30 destinos para conhecer o ecoturismo na Amazônia

A floresta além do mapa, conheça lugares do ecoturismo na Amazônia onde natureza, comunidade e conservação caminham juntas.

Em 2023, o Brasil foi eleito o melhor país do mundo para a prática de ecoturismo pela revista Forbes. O país alcançou 94,9 de 100 pontos no Índice de Ecoturismo, ficando à frente de destinos consagrados como México, Austrália e Equador. O destaque veio pela incomparável biodiversidade brasileira, mais de 43 mil espécies de animais e plantas espalhadas por biomas que vão da Caatinga à Floresta Amazônica.

Segundo o Ministério do Turismo, o ecoturismo é um segmento que promove o uso sustentável do patrimônio natural e cultural, estimula a consciência ambiental e contribui para o bem-estar das populações locais. O crescimento do ecoturismo é uma tendência global.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o ecoturismo é o segmento que mais cresce no setor, com avanço médio de 5% ao ano. O Brasil desponta nesse cenário, o ecoturismo já representa 60% do faturamento do turismo nacional, cresce cerca de 20% ao ano e movimenta, só na Amazônia, aproximadamente US$ 2,3 bilhões.

O ecoturismo na Amazônia tem se consolidado como uma alternativa real ao extrativismo predatório. Além de gerar renda para comunidades ribeirinhas e indígenas, fortalece cadeias produtivas da bioeconomia e ajuda a proteger espécies emblemáticas como o pirarucu, os jacarés e as onças-pintadas. O ecoturismo na Amazônia é uma forma de manter a floresta em pé e valorizar os modos de vida de quem sempre viveu em harmonia com ela.

De trilhas em meio à mata fechada a passeios de canoa por igarapés, encontros com botos-cor-de-rosa e visitas guiadas por povos da floresta, o ecoturismo amazônico oferece experiências que unem natureza, ciência e cultura. Nesta matéria, reunimos 30 destinos que mostram a riqueza do ecoturismo na Amazônia.

Lodges, reservas e terras indígenas para imersão profunda

Para quem deseja vivenciar o ecoturismo na Amazônia longe das rotas mais convencionais, os lodges e reservas florestais oferecem uma experiência de imersão total. Instalados em áreas remotas e muitas vezes acessíveis apenas por rio ou avião, esses locais combinam conforto rústico, contato direto com a biodiversidade e programas voltados à conservação ambiental. Em muitos deles, o ecoturismo se entrelaça com pesquisa científica, educação ambiental e a valorização dos saberes locais, proporcionando não só descanso, mas também aprendizado e transformação.

Na Amazônia, o ecoturismo ganha ainda mais potência quando nasce das próprias comunidades que habitam a floresta. O ecoturismo de base comunitária é construído a partir dos saberes e modos de vida de povos ribeirinhos, indígenas e extrativistas que, além de acolher visitantes, compartilham sua relação ancestral com o território. Nesses destinos, o visitante troca a lógica do consumo pela vivência e aprende sobre o uso sustentável dos recursos, participa do cotidiano das famílias locais, além de  fortalecer economias iniciativas da bioeconomia. 

Uakari Floating Lodge (AM)

Instalado sobre as águas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a primeira do Brasil, o Uakari Lodge é referência em ecoturismo de base comunitária e conservação. Criado em 1998, combina ecoturismo com pesquisa científica e protagonismo das populações locais, gerando renda para as comunidades. A hospedagem flutuante minimiza o impacto ambiental durante variações sazonais de cheia e seca.

O local oferece trilhas interpretativas na floresta de várzea, passeios de canoinha a remo, observação da fauna ao entardecer e visitas às comunidades ribeirinhas, guiadas por pesquisadores e ribeirinhos para proporcionar um conhecimento maior sobre a ecologia e os desafios de conservação da Amazônia.

Também há experiências privativas, como birdwatching e jornadas fotográficas, com roteiros flexíveis. Por se localizar em área remota, o acesso depende de um voo até a cidade de Tefé e um traslado aquático (realizado pela própria equipe do Uakari).

Anavilhanas Jungle Lodge – AM

Próximo ao município de Novo Airão, o Anavilhanas Jungle Lodge oferece hospedagem de luxo à beira do Rio Negro, com acesso privilegiado ao Parque Nacional de Anavilhanas, o maior arquipélago fluvial do mundo. Imerso na floresta, o lodge combina conforto e natureza, com atividades como passeios de barco entre as ilhas, focagem noturna de jacarés, trilhas e pesca esportiva. Visitantes também podem interagir com os botos-cor-de-rosa, atividade regulamentada na região.

Mesmo com padrão elevado de estrutura, o lodge promove o ecoturismo na Amazônia e valoriza a conservação do entorno por meio de experiências educativas. Pode se chegar ao Lodge por meio de traslado térreo, incluso na diária, ou hidroavião partindo de Manaus (AM).

Amazon Turtle Lodge – AM

Na floresta primária do município de Careiro, às margens do Rio Mamori, o Amazon Turtle Lodge foi fundado por um morador local, com o objetivo de promover o contato direto com a biodiversidade amazônica e a cultura ribeirinha. A programação do hotel de selva inclui passeios pelos igarapés em canoas motorizadas, visita ao Encontro das Águas, observação de fauna, como botos e jacarés, e uma imersão no cotidiano de comunidades locais. O acesso depende de uma logística combinada entre trechos rodoviários, fluviais e terrestres que partem de Manaus.

A programação do hotel de selva inclui passeios pelos igarapés em canoas motorizadas, visita ao Encontro das Águas, observação de fauna, como botos e jacarés, e uma imersão no cotidiano de comunidades locais. O acesso depende de uma logística combinada entre trechos rodoviários, fluviais e terrestres que partem de Manaus.

Ecopousada Tariri (AM)

Localizada em uma área de floresta preservada próxima a Manaus, a pousada oferece uma imersão amazônica em meio a igapós, terra firme e praias de rio. A experiência é conduzida por guias experientes e inclui trilhas na selva, passeios de canoa motorizada e focagem noturna de animais como jacarés e macacos.

A interação cultural é parte da proposta, com visitas a casas de mandioca e comunidades de pescadores. Construída sobre palafitas para minimizar impactos ambientais, a pousada aposta em educação ambiental e valorização da cultura amazônica como caminhos para a conservação. O acesso é feito por meio de um traslado que combina transporte fluvial e terrestre, partindo de Manaus.

Cristalino Lodge e a RPPN Cristalino (MT)

No sul da Amazônia, em Alta Floresta (MT), o Cristalino Lodge está inserido em uma das áreas mais bem preservadas da região, dentro da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cristalino, com mais de 11 mil hectares de floresta protegida. Voltado para o ecoturismo na Amazônia de alto padrão e a pesquisa científica, o lodge oferece experiências imersivas como trilhas interpretativas, torres de observação de até 50 metros de altura e passeios de canoa no Rio Cristalino.

A reserva abriga mais de 600 espécies de aves, como o galo-da-serra e a ararajuba, além de macacos, lontras e borboletas raras. Referência em ecoturismo na Amazônia e conservação privada, o Cristalino combina natureza, ciência e educação ambiental, sendo um destino privilegiado para observadores de aves, fotógrafos e viajantes em busca de experiências.

A alta temporada, de junho a outubro, coincide com o período de seca, com clima mais estável e trilhas em melhores condições — concentrando cerca de 65% da visitação anual. Já a baixa temporada, de dezembro a maio, é marcada pelas chuvas, que deixam a floresta mais verde e os rios com maior volume, oferecendo uma experiência diferente, mais selvagem e exuberante. O acesso é feito por voo comercial até o Aeroporto de Alta Floresta (AFL), seguido por traslado terrestre até o Rio Teles Pires e, então, barco ou canoa até o lodge.

RDS Puranga Conquista (AM) 

Nos limites da RDS Puranga Conquista, a comunidade ribeirinha de Bela Vista do Jaraqui, em Manaus, é referência em ecoturismo de base comunitária na Amazônia. Toda a gestão das atividades é feita pelos próprios moradores, garantindo autonomia, renda local e preservação do território. As experiências incluem trilhas na selva, observação de fauna e flora, esportes leves e vivências culturais que revelam o modo de vida ribeirinho.

A comunidade também atua na conservação ativa, com projetos de devolução de quelônios à natureza. O turismo no local fortalece a floresta, a cultura local e a inclusão social. O trajeto até a Comunidade parte de Manaus a partir de transporte terrestre e depois pelas voadeiras (lanchas rápidas) ou barcos regionais que navegam o Rio Negro.

Reserva Extrativista Rio Branco-Jauaperi (AM)

Na região mais remota da Reserva Extrativista Rio Branco-Jauaperi, a comunidade de Xixuaú é exemplo de ecoturismo na Amazônia de base comunitária com impacto global. O ecolodge é administrado pela CoopXixuaú, cooperativa extrativista formada por moradores locais que lideram todas as atividades e garantem o retorno direto para a comunidade.

Com foco na conservação da floresta e na melhoria da qualidade de vida, o ecoturismo no local é ao mesmo tempo ferramenta de defesa territorial e de geração de renda. Trilhas, passeios de canoa e vivências educativas são conduzidos por guias locais, em uma experiência reconhecida internacionalmente por organizações como a Associação Italiana de Turismo Responsável (AITR) e o programa “Viagens de Biodiversidade” do WWF.

Localizada no Rio Jauaperi, afluente do Rio Negro, a viagem é feita com a chegada no Aeroporto de Manaus, depois um percurso terrestre até Novo Airão (2 ou 3 horas) e embarcação pelo Rio Negro (pode levar até 30 horas dependendo da velocidade e das paradas).

Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Negro (AM)

Espalhada pelos municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, a RDS do Rio Negro abriga cerca de 600 famílias ribeirinhas que fazem do ecoturismo uma alternativa sustentável de renda. As comunidades locais, organizadas em associações, conduzem vivências autênticas com trilhas, passeios de barco e partilha de saberes tradicionais.

A reserva integra o Mosaico de UCs do Baixo Rio Negro. O Mosaico também inclui áreas como o Parque Nacional de Anavilhanas e o Parque Estadual do Rio Negro. Essa articulação reforça a gestão integrada do ecoturismo na Amazônia nessa região.

Reserva de Desenvolvimento Sustentável Rio Tapajós – Flona Tapajós (PA)

Entre a Floresta Nacional do Tapajós (Flona Tapajós) e a Resex Tapajós-Arapiuns, comunidades como Jamaraquá e Maguari desenvolvem um dos mais importantes polos de ecoturismo na Amazônia e de turismo de base comunitária do Pará. A gestão das atividades é feita pelos próprios moradores, que conduzem trilhas na floresta, passeios de barco e visitas culturais. Na seca, surgem praias fluviais de areia branca no rio Tapajós, ampliando a experiência.

A visitação é integrada à educação ambiental e à pesquisa científica, com apoio do ICMBio, reforçando o modelo de conservação participativa e geração de renda local. O trajeto depende da comunidade que será visitada. O embarque fluvial é feito em algum porto de Manaus e a viagem é realizada em voadeiras e barcos regionais, geralmente levando de 1 a 2 horas para destinos mais próximos. Já viagens para comunidades localizadas no interior costumam reunir uma combinação de transporte fluvial e terrestre.

Comunidade Maguari (PA)

Inserida na Floresta Nacional do Tapajós, em Belterra (PA), a comunidade de Maguari é referência em ecoturismo no Baixo Tapajós. O destaque é a trilha da Samaumeira Gigante, a “Vovózona”, símbolo de educação ambiental e conexão com a floresta. Guias locais conduzem caminhadas ecológicas, oficinas de artesanato em látex e apresentações de carimbó. Na época da seca, a praia da Ponta do Maguari completa o cenário.

Os visitantes podem se hospedar em casas de famílias locais ou pousadas simples administradas pela comunidade e se alimentar em restaurantes de culinária típica paraense. 

Comunidade Jamaraquá (PA)

Na Floresta Nacional do Tapajós, a comunidade de Jamaraquá é referência em ecoturismo na Amazônia, especialmente de base comunitária e com forte protagonismo local. O acesso é feito por barco a partir de Alter do Chão (cerca de 1h a 1h30 pelo rio Tapajós). Entre as atividades, destaca-se a Trilha da Samaúma, assim como em Maguari, com caminhada de até 9 km por mata primária, seringais e plantas medicinais, até uma árvore monumental.

O passeio pode incluir banho no igarapé cristalino, subida ao mirante natural com vista do dossel e canoagem entre igapós na época da cheia. O visitante também encontra hospedagem familiar, culinária regional, artesanato em biojoias e látex, além de focagem noturna de jacarés para quem pernoita.

Projeto de Turismo Indígena Paiter Suruí (RO)

Na Terra Indígena Sete de Setembro, entre Rondônia e Mato Grosso, o povo Paiter Suruí conduz uma das experiências mais completas de ecoturismo e etnoturismo no Brasil. A visita começa em Cacoal (RO), com acesso terrestre às aldeias, como a Lapetanha. Gerido pela agência indígena Yabnaby (primeira agência de turismo indígena do país), o projeto oferece vivências com cantos, danças, pintura corporal e etnomedicina, além de trilhas guiadas, caiaque e visita ao premiado Café Robusta Amazônico.

Toda a renda fortalece a autonomia do povo e apoia ações de reflorestamento. É um modelo pioneiro de bioeconomia, turismo cultural e soberania territorial indígena.

Café Robusta Amazônico, premiado internacionalmente, pode ser degustado por turistas na rota dos Paiter Suruí. 

Yaripo – Ecoturismo Yanomami – Pico da Neblina (AM)

Montanha mais alta do Brasil, o Pico da Neblina — Yaripo, na língua Yanomami — fica em São Gabriel da Cachoeira (AM), dentro de um território duplamente protegido: o Parque Nacional do Pico da Neblina e a Terra Indígena Yanomami. O acesso exige voo até São Gabriel, navegação pelo rio Cauaburis e caminhada até a base em Maturacá.

A expedição, com duração de até 15 dias, inclui trekking intenso, imersão na cultura Yanomami, culinária tradicional e noites na floresta. Gerido pelas próprias associações indígenas (AYRCA e AMYK), o projeto alia soberania territorial, conservação e geração de renda sustentável. O local é sagrado para os Yanomami e traz uma profunda imersão na cultura do povo indígena. 

Pesca Esportiva do Pirarucu (Pirarucu Lodge) – AM

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM), a pesca esportiva do pirarucu tornou-se exemplo mundial de ecoturismo e manejo sustentável. A experiência acontece no Pirarucu Lodge, um lodge flutuante operado em parceria com associações locais, como a Femapam. Visitantes praticam pesca com mosca (fly fishing) em regime de “pesque e solte”, participando ativamente da contagem e monitoramento do pirarucu.

O acesso é feito por voo até Tefé e traslado fluvial. A melhor época vai de julho a novembro (seca), quando os peixes se concentram. No período de reprodução (dezembro a maio), a pesca é proibida. Desde 1999, o manejo comunitário recuperou o estoque da espécie e transformou o turismo em fonte de renda e conservação para as comunidades.

Unidades de Conservação e Parques Naturais

Guardião de uma das maiores biodiversidades do planeta, o território amazônico abriga dezenas de unidades de conservação, áreas protegidas que combinam a proteção da floresta com o uso público responsável.

Muitos desses espaços, como parques nacionais, estaduais e florestas nacionais, abrem suas trilhas, rios e mirantes para o ecoturismo, promovendo a educação ambiental e a valorização da natureza. São experiências de ecoturismo na Amazônia que aproximam os turistas da ciência, da conservação e dos ciclos da floresta.

Parque Nacional do Jaú (AM)

Reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, o Parque Nacional do Jaú é a maior área contínua de floresta tropical protegida do planeta. Localizado no Baixo Rio Negro, entre Novo Airão e Barcelos (AM), é acessado exclusivamente por via fluvial, com embarques a partir de Novo Airão.

Suas paisagens se transformam com as águas: na cheia (março a agosto), trilhas aquáticas de canoa cruzam igapós alagados; na seca (setembro a fevereiro), surgem praias de areia branca e trilhas para caminhada até sítios arqueológicos com gravuras rupestres nas pedras. O Jaú é um santuário da biodiversidade amazônica e um dos destinos mais selvagens e preservados do ecoturismo no Brasil.

Parque Nacional de Anavilhanas (AM)

Entre os municípios de Novo Airão e Manaus, o Parque Nacional de Anavilhanas abriga um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, com mais de 400 ilhas, lagos, canais e furos que se entrelaçam pelas águas do Rio Negro. Reconhecido como Sítio Ramsar e Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, o parque protege a floresta de igapó — que fica submersa durante a cheia — e uma biodiversidade excepcional, com mais de 400 espécies de aves e animais como botos-cor-de-rosa, preguiças, jacarés e lontras gigantes.

Na cheia (março a agosto), os passeios de canoa por entre as copas das árvores permitem a navegação pela floresta alagada. Já na seca (setembro a fevereiro), surgem praias fluviais de areia branca e as trilhas terrestres ganham protagonismo. Entre as experiências, estão a observação de aves, a focagem noturna de animais, trilhas ecológicas (em igapó ou terra firme), visita a comunidades ribeirinhas e interação com os botos no Flutuante dos Botos, em Novo Airão.

O parque também atrai aventureiros para atividades como escalada em árvores gigantes e passeios em pequenos barcos pelo labirinto natural de canais. O acesso principal é por Novo Airão, a cerca de 2h30 de carro de Manaus pela AM‑070. Também há opções de trajeto fluvial desde Manaus. 

Parque Nacional do Viruá (RR)

No sul de Roraima, no município de Caracaraí, o Parque Nacional do Viruá abriga um dos ecossistemas mais singulares da Amazônia: um mosaico de florestas de várzea, campos alagados e campinaranas, conhecido como “Pantanal Amazônico”. A unidade de conservação é um Sítio Ramsar e polo científico, com trilhas utilizadas por projetos como o PPBio e o PELD.

Entre as atividades estão o trekking ecológico, observação de aves e mamíferos, subida ao Mirante da Serra e passeios de caiaque pelo Rio Viruá. O parque é acessível por estrada e gratuito, mas requer agendamento prévio. Além de promover educação ambiental e turismo de baixo impacto, o Viruá busca integrar comunidades vizinhas em ações sustentáveis de conservação.

Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP/PA)

Com cerca de 3,87 milhões de hectares de floresta primária intocada, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é o maior parque nacional do Brasil e uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical protegida do mundo. Localizado no Amapá, com pequena porção no Pará, o parque preserva as nascentes dos rios Araguari, Oiapoque e Jari, além de abrigar o maior estoque de carbono entre as áreas protegidas do planeta.

O acesso é remoto e desafiador, feito por expedições organizadas por operadoras especializadas. Os visitantes vivenciam trilhas diurnas e noturnas (como a da Copaíba e Caminhos do Tumucumaque), observam árvores colossais como a Sumaúma e o Angelim-vermelho, e avistam uma rica fauna, incluindo primatas, aves raras e anfíbios endêmicos. As experiências incluem também banhos de rio, pesca artesanal e o dia a dia das comunidades ribeirinhas. A estrutura é rústica, com redários e banho de rio.

Parque Estadual de Monte Alegre (PA)

Localizado no oeste do Pará, no município de Monte Alegre, o Parque Estadual de Monte Alegre é uma das áreas de conservação mais ricas em arqueologia da Amazônia. Com paisagens que combinam floresta, campos e formações rochosas, o parque abriga dezenas de sítios com pinturas rupestres de até 12 mil anos, em abrigos como a Gruta do Pilão, a Pedra do Mirante e a Serra da Lua.

Além do valor histórico, a região encanta pela vista panorâmica do Rio Amazonas e pelas trilhas ecológicas que levam a cavernas, paredões rochosos e áreas de campo rupestre. Guias locais conduzem os visitantes pelas trilhas e compartilham o conhecimento sobre a ocupação ancestral da floresta. O acesso se dá por Monte Alegre, com deslocamento terrestre até a base do parque. A visitação, ainda pouco conhecida, une ecoturismo, ciência e uma rara conexão com a pré-história. Encontra-se listado na World Monuments Fund (WMF) pelo seu patrimônio arqueológico.

Parque Estadual Chandless (AC)

Pouco conhecido e de difícil acesso, o Parque Estadual Chandless é uma das últimas fronteiras selvagens da Amazônia. Localizado no Acre, na divisa com o Peru, protege um ecossistema raro: a floresta de bambu (Guadua), habitat de espécies únicas e ainda pouco estudadas. É lar de indígenas isolados e grandes mamíferos, como a anta e a onça-pintada. O acesso exige expedições organizadas com autorização prévia. As trilhas e acampamentos oferecem vivência em áreas praticamente intocadas, voltadas a ecoturismo de base científica e conservação.

Floresta Nacional de Caxiuanã (PA)

Situada entre os municípios de Melgaço e Portel, no Pará, a Floresta Nacional de Caxiuanã é uma das mais antigas FLONAs do Brasil e um dos maiores centros de pesquisa da Amazônia. Abriga a Estação Científica Ferreira Penna, referência em estudos sobre clima, solo e biodiversidade.

A visitação é restrita, mas projetos de ecoturismo educativo têm avançado com apoio de pesquisadores e comunidades locais. Trilhas, observação de fauna e vivências ribeirinhas fazem parte da experiência, sempre com foco na educação ambiental. O acesso é fluvial, saindo de Breves ou Porto de Moz.

Floresta Nacional de Tefé (AM)

Localizada no município de Tefé (AM), às margens do Lago Tefé e próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, a FLONA de Tefé é uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável que alia conservação da floresta com manejo madeireiro comunitário.

A região abriga trilhas educativas, áreas de observação de fauna e projetos de educação ambiental em parceria com comunidades ribeirinhas. O acesso se dá por via fluvial a partir da cidade de Tefé, que também conta com aeroporto regional. As atividades turísticas são voltadas para grupos escolares e de pesquisa, especialmente pelo seu caráter de conservação e pesquisa científica. 

Cidades base com estrutura turística e acesso à natureza

Algumas cidades funcionam como portas de entrada para o ecoturismo na região, oferecendo estrutura urbana, serviços turísticos e fácil acesso a áreas naturais protegidas. São lugares que equilibram conforto e aventura, combinando hospedagens, gastronomia local, cultura amazônica e passeios em rios, florestas e reservas próximas. Nessas cidades, o visitante pode montar roteiros mais flexíveis, fazer bate-voltas ou embarcar em expedições mais longas, contando com guias e agências locais.

Manaus (AM)

Porta de entrada para quem busca vivenciar a Amazônia de forma autêntica, Manaus (AM) é uma das capitais brasileiras com maior potencial para o ecoturismo. Apesar do ambiente urbano, a cidade está cercada por uma das maiores biodiversidades do planeta e permite fácil acesso a experiências imersivas em plena floresta tropical.

A poucos minutos do centro já é possível navegar pelos rios Negro e Solimões, visitar o Encontro das Águas, avistar botos-cor-de-rosa e explorar trilhas em reservas como o Parque Nacional de Anavilhanas e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé. A região também concentra uma ampla oferta de lodges de selva, passeios com guias locais, vivências com comunidades ribeirinhas e observação de aves e animais silvestres.

Além do contato direto com a natureza, o ecoturismo em Manaus também proporciona aprendizados sobre práticas sustentáveis, saberes tradicionais e os desafios da conservação em um contexto amazônico urbano. A cidade combina infraestrutura, conexão aérea e fluvial e uma rica cultura local, tornando-se uma base estratégica para quem deseja conhecer diferentes experiências de ecoturismo na Amazônia.

Alter do Chão (PA)

Alter do Chão, no Pará, é conhecida como o “Caribe Amazônico”, o destino é famoso pelas suas praias de areia branca banhadas pelas águas cristalinas do Rio Tapajós, especialmente durante o verão amazônico. Localizada a cerca de 30 km de Santarém, a cidade combina natureza exuberante com boa estrutura turística, oferecendo pousadas, restaurantes, feirinhas e fácil acesso por aeroporto.

Durante a estação seca, que vai de agosto a dezembro, as faixas de areia ficam totalmente expostas, revelando paisagens paradisíacas que atraem visitantes de todo o mundo. É o melhor período para aproveitar as praias, como a icônica Ilha do Amor, e explorar comunidades ribeirinhas como Suruacá, cuja beleza está diretamente ligada ao cenário das praias.

Já no inverno amazônico, de janeiro a julho, as águas do Tapajós sobem e cobrem a areia, modificando completamente a paisagem. Nesse período, os passeios de barco e canoa ganham destaque, navegando por canais, igarapés e áreas alagadas que revelam outra face da floresta. A floresta nacional do Tapajós, o Lago Verde e as trilhas nas áreas de conservação também compõem o roteiro de quem busca vivências de ecoturismo, com contato com saberes tradicionais e biodiversidade única.

Presidente Figueiredo (AM)

Conhecida como a “terra das cachoeiras”, Presidente Figueiredo é um dos principais destinos de ecoturismo próximos a Manaus, no Amazonas. Localizado a cerca de 107 km da capital, com acesso fácil pela rodovia BR-174, o município combina infraestrutura turística básica — com pousadas, restaurantes e agências locais — e uma vasta oferta de atrativos naturais, ideal para escapadas curtas ou roteiros mais extensos de ecoturismo.

O grande destaque da região são as mais de 150 cachoeiras catalogadas, muitas delas acessíveis por trilhas curtas e bem sinalizadas. Entre as mais visitadas estão a Cachoeira de Iracema, Cachoeira do Santuário, Cachoeira das Orquídeas e a Cachoeira da Pedra Furada. O turismo também inclui cavernas, grutas e formações rochosas impressionantes, como a Gruta do Maroaga e a Gruta da Judeia, localizadas dentro de unidades de conservação.

A melhor época para visitar é durante a estação seca, entre junho e novembro, quando o nível dos rios está mais baixo, facilitando o acesso às trilhas e permitindo banhos refrescantes nas quedas d’água. Já no período de chuvas, de dezembro a maio, o volume das cachoeiras aumenta, mas algumas trilhas podem ficar mais escorregadias ou inacessíveis — exigindo atenção redobrada.

Barcelos (AM)

Barcelos, no estado do Amazonas, é uma das cidades-base mais emblemáticas para o ecoturismo na região do Baixo Rio Negro. É o local da maior cachoeira do Brasil, a Cachoeira do El Dourado. Localizado a cerca de 400 km de Manaus, o município é acessível principalmente por via fluvial (viagens de barco que podem durar até 30 horas) ou por voos regionais, especialmente em épocas de maior fluxo turístico. É uma cidade histórica, fundada no século XVIII, e ponto estratégico para acessar áreas como o Parque Nacional do Jaú, o Arquipélago de Mariuá (o maior arquipélago fluvial do mundo) e reservas de várzea com rica biodiversidade.

Barcelos é internacionalmente conhecida como a capital mundial da pesca esportiva do tucunaré, recebendo visitantes do Brasil e do exterior durante a temporada de pesca, que vai de setembro a fevereiro. Fora desse período, a cidade é procurada por viajantes que desejam explorar trilhas ecológicas, passeios de canoa entre igapós e igarapés, observação de aves e visitas a comunidades ribeirinhas. 

A cidade possui pousadas simples, barcos-hotel e operadoras locais que organizam roteiros de imersão na floresta e turismo de base comunitária. Durante a cheia, entre março e julho, a paisagem se transforma: os rios invadem a floresta, permitindo trilhas aquáticas entre as copas das árvores. Na seca, entre agosto e fevereiro, surgem praias fluviais e o acesso às trilhas terrestres é facilitado. Além das belezas naturais, Barcelos preserva tradições culturais amazônicas, com festas populares, artesanato e culinária típica à base de peixes, frutas nativas e ingredientes da floresta. 

Santarém (PA) 

É uma das cidades mais estratégicas para o ecoturismo na Amazônia Oriental, chamada de pérola do Tapajós, serve como ponto de entrada para destinos como Alter do Chão, Floresta Nacional do Tapajós e comunidades ribeirinhas ao longo do Rio Tapajós e do Rio Arapiuns. Com aeroporto regional, boa rede hoteleira e serviços turísticos consolidados, a cidade oferece facilidade de acesso tanto para experiências urbanas quanto para vivências na natureza.

Seu centro histórico guarda construções do período colonial e a orla fluvial é um dos atrativos mais conhecidos, especialmente no entardecer. Além disso, Santarém é um polo de apoio para passeios de barco, turismo de base comunitária, observação de aves e rotas gastronômicas com sabores amazônicos.

Novo Airão (AM) 

Uma cidade amazônica às margens do Rio Negro, localizada a cerca de 180 km de Manaus, com acesso por estrada (AM-070 e AM-352) ou via fluvial. Abriga o Parque Nacional de Anavilhanas e é ponto de partida para explorar o Parque Nacional do Jaú, é referência em ecoturismo na região do Baixo Rio Negro.

A cidade oferece estrutura básica para turistas, com pousadas, restaurantes e agências de passeio, além do famoso Flutuante dos Botos, onde é possível interagir com botos-cor-de-rosa em ambiente controlado. Novo Airão também é conhecida pelo artesanato indígena e ribeirinho, e por sua atmosfera tranquila, ideal para quem busca imersão na natureza com conforto e acessibilidade.

Destinos Internacionais na Pan-Amazônia

A Amazônia vai além das fronteiras brasileiras. Espalhada por nove países sul-americanos, essa imensa floresta guarda em seus diferentes territórios experiências únicas de contato com a natureza, a cultura e os modos de vida tradicionais. Na Colômbia, no Peru, no Equador e em outros países da região, o ecoturismo também é uma ferramenta importante de conservação ambiental e valorização das comunidades locais.

Nesta seção, destacamos alguns dos principais destinos de ecoturismo na Amazônia fora do Brasil, que oferecem vivências sustentáveis e transformadoras, conectando viajantes à riqueza ecológica e cultural da floresta amazônica.

Localizado na Amazônia equatoriana, o Parque Nacional Yasuní é uma das áreas com maior biodiversidade do planeta. Abriga centenas de espécies endêmicas, além de ser território de comunidades indígenas como os Tagaeri e Taromenane. O parque é reconhecido como Reserva da Biosfera pela Unesco e oferece experiências de ecoturismo imersivo em selva primária, observação de fauna e vivência cultural com povos originários.

Dentro do parque, localiza-se o albergue comunitário Sacha Ñampi (que significa “caminho para a floresta”), gerido pela comunidade quéchua Alta Florencia. O albergue fica a cerca de 292 km de El Coca, o local abriga cabanas cercadas pela floresta e oferece expedições para avistar botos-cor-de-rosa, araras e primatas.

Parque Nacional Yasuní

Geoparque Napo Sumaco (Equador)

No Equador, o geoparque Napo Sumaco oferece uma imersão que une aventura, ciência e ancestralidade, o local foi incorporado em 2025 à Rede Global de Geoparques da UNESCO. Gerido por indígenas quéchuas, o parque ocupa 1.800 km² na província de Napo e abriga cavernas, fósseis, rios, sítios arqueológicos e culturais.

Trilhas, rafting, kayak, rituais com ayahuasca e expedições ao vulcão Sumaco integram essa experiência de ecoturismo na Amazônia. Segundo o coordenador Henry Grefa, o turismo no parque fortalece a preservação dos saberes de mais de 60 comunidades locais e conecta visitantes à história geológica da região amazônica.

Parque Nacional Madidi (Bolívia)

Com mais de 18 mil km², o Madidi é um dos parques mais biodiversos do mundo, abrigando onças, araras, lontras e mais de mil espécies de aves. Localizado na Amazônia boliviana, o acesso ao parque se dá a partir da cidade de Rurrenabaque, principal base turística da região. De lá, o trajeto é feito por barco pelo rio Beni e depois pelo rio Tuichi até os lodges e comunidades no interior do parque.

Um dos exemplos mais inspiradores de ecoturismo comunitário na região é o Chalalán Ecolodge, fundado e administrado pela comunidade indígena San José de Uchupiamonas, que utiliza o ecoturismo como ferramenta para preservar o território, gerar renda local e fortalecer a cultura tradicional.

Entre as atividades oferecidas aos visitantes estão trilhas na floresta com guias locais, observação de fauna e flora, passeios fluviais, práticas tradicionais de medicina indígena e experiências culturais com as comunidades nativas.

Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu
Bruna Akamatsu é jornalista e mestre em Comunicação. Especialista em jornalismo digital, com experiência em temas relacionados à economia, política e cultura. Atualmente, produz matérias sobre meio ambiente, ciência e desenvolvimento sustentável no portal Brasil Amazônia Agora.

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