Inovação e sustentabilidade: a governança amazônica

Como elucidar a chave das fragilidades e potencialidades amazônicas? No contexto do debate acadêmico e de mercado, já existe a clareza e a certeza de que inovação é o instrumento necessário para fazer com que velhas tarefas sejam operadas de um modo novo, criativo e eficiente. A par disso, passamos a entender sustentabilidade como fator de superação da civilização predatória que sabe usar e promover a renovação dos recursos naturais para atendimento das demandas sociais. A posse dessas duas premissas nos remete a uma nova concepção de governança, que explicita o ato de administrar como metodologia da transparência e da partilha de resultados, um novo movimento onde todos têm oportunidades e responsabilidades com os conteúdos, os processos e os produtos das ações de interesse comum.

Nesse patamar, Gestão da Amazônia, o último jardim do mundo, projeta nosso futuro comum, ao futuro da Gaia, onde a economia e a ecologia se confundem na tarefa de atender as demandas socioeconômicas e ambientais. Este é o paradigma e o legado do Polo Industrial de Manaus e demais integrantes do setor produtivo na economia incentivada de Manaus.

Essa visão de mundo, porém, é anterior 1967, ano da criação da Zona Franca de Manaus. E ela resulta do legado deixado pelos empreendedores da Amazônia que criaram soluções para recompor a dinâmica do desenvolvimento com a queda do I Ciclo da Borracha, no início do século XX, depois de três décadas de pujança da árvore da fortuna.

A seringueira respondeu por 45% do PIB do Brasil durante três décadas. A oportunidade, entretanto, foi entregue, por indolência e incompetência, como o principal ativo da economia inglesa dos anos 1910 em diante.

Refletir sobre essa dinâmica de gestão ineficaz do patrimônio amazônico, sempre visa responder a um de nossos mais emergenciais desafios, o imperativo inadiável de transformar potencialidades naturais em prosperidade social. Uma virada de concepção, sonhada e descuidada da Amazônia, do ponto de vista de nossa gente, da inteligência local, resguardando e maturando a gestão eficaz e competente da imensidão de negócios em favor de quem aqui vive.

Fomos buscar naqueles pioneiros e empreendedores amazônidas, vindos da diáspora israelense, árabe, asiática, nordestina brasileira, aqueles que reergueram a economia da Amazônia com a quebra do Ciclo da Borracha, que se repetirá com o encerramento da II Guerra Mundial.

O pioneirismo e empreendedorismo deles levaram a Amazônia a consolidar uma vocação de economia permanentemente vinculada à ecologia. Seus valores se revelam na busca de soluções para os desafios estruturais da Amazônia. Foram sábios em implementar e avaliar soluções para os desafios dessa esfinge chamada Hileia, que nos devora quando descuidamos de decifrar seus mistérios. Foram visionários na construção de parcerias duradouras com instituições dedicadas a formação de lideranças capazes de implementar soluções.

De olho na qualificação dos jovens, entre os desafios emergenciais, eles se deram conta de que na floresta poucas demandas são tão relevantes como qualificar as novas gerações de olho nas iniciativas bem resolvidas, instrumentalizar e motivar na preparação e execução de projetos, compartilhar lições, reflexões, saberes e fazeres.

No desfecho da Conferência de Gestão da Amazônia, reitores da região, dirigentes das instituições de ensino e pesquisa, alem das organizações públicas e não governamentais, assinaram um pacto de qualificação permanente, inclusiva, holística e inovadora, na perspectiva da sustentabilidade para mobilizar novas lideranças, a formulação de metas e produtos dentro das métricas transparentes e coerentes com a Amazônia que somos e o futuro que todos pretendemos. Este bastão e essa utopia, como antecipação de realidades possíveis, ora sob a responsabilidade compartilhada de coordenação entre UEA e USP, já se espalham nos corações e mentes de quem vive e vivifica a Amazônia. Isto é alentador.

Redação BAA
Redação BAA
Redação do portal Brasil Amazônia Agora

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