PA), região que se tornou famosa em 2019 ao promover o chamado “Dia do Fogo” no auge das queimadas amazônicas naquele ano.

G1 e O Globo repercutiram as conclusões do estudo.

Fonte: ClimaInfo

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal BrasilAmazôniaAgora

Artigos Relacionados

Flores venenosas podem inspirar remédios contra dor, câncer e malária 

Flores venenosas ajudam cientistas a reproduzir moléculas com potencial para desenvolver medicamentos e soluções agrícolas mais sustentáveis.

Projeto prevê recuperar 600 mil hectares de vegetação nativa

Projeto Restaura Biomas pretende recuperar 600 mil hectares de vegetação nativa nos seis biomas brasileiros até 2030.

Quando a Amazônia deixa de produzir seu próprio alimento

"Na Amazônia, essa escolha ajudará a definir se a...

Idesam divulga selecionados para etapa do Desafio Bioinovação Amazônia

Idesam divulga os 50 selecionados do Desafio Bioinovação Amazônia, que desenvolverão soluções sustentáveis para a sociobiodiversidade.

Inteligência Artificial em Conversa com Mariana Leite – Episódio 1

"Quando falamos em Inteligência Artificial, normalmente pensamos nos modelos....